Freaks

Niña

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INTRODUÇÃO

 

Engraçado o que uma mudança, relativamente repentina, na rotina de um pessoa, é capaz de fazer em outros aspectos de seu comportamento. Mudei-me de País e estou tendo pela primeira vez na vida, a experiência de morar só. Minha intenção é ficar por mais 6 meses, no máximo; ainda assim, a falta que sinto da minha gente e da minha terra, me transformou em alguém que muitas vezes desconheço. Estou por demais introspectiva! Aquela vontade de conhecer novas pessoas, de fazer mais amigos, de conviver com o novo, simplesmente me abandonou! Parece ter deixado em seu lugar, um olhar pra dentro tão perscrutador e curioso, que quando voltar, jamais precisarei ir a uma sessão de análise! Minha curiosidade em conhecer e investigar as novas paragens, está direcionada mais para as belezas paisagísticas que encontro nas diferentes cidades pelas quais tenho que viajar, que especificamente nas pessoas com as quais convivo diariamente, seja no supermercado, no trabalho, na rua ou em um restaurante qualquer. Mas, é claro que o interesse que sempre tive no Ser Humano ainda prevalece, mesmo que não seja em forma de convívio. Sempre me senti extremamente atraída pelo pensamento e, mais ainda, pelo comportamento das pessoas face a determinadas circunstâncias. Como é mais complicado penetrar na mente dos outros, acho mais interessante tentar saber o que se passa por lá através das atitudes dos indivíduos...de suas ações! E minha mania de olhar, observar, nessas horas torna-se muitas vezes inconveniente, pois me leva a adiar outras coisas mais urgentes, com o único objetivo de saciar minha curiosidade, não rara infantil até!

Descobri que meus programas de TV favoritos por estas terras, são aqueles sobre casos arquivados pela Polícia, investigações criminais e processos incomuns que passaram pelos Tribunais. E parece que juntamente comigo, outras milhões de pessoas se deliciam assistindo as mazelas humanas percorrerem a tela da TV, expondo seus segredos, suas feridas e suas bizarrices; pois a quantidade de Programas do gênero, se multiplicam mês a mês, pelos diversos canais convencionais, além das TVs pagas. Vendo-os sacio em parte, como mera expectadora, a minha curiosidade sobre o comportamento Humano na área psicossocial. É interessante observar o que leva certas pessoas a atitudes extremas para fazer valer seus próprios desejos...sim, porque sempre há um desejo, por mais oculto e negado que seja, pelo qual cometeríamos uma insanidade qualquer no intuito de realizá-lo. Talvez o que nos salve, a maioria, é que fazendo parte da média geral, pensamos sobre cada conseqüência e avaliamos cada preço que tais conquistas nos levariam a pagar. Passamos boa parte da vida medindo o que nos será cobrado em troca de uma atitude, de um desejo fora do comum, de uma palavra, de uma insanidade... E são poucos aqueles que se permitem serem rotulados de loucos, tachados de aberrações e principalmente apontados e julgados como marginais, por irem contra as regras da sociedade, de suas Leis e de seus ditames.

A estória que passo a narrar, nos mostra justamente esse aspecto na natureza humana, através de uma personagem que não via limites para saciar seus desejos, fossem eles quais fossem... Físicos, financeiros, emocionais... Sua mente invertia valores sociais, desrespeitava a ordem comum e seus pares, julgava poder impor-se a tudo e a todos sem limites e sem remorsos, com o único objetivo de ver suas vontades mais íntimas e raramente compreendidas, satisfeitas! Mostrava-se ao mundo como uma mulher irascível, má, que não se importava com o sofrimento alheios, que não media esforços para se dar bem em todas as situações, uma pessoa cruel que infligia dor aos outros sem o menor remorso. Para muitos beirava a Psicopatia, para outros era apenas sádica e sem valores morais ou pelo menos com tais valores bastante retorcidos.

Não me cabe aqui, fazer julgamentos sobre tal personagem. Não sou Dona de suas atitudes, uma vez que a estória é real, e muito menos sei avaliar o porquê delas, talvez traumas de infância ou criação anormal e sem limites, como disseram os Psicólogos. Mas minhas pesquisas se limitaram às causas que a levaram até os Tribunais...os crimes que cometeu e o desfecho surpreendente e interessante do seu Julgamento. Não sei se posso chamar de Romance o que se passa entre as personagens principais! Penso que não é essa a palavra exata pra o sentimento que as liga, pelo menos não morfologicamente falando. Romance remete à quimera, a sentimentalismos cheios de lirismo, e isso, definitivamente não encontraremos entre nossas protagonistas.

Não haverá aqui minha avaliação moral sobre o caso. O que penso sobre as personagens, não tem a menor importância. Farei apenas a narração dos fatos, com muita licença poética para os detalhes desconhecidos e bastante fidelidade àqueles que foram expostos aos olhos de quem quisesse ver e às bocas de quem quisesse comentar!

Boa Leitura!

P.S.: Nomes, sobrenomes e local serão trocados. Alguns estrangeirismos podem vir a ser usados, uma vez que a estória se passa nos EUA.

