Vida

Kika Lima

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Era um dia estranho (não sei definir de outra forma) não tinha sol, mas também não estava escuro, não estava quente e também não estava frio, não era triste e também não era alegre; enfim, um dia estranho.

Eu caminhava e olhava as pessoas, as casas, tudo... Não tinha pressa, andava devagar... O que eu ia fazer não precisava de pressa já estava decidido então apenas estava apreciando a vista, lembrando e comecei a lembrar do porque de estar assim.

Eu fui casada, nossa, difícil de acreditar; eu, casada com a mulher mais linda do mundo, mais perfeita; fui casada por quatro anos ate que...

A porta abre – Oi amor, você demorou; se bem que eu cheguei agora a pouco também.

- Camila preciso falar com você.

Opa ‘Camila’ isso não é uma boa coisa – O que foi amor, algum problema no trabalho?

- Não Camila não foi nenhum problema no trabalho, estou lhe informando que estou indo embora.

- Como? – kkkkkkkkkkkk... Fala serio meu amor o que houve?

- O que você ouviu e se você tivesse prestado atenção veria que minhas roupas nem estão mais aqui.

- Mas... Como? Quando? Eu acabei de chegar. Por que?

- Eu levei minhas coisas depois que você foi trabalhar. Porque eu não tenho mais paciência, pra mim, acabou.

- Mas... O que foi que eu fiz?

- Sem mas Camila só vim lhe avisar que estou saindo da sua vida.

Ela saiu, dá pra acreditar?! Ela saiu e nem olhou pra trás e eu fiquei lá incrédula... Aquilo foi tão inesperado que eu fiquei sem ação, parada, não sei nem como conseguia respirar.

É, mas não acabou aí não, eu corri atrás dela que nem lesa, afinal foram quatro anos juntas, compartilhados, divididos. É claro que fui atrás tentando entender porque a gente não consegue superar se não entender. Pois bem, fui atrás me humilhei, implorei, fui humilhada ate que descobri que a pessoa em questão (pra não chama-la do que ela realmente merece) já estava com outra, mas não é só isso, afinal ela ia encontrar alguém mesmo, o problema é que esse alguém ela já tinha encontrado enquanto era casada comigo. Isso mesmo, se separou de mim daquela forma que vocês viram como se eu fosse culpada, me deixou sem chão em vez de chegar e dizer que estava com outra e pronto.

Bem, eu sou uma pessoa muito sentimental então isso me abalou, minha amigas e amigos ficaram do meu lado (é obvio) disseram que ia superar que ela não merecia meu sofrimento mais pô foram quatro anos, quatros anos de que? Falsidade? Não rola, não admito, não entendo, mas fui levando a vida, é lógico, a vida é muito importante pra se deixar na mão dos outros, então eu fui, fui trabalhar, fui viver, fui crescer, mas...

É ruim ficar sozinha ainda mais quando você esteve com alguém tanto tempo... Sempre falta alguma coisa, sempre falta, nunca sozinho é o bastante.

E assim foi devagar sem dar aviso, uma profunda tristeza um dia, vamos bola pra frente a vida continua no outro e assim o tempo foi passando e desde aquele dia foi-se um ano.

Um ano... Nossa! Tento lembrar desse um ano, mas parece que está apagado, parece um ano que não foi vivido e talvez não tenha sido mesmo, afinal não lembro de festas, aniversários, amigos, família, trabalho... Acho que naquele ano eu estava no “automático”.

Enfim, um dia eu acordei e tomei consciência daquele um ano que eu tinha passado porque eu realmente só passei por ele, cheguei à conclusão que não dava pra continuar daquele jeito. Depois de refletir muito, mas muito mesmo, tomei uma decisão... (pensando hoje eu vejo o quanto aquela decisão foi estúpida e graças a vida estou aqui pra pensar nisso).