 

 

CAPÍTULO 1
MacGillian
1890 a 1987

 

A origem da família MacGillian, que foi parar no Sul da Florida, remontava às Montanhas do norte da Escócia, as “Highlands”, terras banhadas pelo Mar do Norte onde se pode avistar as montanhas mais altas da Grã-Bratanha. Era uma terra de guerreiros e de sobreviventes, pois requeria uma luta diária pela vida naquelas estâncias divinamente belas, porém inóspitas. Há mais de 100 anos, com a crise de alimentos que assolava a Europa e a peste espalhando-se vorazmente pelo Continente, várias famílias de camponeses daquela região, emigraram para a Irlanda e outras quiseram ir mais longe e conquistar a América!

E assim foi com os primeiros MacGillian que chegaram nos Estados Unidos. Alguns ficaram no Norte e Nordeste do País, onde o clima frio lembrava-lhes a Terra Natal. Mais um casal mais ousado, decidiu conhecer o que chamavam de Paraíso Tropical das Américas...a Florida...onde encontraram praias de beleza selvagem e mar de águas translúcidas que os fazia sonhar com riqueza financeira para usufruirem com regalias daquelas maravilhas que só conheciam das bocas dos viajantes. Ellen e John MacGillian trabalharam arduamente por anos a fio e com uma certa sorte e muito suor, conseguiram construir uma pequena fortuna que deixaram para os filhos. Os filhos eram três, todos homens. Uma disputa de terras fez com que as tragédias, que cercam até os dias de hoje os descendentes daquele pedaço da família MacGillian, começassem. Um dos filhos, ainda rapaz, morreu numa briga de facas pelas tais terras, o outro também se foi prematuramente num acidente macabro com a serra elétrica que manipulava. Restou daquele casal o filho mais velho, Robert, que herdou os bens dos Pais e fez com que a pequena fortuna multiplicasse em 10 com transações um tanto escusas, nas quais financiava a máfia que contrabandeava bebidas, nos anos de Lei Seca. Casou-se, mas sua mulher, com problemas de fertilidade, deu-lhe somente um filho, Alexander, outro Homem para os MacGillian, o que garantia a sobrevivência do nome da família por aquelas bandas.
O Dinheiro dos MacGillian da Flórida se multiplicava com a mesma rapidez com que as tragédias se sucediam naquela família. Em outros lugares, os MacGillian formavam um clã enorme que se espalhava por diversos Estados e Países, com alguns ricos, outros pobres, a maioria classe média. Mas naquela parte do País, aquele primeiro casal de emigrantes parecia ter sido estigmatizado a fazer com que sua linhagem fosse pequena, com seus membros sendo retirados de cena prematuramente e deixando um ou dois para seguir a trilha de sorte no dinheiro e desgraças na vida. Em 1942, em plena Segunda Grande Guerra Mundial, Alexander casa-se com Ann Marie e tem um casal de filhos gêmeos dois anos depois...Peter e Louise!

A parte econômica como sempre fluia muito bem, Alexander diversificava os negócios da família entre Metalurgia e varejo, o que o permitia continuar mantendo ligações, não tão lícitas quanto faziam parecer suas Companhias, com o lado obscuro do crime organizado...havia se especializado em lavagem de dinheiro sujo, o que o permitia expandir a cada dia sua fortuna sem levantar suspeitas...era visto pela sociedade apenas como um excelente homem de negócios, o homem do “faro” comercial de ouro! Quando morreu em 1968, havia deixado para os filhos uma fortuna em torno de 15 milhões de Dólares, que acabou parando nas mãos de Peter, novamente por uma fatalidade do destino; pois no ano seguinte à morte do Pai, Louise é encontrada morta no apartamento onde morava só, devido a uma overdose de heroína! No entanto deixa de herança para Peter, além da administração da parte que a cabia no dinheiro da família, um filho de 7 anos, Alexander, como o avô! Que havia sido adotado como filho pelos avós e era criado por eles desde que nasceu.

Peter assumiu os negócios da família e começou a tomar ciência do que realmente se passava por aquela contabilidade. Havia se casado em 1967 com uma colega da “High School” e no mesmo ano da morte da irmã, em 1969, nascera sua filha Nicole, a segunda menina naquela família, que nascera com todas as características fisicas dos MacGillian Escoceses. Pele clara, cabelos bem escuros e olhos cinza-claros, como aço!

Desde pequena Nicole, Nic como a chamavam os Pais e Alexander, tinha uma personalidade forte, autoritária e muitas vezes perversa, que não raramente assustava os mais próximos. Era arrogante, geniosa, ferina...sabia como alcançar o ponto fraco de cada um para fazer disto o gatilho para o seu sadismo, espezinhando suas vítimas sem dó até que perdessem o controle. Fazia isso com os Pais, com os colegas de escola, com os vizinhos e até com os animais. Alexander percebeu estas características desde muito cedo e era quem melhor entendia e conseguia controlar os excessos de Nic. Na verdade era o único por quem ela demonstrava um certo afeto e respeito. Haviam sido criados como irmãos, pois a avó Ann Marie havia morrido três anos depois que o marido e deixado Alex à cargo do filho Peter. Alex tinha um sentimento de carinho muito grande pela prima, achava que um dia, alguma coisa ou alguém pudesse tocar seu coração e transformá-la numa pessoa melhor. Era o único que conseguia enxergar Nic além de suas pequenas crueldades e, de certa forma, sabia como chegar ao seu coração de pedra.

Em 1982, outra tragédia acomete a família! Dessa vez os pais de Nic morrem em um acidente com o pequeno monomotor que Peter adorava pilotar. Alex, então com 20 anos é forçado a assumir as empresas e a ser o tutor legal de sua prima, Nic, com 13 anos na época. Um rapaz muito jovem e mal saído da adolescência, que é forçado pelas tramas do destino a assumir responsabilidades demais pra alguém de sua idade; Alex acaba se envolvendo a casando no mesmo ano, com Sarah, sua amiga de infância, e uma das tantas vítimas de Nic. Precisava de Sarah para ajudá-lo naquela empreitada, sabia que não seria fácil, ainda mais tendo que acabar de criar uma criatura tão difícil de lidar como Nic. E isso Sarah sabia bem! Nic adorava infernizá-la contando mentiras sobre amantes de Alex que não existiam, gostava de atormentá-la psicologicamente falando de sua origem humilde Irlandesa, e se deliciava ao arrancar lágrimas de seus olhos quando a humilhava perante outras pessoas.

Em 1983, Sarah dá a luz a uma menina, Lorena MacGillian, que traz no físico toda a delicadeza e traços maternos...pela alva, cabelos louro avermelhados e olhos de um verde quase água de tão claro! Lorena trouxe para aquela casa, uma alegria há muito esquecida, Alex e Sarah não cansavam de admirar a beleza e a delicadeza da menina que a medida que crescia, mostrava-se mais inteligente que a média e trazia em si uma alegria nata, coroada por uma gentileza natural com todos à sua volta. A perfeita contraposição de Nic!

Nic achava Lori Linda! No entanto sentia um enorme incômodo cada vez que a pequena vinha à procura de afeto ou atenção. Era como se aquilo a fizesse sentir-se menor, vulnerável. Irritava-se cada vez que Lori pedia colo ou vinha mostrar seu brinquedo predileto pra ela...era como se aquela pequena garotinha pudesse abalar a solidez de sua indiferença com as pessoas à sua volta, com um gesto, um olhar ou um sorriso. E isso ela não permitiria acontecer! Já estava se apegando demais aquela criança e achava que não tinha tempo para sentimentalidades pueris como aquela!

“Deve ser genético! O Pai dela foi o único por quem sempre tive um sentimento de amizade, de quem gostei sem disfarces. Se algum dia tive consideração por alguém, com certeza foi por Alex. Mas não vou deixar essa “merdinha” fazer eu me apegar a ela...vou embora daqui e seguir minha vida...sou rica! Quero tudo o que meu dinheiro puder comprar, inclusive as pessoas que me servirão! O mundo me pertence!”

E com esse pensamento, um dia chamou Alex e disse:
- Vou morar sozinha!

Alex tomou um susto!
- Morar sozinha como, Nic?! Você nem completou 16 anos ainda! Não sabe como se cuidar, se proteger dos perigos que correm por aí! Não vou deixar você fazer essa bobagem!

Nic riu com ironia e completou:
- Acho que você não entendeu direito Alex! Eu não estou pedindo sua permissão, estou apenas comunicando que vou morar sozinha! Sei que você é meu tutor e terei que esperar até os 18 anos para assumir de vez minha parte da herança! Mas não sou obrigada a conviver com sua família perfeita e feliz que me dão asco! Não quero mais ouvir criança choramingando no meu ouvido ou adultos idiotas babando em volta dela! Não quero mais ver a cara insossa da sua mulher me olhando como se eu fosse um leão prestes a devorá-la a qualquer momento! Não tenho mais saco de aturar seus papos de como estão os negócios da família ou de que preciso melhorar meu comportamento senão não haverá mais escolas na região onde eu possa estudar, pois pela enésima vez fui expulsa pela Direção! Agora eu decido minha vida! Sou eu que vou decidir onde vou estudar e até quando, com quem vou sair e que horas vou chegar em casa! Não quero mais sua vigília e nem ter que lhe dar satisfações! Gosto de você e nem dos meus Pais eu gostei desse jeito, mas não quero seu olhar de censura sobre mim cada vez que eu quebrar as regras dessa gente imbecil! Sou livre! E à partir de amanhã vou exercitar essa liberdade plenamente e ninguém vai me impedir, nem mesmo você, meu primo!

Alex estava estático! Não conseguia entender como Nic era tão fria e pragmática, chegava a assustar! Lembrou que Nic só teria dinheiro se ele o desse pra ela:
- Se realmente você quiser sair desta casa, te conhecendo como conheço, sei que não vou ter como te impedir, Nic. Mas, você pretende sobreviver como se eu decidir por não te ajudar financeiramente?

Nic olhou firmemente para o primo e deu um sorriso torto, de sarcasmo e confiança...

- Ah, querido Alex! Se você não me mandar todos os meses o dinheiro que eu te pedir, e que é meu por direito, sua vidinha de pequeno burguês se transformará num inferno! Acho que você não iria gostar de receber semanalmente a visita da Assistente Social na sua casa para ver como a infeliz da Nic está sendo tratada. Muito menos ser arguído pelo Juiz sobre possíveis maus tratos denunciados por mim. Além disso, vou fazer dos dias de sua linda esposinha um tormento tão grande, que pode ser que ela resolva dar cabo da própria vida de tanta infelicidade...afinal ela é uma fraca mesmo! Bem, e quanto a Lori?! Ah, eu providenciaria para que ela crescesse neurótica e cheia de medos, pior que a própria Mãe! Coitadinha! E você sabe o quanto sou boa nisso!!!