Continuando a introdução da historia eu estava lembrando de tudo isso e no meio desse devaneio olhei pro relógio e vi que já estava dando umas 10 horas (não lembro direito); decidi que já estava na hora de fazer o que eu tinha decidido. Já tinha visto tudo que queria e apreciado tudo que gostava, fui andando, não tinha pressa e não era longe, o movimento dos carros foi diminuindo, o silencio estava ficando mais evidente à medida que ia andando pros limites da cidade. Nesse momento em que eu percebi que estava chegando a hora, senti medo, um arrepio na espinha... Cheguei ate a parar de andar, mas eu já estava ali e conseguia vê-la. Eu pensei que todos os meus problemas iam ser resolvidos (não contei? Eu estava pra perder o emprego também); respirei fundo, pensei que não tinha nada a perder mesmo e continuei a andar.

Fui me aproximando, era uma ponte velha com um rio embaixo, um rio que não oferecia perigo se você soubesse nadar contra as correntezas o que não era o meu caso. Cheguei bem perto e olhei pra baixo (o que foi um erro). Meu coração acelerou, bateu como nunca tinha batido, prendi a respiração. Agora já estava ali, estava com as mãos na ponte não dava pra voltar, não depois de chegar tão perto; olhei pro céu, continuava estranho. Me apoiei no parapeito, respirei fundo e dei um impulso pra cima. Nossa, eu tava em pé em cima do parapeito, não tem como explicar a sensação pra vocês, parecia que iria voar, parecia que estava livre, incrível! Abri os braços, ia dar um salto como se fosse um mergulho; quando eu ia me jogar pra frente eu escuto uma voz desesperada...

- CAMILA

Eu olhei, quem gritou vinha correndo. Olhei praquela mulher vindo correndo na minha direção, parecia um sonho é lógico, tava sonhando, nunca tinha visto aquela mulher na vida, então virei o rosto pra frente me preparando pro salto de novo quando escuto...

- Por favor Camila espera, por favor me deixa falar com você um pouco, só um pouco, depois você pode fazer o que quiser eu não vou te impedir.

Olhei pra ela de novo, ela realmente estava falando comigo e aparentemente me conhecia; ela tinha um olhar tão desesperado e pensei que ela estava com aquele olhar por minha causa, fiquei triste.

Ela estendeu a mão pra mim num pedido mudo – Por favor!

Eu estendi a mão pra ela, o que eu poderia fazer? Não queria vê-la triste – Ta bom.

Então ela me puxou e me abraçou. Fiquei totalmente desconcertada com aquela atitude. Me afastei delicadamente.

- Quem é você?

- Nossa, meu Deus eu pensei que não fosse chegar a tempo! Você estava tão estranha esses dias, não acredito que quase te perdi.

(Olhava pra ela e pensava que quem ia tentar se jogar da ponte era eu, porque que ela ta agindo como doida?)

- Desculpe não lhe conheço. Você falou que queria falar comigo, se mudou de idéia vou voltar ao que estava fazendo – me virei pra direção da ponte e senti uma mão segurar meu braço.

- Não, por favor, me deixe lhe falar depois como disse deixo você fazer o que quiser.

(Olhei pra ela, olhei pra um lado, olhei pro outro não tinha ninguém, não tinha nada pra fazer mesmo, olhei pra ela...)

- Sou todo ouvido. – disse me sentando no chão e olhando pra ela.

Ela deu um suspiro de alivio e se sentou do meu lado.

- Bem você realmente não me conhece?

- Não mesmo, me lembraria de você.

- Então tem alguma coisa errada por que eu trabalho no mesmo setor que você já tem uns três meses.

Olhei pra ela com cara de espanto porque não sei definir de uma forma mais forte a cara que fiz.

- Co... Como assim? Eu nunca te vi.

- Você já me viu sim, mas você tem estado tão distante do mundo que não prestou atenção nas coisas ao seu redor.

Não sabia o que falar.

- Qual seu nome?

- Meu nome é Vida.

- Nossa Vida eu nunca te vi, juro que não me lembro.

O que eu vi me deixou triste na mesma hora, os olhos dela que estavam aliviados pareciam que tinha se quebrado e enchido de lagrimas, mas ela virou o rosto e quando olhou de novo pra mim eles estavam normal.

- Vida o que você queria?