Alex olhava Nic incrédulo, como se pela primeira vez a estivesse enxergando como de fato ela era...uma menina mesquinha, voluntariosa, prepotente e extremamente má!

- É Nic, parece que agora eu consigo ver como você é de verdade...uma garota cruel na sua essência, que faz maldades com as pessoas pelo simples fato de gostar de ser má! Você é assim, Nic e acho que nunca vai deixar de ser! Faça o que quiser da sua vida! Não vou gastar minha energia com quem não merece e não a quer! Minha família sim precisa de mim e do meu afeto! Pra você eu só desejo que um dia caia em si e veja que não é se comportando desse jeito que vai conseguir ser feliz. Tomara que não se perca nesse mundo! Ele pode ser ainda mais cruel que você!

E assim Nic partiu!

No dia em que Nic se foi da casa de Alex, Sarah ficou tão feliz que decidiu fazer um jantar especial para a família. Sabia que no fundo Alex estava chateado com a situação. Não era forte o suficiente para controlar Nic e se sentia impotente por causa disso...pensava haver fracassado! Se sentia em dívida com seus Tios que haviam sido tão generosos com ele sempre e achava que tinha obrigação de tentar pôr Nic no caminho certo. Mas, infelizmente não sabia como lidar com aquele gênio tão difícil e indomável, ainda mais depois de ver que sua mulher e filha poderiam ser alvos das maldades de Nic. Desistiu!

Alex voltou a se dedicar a sua família e aos seus negócios e de Nic também! Gostava de ser um “Businessman” nato e dizia ter nos gens aquele dom de fazer multiplicar o dinheiro de forma rápida e infalível! Parecia que a desonestidade havia pulado uma geração, pois Alex era a “Ovelha Branca” no meio do rebanho negro dos MacGillian. Não dera continuidade aos desacertos do Tio e não comungava com esse negócio de lavagem de dinheiro ou financiamento de negócios escusos. Tinham dinheiro demais e bastava bem administrar a fortuna que possuíam para terem garantidas as próximas 5 gerações, não precisava querer ser ganancioso demais! E pensando assim, conseguiu quase que dobrar, em dois anos, a herança que passara a administrar quando era ainda quase um menino!

Infalivelmente todos os meses, Alex mandava para Nic dinheiro mais que suficiente para suas despesas e pequenos luxos de qualquer adolescente comum. Tentava saber como ela estava, mas obtinha sempre evasivas e frases sem muita consistência, que diziam toda vez a mesma coisa...”tudo bem, por enquanto”!

Nic morava só em uma casa bastante confortável, que fazia parte de seu patrimônio pessoal. Possuía, várias salas, 4 suites bem espaçosas, uma delas Master, que era a que Nic usava e varanda circundando toda a residência. Tinha lindos jardins e uma piscina enorme! A casa ficava na beira de um lago, onde patos e garças conviviam harmoniosamente, colaborando para o visual tranquilo do lugar. Só que de tranquilo aquela casa não tinha nada! Eram festas até alta madrugada, que sempre acabavam com a reclamação de algum vizinho e o carro da Polícia na porta. Não raramente, alguém era levado até o Departamento de Polícia e, muitas vezes direto ao hospital, por excesso de drogas ou de bebidas. A casa de Nic era considerada pelos Pais e Professores da High School onde ela ainda frequentava as aulas, como um antro de perdição...com orgias regada a muita bebida, droga e sexo sem limites. Por esta razão, passou a ser conhecida na vizinhança como a “Casa do Diabo”!

Nic era temida e ao mesmo tempo popular na escola onde estudava. Para a moçada comportada, Nic era uma Feiticeira do mal, que carregava consigo o poder de seduzir e levar outros jovens como ela para as bandas podres do submundo. Já a turminha do mal a tinha como uma Deusa! A verdadeira personificação dos sonhos de qualquer adolescente um pouco mais chegado aos excessos da “carne”! Tinha dinheiro à vontade, morava só numa casa linda, aos 16 anos já dirigia carros último tipo e conquistava quem queria, ou pelo menos quem não conseguia fugir à tempo! Nic não tinha limites para as suas loucuras...tudo era sentido e realizado em sua intensidade máxima, parecia adorar viver no abismo das emoções...”in the Edge”...como ela mesma gostava de definir!

Sua beleza rara e exótica conferia a ela ainda mais mistério e sedução! Era mais um trunfo que a fazia capaz de atraír fisicamente quem escolhesse como próxima “vítima”. E era exatamente isso que as pessoas que se deixavam atrair por Nic eram...vítimas! Fossem meninos ou meninas, uma coisa era certa, estavam fadados a serem pobres condenados que sofreriam na pele toda sorte de humilhações e desprezo para ter em troca o sexo e um pouco da atenção de Nic.

Muitos, inclusive Alex, apostavam que a vida de Nic seria curta. Que logo ela acabaria sucumbindo por uma overdose, ou numa curva qualquer com seu carro, ou através da ira de alguém jogado fora depois de usado por ela. Mas uma coisa não se podia negar...Nic era muito astuta! Sabia exatamente até onde ir para realizar suas vontades, mas também sabia recuar se percebesse que algo poderia fugir ao seu controle. Uma das coisas que sempre procurou controlar foi o uso de drogas....costumava pensar: “Só os fracos se deixam dominar por uma substância! Eu vou ter sempre controle absoluto sobre meu corpo e minha mente! Se sentir que está ficando pesado, eu caio fora disso! Deixe que esses estúpidos se matem de consumir esses lixos!”

Costumava consumir também àlcool, mas nunca a ponto de perder a razão...tinha que manter o controle sobre tudo sempre...saber exatamente onde estava, com quem e fazendo o que! Só assim ela conseguia dominar sua trupe de desajustados e manter a liderança racional sobre todos! Era isso que a fazia sentir-se bem, ter total domínio sobre aquelas pessoas...fazê-las perceber quem mandava e a quem deveriam obedecer, como servos fiéis...somente a Ela!

Até Nic completar 18 anos, vez ou outra Alex era chamado pela Polícia ou pelo Promotor Público para explicar a falta de controle dele sobre o comportamento de sua tutelada. Nic era a articuladora e principal líder de muitos jovens arruaceiros da região, que por diversas ocasiões provocavam desordem, brigas e acidentes. Alex, com a força de seu dinheiro, sempre conseguiu convencer as autoridades públicas que fazia o possível para manter Nic sob controle e eterna vigilância. O que era uma mentira deslavada! Mas possuia dinheiro suficiente pra contratar os melhores advogados e conseguia, com isso, manter-se afastado do maior estorvo de sua vida...Nic!

Finalmente é chegado o grande dia! 31 de outubro de 1987, Helloween – dia das Bruxas em terras Americanas, o dia em que Nic completou 18 anos e tomou posse do montante de sua herança! À partir daquela data, Alex viu-se desobrigado de qualquer responsabilidade em relação à Nic. Sentia-se muito infeliz com aquela situação, mas não tinha pulso nem forças para intervir de algum modo na vida que Nic decidira levar. Só podia lamentar e pedir aos Céus que Nic algum dia pudesse acertar o próprio passo, antes que fosse tarde demais!

No mesmo dia, estava marcada uma reunião no escritório de seus advogados, onde ele passaria às mãos de Nic, oficialmente, o montante de sua herança, que vinha administrando com toda honestidade desde que ficou incumbido, pelo destino, de tal tarefa. Nic chegou na hora marcada e Alex já a aguardava com a papelada toda pronta e devidamente assinada. Quando a viu entrar na sala, não pode conter uma certa emoção ao revê-la depois de vários meses...”Ela pode ser uma peste, mas ainda gosto muito dessa menina como se fosse minha irmã! Sinto tanto não conviver com ela como gostaria!”...pensou comovido!

Nic aproximou-se do primo e deu-lhe um beijo na face. Ele era a única pessoa pela qual ela conseguia nutrir um sentimento um pouco mais nobre...sentia por ele carinho fraternal e talvez tenha sido o único a tocar um pouquinho que fosse o coração da terrível Nicole MacGillian!

Alex falou primeiro:
- Parabéns pelo seu aniversário Nic! Que essa sua cabecinha crie um pouco de juízo à partir de hoje! Essa é uma data importante não só por você estar fazendo 18 anos, mas principalmente por você poder tomar posse definitivamente de tudo que é seu! A herança que cabia à sua mãe e que agora é sua de vez! Fiquei também muito feliz em saber que você terminou finalmente sua High School, agora só falta escolher uma profissão e partir para a faculdade!

Nic riu da empolgação do primo e nada comentou, apenas balançou a cabeça como que negando suas expectativas.

Um dos advogados tomou a palavra:
- Seu primo foi sempre muito honesto e correto na administração da parte que a cabia. Se eu fosse você continuaria com ele como administrador dos seus bens, pois ele fez um ótimo trabalho nesses últimos anos. A sua fortuna, em valores de hoje, está calculada em quase 50 milhões de Dólares, em imóveis, ações da empresa e investimentos bancários. Tenho certeza que com esta bela soma, você terá a vida que sempre sonhou sem se preocupar com a parte financeira, como a maioria de nós pobres mortais!

Nic sorriu satisfeita com o que vislumbrava em sua mente, olhou para o primo e disse com sua ironia habitual:
- Muito bem, Alex! Você não me decepcionou mesmo! Sabia que podia confiar em você! Você é o único que vale à pena nesta família de desgraçados! Mas fique tranquilo. Sua missão acabou aqui! Quero tomar posse de todo o meu dinheiro! Não quero saber de manter ações nessas empresas ou de imóveis para investimentos...quero tudo transformado em moeda corrente em no máximo três meses! Feito isso, dou o fora dessa cidade e vocês ficarão livres do incômodo chamado Nicole, na vida de vocês!