Suspiro – Eu queria te impedir de fazer o que você ia fazer; como disse, você estava estranha esses dias, fiquei preocupada e prestei mais atenção em você do que nunca, quando você não foi trabalhar me desesperei e sai te procurando.

- Como sabia que eu estaria aqui?

- Eu te conheço.

- Como?

- É uma longa historia.

- Não vou a lugar nenhum agora.

Ela olhou nos meus olhos como se tirando coragem de algum lugar.

- Ok. Eu te amo, te amo desde que te conheci e isso tem uns seis anos.

Preciso explicar minha cara na hora que ela falou isso?

- Eu percebi que te amava e isso me deixou com medo, eu não sabia o que fazer, neguei, me escondi, fiquei com outras pessoas pra te esquecer, afinal, você nunca prestou muita atenção em mim mesmo; passou um ano e o que eu sentia por você só aumentava sem ninguém precisar alimentar, então eu criei coragem, iria atrás de você e te conquistaria, se não conseguisse pelo menos teria tentado e não continuaria fugindo mais. Quando te encontrei de novo você tava com uma pessoa e pra minha surpresa era uma mulher. Fiquei com raiva de mim, do meu medo porque poderia ser eu no lugar dela, mas eu não tinha o direito de me intrometer; eu vi, você estava tão feliz que eu nem cogitei a possibilidade de atrapalhar aquela felicidade, fui embora sabendo que tinha te perdido. Então há um ano atrás eu soube o que tinha acontecido, senti um ódio tremendo daquela mulher por ter te feito tanto mal, mas também fiquei feliz porque agora eu tinha uma chance.

Olhei pra ela com cara de descrente, mas ela não me deixou falar nada e continuou.

- Descobri em que firma você trabalhava. Eu me candidatei pra um cargo, demorou muito pra arrumar as coisas, mas finalmente tinha conseguido entrar pra empresa e por sorte era no mesmo setor que o seu, mas você não era mais a mesma, não tinha mais aquele sorriso lindo que eu adorava, não tinha mais aquela vontade de viver, parecia ate que você não estava viva; me aproximei de você mas você nem me percebia. Notei sua tristeza, tentei ajudar, mas você não me deu chance. Continuei prestando atenção em você, percebi que nos últimos dias sua tristeza tinha ficado mais profunda e tive medo que você fizesse alguma besteira e agora estamos aqui, era isso que eu queria te falar. Eu te amo e se você for realmente se jogar dessa ponte eu vou atrás, já fiquei tempo demais sem você na minha vida pra suportar mais.

Quando ela terminou de falar estava chorando e eu estava chocada. Ainda não acreditava naquilo tudo, mas acreditava nela. Loucura né?

 

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Uma porta abre, escuto passos vindo na minha direção, não me viro, meu coração dispara, continuo sentada na frente do computador. Os passos se aproximam, um cheiro de perfume no ar, respiro fundo, uma mão encosta-se a meu ombro, a respiração falha, se aproxima mais do meu pescoço, sussurra no meu ouvido.

- Amor vai demorar muito? – me arrepio.

Respiro fundo.

- Não, só falta o final, não sei como terminar, não sei se termino com a nossa conversa quando saímos da ponte ou com a bronca que você me deu por tentar fazer aquela besteira ou quando você me mostrou onde morava ou com a nossa primeira vez onde você morava, enfim, não sei.

- Eu tenho uma idéia amor – fala com voz bem sensual – Por que nós não vamos pro quarto e eu te mostro como seria um ótimo final hein? - fala sussurrando no meu ouvido. Me arrepio de novo!

- Humm, ta bom deixa eu só desligar isso aqui que to indo.

- Ta bom, não demora – fala isso e me dá um beijo bem quente pra eu ver o que vou perder se demorar.

 

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Bem gente é isso ai. Vocês ficam com esse final aí porque eu vou fazer um final muito melhor com a minha Vida.

Nunca desistam da vida; você pode encontrar o que procura na próxima hora se não desistir dela. A Vida me ensinou isso.



Beijos e abraços

- To indo minha Vida!

 

 

Fim