E olhando para o advogado completou:
- E você Doutorzinho de merda, páre de querer puxar o saco e tentar ser engraçadinho. Faça o seu trabalho, pois você é muito bem pago por ele, com o meu dinheiro e o de Alex! Quero todas as ações e todos os imóveis, fora a casa onde moro, transformados em dinheiro vivo na minha conta corrente em três meses, ouviu bem?! Quero os quase 50 milhões a minha disposição para fazer o que bem entender e trate de providenciar tudo o mais rápido possível, sua corja de patetas é muito bem paga pela gente e tem que mostrar eficiência nessas horas! Se por acaso vocês não conseguirem em três meses transformar meus bens em dinheiro, vou fazer questão de gastar boa parte da minha herança para levar este covil pra bancarrota! Estamos entendidos Doutores?!

E dito isso, levantou-se com sua arrogância habitual e foi em direção à porta...mas antes Alex a alcançou...

- Nic, espere!

Ela virou-se e ele disse...

- Escute! Nesses anos que você decidiu ir morar sozinha, eu deixei você administrar sua vida da maneira que quis! Não me intrometi e acho até que agi muito mal por isso...talvez devesse ter lutado mais pra tentar controlar um pouco você e esse seu gênio maldito! Mas de qualquer modo, eu gosto muito de você, Nic! Não quero que se prejudique, que faça bobagens consigo mesma. Eu realmente me preocupo com você!

Nic olhou o primo e por uma fração de segundos ele pôde notar nos seus olhos que a havia comovido de alguma maneira. Mas tudo foi rápido demais e novamente os olhos adquiriram um ar de frieza...

- Sei que você foi a única pessoa neste mundo que se preocupou de verdade comigo, Alex! Mas você sabe que não sou chegada a essas sentimentalidades! Eu só quero pegar a minha grana e botar o pé no mundo! Eu não pertenço a lugar nenhum e não tenho nada nem ninguém que me prenda aqui! Apenas vou manter a casa daqui porque gosto dela! Só tenho a agradecer mais uma vez você ter sido sempre tão leal comigo, com certeza eu no seu lugar, teria agido diferente, você sabe que não sou boazinha como você!

Antes que Nic se virasse para tentar novamente ir embora, Alex falou:
- Sabe de uma coisa incrível?! Lori até hoje pergunta por você! De vez em quando ela vê alguém na rua ou na TV que lembre seu tipo físico e pergunta...”onde está a Nic? Por que ela não vem nos visitar mais? Eu queria ver a Nic outra vez”...e olha que ela nem tinha três anos completos quando você saiu de nossa casa! Incrível ela ainda se lembrar não é?! Ela está cada dia mais linda, Nic! Parece uma princesa, não só fisicamente, mas tem uma graça, uma alegria, uma delicadeza que...

E antes que Alex terminasse, Nic o interrompeu um pouco incomodada com as lembranças do afeto que aquela criança a fazia sentir:
- Eu tenho certeza que ela será sempre linda e tomara que lhe dê muitas alegrias ainda porque você merece, Alex. Mas espero que ela não fique insôssa e sem graça que nem a Mãe dela! Tenha uma boa vida, meu primo! E que a sorte sempre esteja com você!

E essa foi a última vez que Nic viu o primo Alex com vida!

 

 

CAPÍTULO 2
ANO DE 1999. UM LEGADO PARA NIC!
13 anos depois...

 

O barulho ensurdecedor do telefone vara a madrugada e parece perfurar os tímpanos de Nic!

- Que inferno! Quem será a essa hora?! Só falta ser aquela vadia outra vez atrás de mais pó! Viciada dos infernos!!! Detesto esses malditos viciados que não tem controle sobre a própria vontade! Uns miseráveis!!!

E o telefone voltava a tocar insistentemente...Nic impaciente decidiu atender:

- Alô!

- Srta. Nicole MacGillian, por favor!

Quando alguém a chamava pelo nome completo desse jeito só podia ser cobrador ou a Polícia, mas de madrugada....

- É ela! Quem é?

- Aqui é do Departamento de Polícia de trânsito da cidade de Key West. Encontramos o seu número na agenda do Sr. Alexander MacGillian e como vocês têm o mesmo sobrenome suponho que seja irmã ou parente próxima do Sr. MacGillian...

- Sou prima! Mas o que aconteceu com Alex?

Perguntou já pressentindo a resposta...

- Sinto informá-la, mas o seu primo e a esposa acabaram de falecer num acidente de carro. Precisamos que alguém da família venha fazer o reconhecimento dos corpos e providenciar a liberação dos mesmos, os pertences das....

Nic já não ouvia mais o que dizia o Policial...apenas pensava, atordoada com a notícia...

”Que maldição desta família! Parece que a sina é irmos todos embora cedo e deixar um ou outro sobrevivente pra contar a história, fazer um filho e ir embora em seguida! Logo Alex, que sempre foi a melhor pessoa que já nasceu entre os MacGillian! Meu querido Alex...tenho que fazer alguma coisa...” – de repente assustou-se com seus próprios pensamentos e perguntou apressada para o Policial do outro lado:

- E Lori?! O que aconteceu com Lorena, filha do casal? Ela também estava no carro?

- Só havia o casal no carro, Srta. Nicole! Se realmente a Srta. é próxima da família, pedimos a sua colaboração no sentido de tentar localizar a filha do casal e dar a ela essa triste notícia. Sinto muito!



O enterro do casal foi acompanhado por uma multidão de amigos, vizinhos e pessoas que conheciam e admiravam Alex e Sarah. Nic ficou impressionada com a quantidade de gente que nunca tinha visto na vida a lhe dar condolências. Era a única MacGillian presente no funeral e mesmo à contragosto, tinha que fazer às vezes da única parente que sobrara para Lori; uma vez que a menina ficou tão chocada ao saber da morte dos Pais que teve que ser internada numa clínica, ficando assim, impossibilitada de comparecer ao funeral por razões de saúde.

Naquela madrugada, quando chegou ao necrotério, Nic não levou mais que meia hora pra reconhecer os corpos e cuidar da papelada para libaração e remessa deles diretamente para a funerária. Ter se independido tão cedo fez com que se tornasse muito mais prática que as outras pessoas em geral e esse pragmatismo enraizado em sua personalidade não a deixava perder tempo com o que considerava burocracia estúpida! Isso em ocasiões como aquela, até que era bem vindo. Ato contínuo, Nic começou a tentar localizar Lori, a fim de contar para ela a fatalidade ocorrida com seus Pais.

De posse dos pertences dos mortos, iniciou a procura pelas agendas dos celulares tentando achar o nome de Lori ou de alguém cuja identificação indicasse alguma proximidade maior com ela ou com o casal. Logo conseguiu achar o número do celular de Lori e em seguida de um tal de Mark com o nome de Lori entre parênteses, da seguinte forma: Mark (Lori)...isso significava que o rapaz estava ligado a ela e deveria ser um namorado ou amigo bem próximo. Decidiu por ligar primeiro para aquele número. Por alguma razão que não sabia explicar, pois não costumava se preocupar com esses detalhes, não queria que Lori estivesse só quando recebesse aquela notícia que seria terrível pra ela.

- Alô!

Atendeu uma voz masculina do outro lado...

- É Mark quem está falando? - Peguntou.

- Sim...quem é?
- Meu nome é Nicole MacGillian, sou parente de Lorena e gostaria de sabe o que você é de Lori...

O rapaz parecia surpreso e um pouco confuso, afinal eram mais de 4 horas da manhã...

- Nicole?! A Nic louca, prima do Pai de Lori!!! Eu sou o namorado de Lori! Por que você está me ligando a essa hora? O que aconteceu?!

- Você está com a Lori?

- Não, ela está em casa! Deixei ela lá antes da meia noite porque amanhã vai ter prova de final de semestre na escola e precisava dormir cedo! O que houve afinal?!

O rapaz já estava bastante apreensivo...

- Os Pais dela acabaram de morrer num acidente de carro! Os corpos já estão sendo encaminhados para a funerária do bairro e gostaria que você fosse até Lori e desse essa notícia pra ela! Se precisar de alguma coisa, basta ligar para o meu número que está aparecendo aí no seu identificador de chamadas! Sou eu mesma, a louca da Nic!

Tudo foi dito desse jeito mesmo...num fôlego só, frio, sem emoção e com uma leve ironia implícita nas palavras finais!

Mark demorou a entender o que estava se passando e quando conseguiu concatenar melhor as idéias e ia começar a fazer algumas perguntas sobre o acidente para Nic, esta já havia desligado o telefone. Ele ficou ali, vários minutos parado, tentando entender o que acabara de ouvir e sem saber o que fazer!

Mark agiu da maneira que achou melhor para o momento terrível que Lori teria que enfrentar...ligou para alguns amigos mais chegados de Lori e os convocou para irem juntos à casa dela e contar sobre a tragédia. “Com várias pessoas ao seu lado, talvez amenize um pouco o desespero que certamente ela vai sentir...não sei o que fazer direito! Meu Deus, porque tinha que ser logo eu a dar a notícia! Essa louca da prima dela não podia ter ido lá comigo?!” - Sabia que Lori não tinha outros parentes a não ser os Pais, que estavam mortos, e a tal prima problemática que ela nem lembrava mais como era, pois tinha sumido no mundo quando ainda era bem pequena. Só lhe restava mesmo ele e os amigos mais próximos, que por sinal eram bem poucos...duas amigas da High School e Aline, uma vizinha que era sua amiga de infância.

A cena foi pior que eles imaginavam! Lori quando atendeu a porta e viu toda aquela gente parada olhando pra ela com cara de piedade, já sabia que algo de muito grave havia acontecido com seus Pais, mas nem no pior de seus pesadelos pensaria que estavam mortos!

Gritou...chorou...desesperou-se...perdeu os sentidos....quando acordou estava num quarto de hospital sedada...não sentia direito seu corpo e sua mente não conseguia levar adiante os pensamentos...apagou outra vez!


Lori estava na clínica já há uma semana. Os médicos haviam decidido por uma sonoterapia, que a deixaria mais relaxada e com o corpo melhor preparado para a dura realidade que deveria enfrentar dali em diante....”Estava só!” ...esse era o pensamento mais recorrente que Lori tinha. Nas poucas horas em que ficava acordada e lembrava do ocorrido caía num pranto desesperado pela constatação do que seria dali pra frente...não teria mais a convivência carinhosa dos Pais...não veria mais o rosto bonito e delicado, sempre com um sorriso nos lábios, da Mãe...não teria mais o abraço caloroso e a proteção generosa do Pai...os dias felizes e harmoniosos que aquela família partilhava...o Amor sincero...tudo estava perdido para sempre...estava sozinha!

Após a segunda semana, os médicos foram diminuindo os sedativos e mantendo Lori acordada por mais tempo...começaram, então, a permitir as visitas. Mark e as amigas vinham sempre vê-la, mas Lori estava por demais abatida e parecia nem notar a presença deles...ficava com os olhos parados num ponto qualquer e não dizia nada...apenas chorava!

Mark era um bom rapaz, estava apaixonado por Lori sinceramente. Gostava de seu jeito meigo e delicado, sempre generosa com as pessoas, principalmente com as mais humildes...muitas vezes percebia que ela se sentia envergonhada na presença de pessoas muito pobres...era como se sentisse culpa por ser rica e ter tudo o que eles não podiam ter...adorava fazer trabalho voluntário, principalmente em hospitais e creches, onde se misturava às crianças e podia exercer o que mais gostava de fazer...ser ela mesma! Sem máscaras e sem o rótulo de Princesinha milionária que tanto a incomodava!

Apesar de ser uma adolescente ainda, não era deslumbrada com os flashes como a maioria das meninas de sua idade! As colegas de escola viviam perguntando porque Lori não aproveitava a fortuna da família e virava uma celebridade do mundo VIP. Tinha tudo pra isso! Era bonita, inteligente, milionária, vivia sendo convidada para as festas mais glamourosas da cidade e, além disso, tinha um carisma que a todos conquistava, bastava sorrir! Era um sorriso tímido e delicado, que a tornava extremamente sensual involuntariamente! Lori era muito bonita e não adiantava querer esconder ou negar isso. Atraía as pessoas sem querer e muitas vezes ficava incomodada com isso. Tinha uma beleza difícil de camuflar, os cabelos eram claros e avermelhados, a pele parecia um floco de neve de tão clara e delicada, era dona de um par de olhos tão lindos que dificilmente alguém que os fitasse, conseguia desviar a atenção em seguida...verdes-claro, amendoados, moldurados por cílios espessos da cor dos cabelos com sobrancelhas como se fossem desenhadas à lápis de cor! Era realmente uma moça de beleza incomum!

Lori não gostava de ser bonita assim, achava que as pessoas não enxergavam o que ela realmente era...só viam a casca...ficavam tão impressionadas com o exterior, que não percebiam o que ía além da embalagem.

Lori era tímida e introspectiva, por isso tinha poucos amigos, apesar de ser bastante popular na escola e na vizinhança. Não permitia que muitas pessoas se aproximassem o suficiente a fim de partillharem da sua intimidade. Era sempre simpática e gentil com todos, mas mantinha-se distante, bloqueava as tentativas de maior aproximação. Os poucos que haviam conseguido furar essa rocha atrás da qual Lori se escondia eram as colegas da escola, Suzy e Karen, bem como sua amiga de infância Aline...e claro, seu primeiro e único namorado até hoje, Mark!

Conhecera Mark há dois anos numa festa na casa de uma amiga...achou ele lindo e quis saber mais sobre o menino que não parava de olhar pra ela, fascinado! Começaram o romance naquele dia mesmo e, depois de um tempo, foi com Mark que ela decidiu que já era hora de começar sua vida sexual. Gostava dele, sabia que ele também a amava e achou que ele era o parceiro perfeito pra começar a ser mulher! A primeira vez foi meio sem jeito, doeu bastante e Lori não sentiu prazer...mas com o tempo, Mark foi sendo mais atencioso com o corpo de Lori e com suas reações, afinal ele também ainda era um garoto, só dois anos mais velho que ela. Por sua vez Lori também foi aprendendo a se soltar e deixar que eles descobrissem juntos o que lhe dava prazer. Tinham uma vida sexual ativa já há alguns meses, mas ainda não podia dizer que era plenamente satisfatória...às vezes gostava, outras não...nem sempre chegava ao orgasmo com ele. Nessas horas pensava: “Deve ser assim mesmo! Nem sempre a gente sente prazer na transa! O importante é gostar de quem está com a gente e Mark é sempre carinhoso comigo! Eu adoro ele!”

Engraçado como alguns sentimentos são tão vulneráveis e mostram essa faceta em momentos decisivos. Em sua imensa dor, Lori não pensava e nem queria ninguém por perto, nem mesmo o namorado, e não sentia consolo com a sua presença. Apenas queria expurgar sozinha sua dor e chorar tudo até que secassem as lágrimas!



Desde que assumira sua herança e tomou posse quase 50 milhões de Dólares em dinheiro, Nic cometeu toda sorte de excessos que aquela fortuna e sua personalidade desviada permitiram! Ao longo daqueles 13 anos havia, quase que literalmente, feito evaporar...escorrer pelas mãos...torrar...incinerar...48 milhões de Dólares! Era algo difícil de se acreditar! Incrível como uma pessoa só havia conseguido, num espaço não tão extenso de tempo, destruir um patrimônio como aquele, construido ao longo de várias gerações! Parte do dinheiro foi gasto com extravagâncias que promovia ao longo do mundo! Viajou e conheceu mais de 100 Países diferentes, sempre carregando atrás de si um séquito de vítimas para realizar suas fantasias mais sórdidas! Promovia festas que duravam, muitas vezes, dias seguidos, regadas às bebidas e comidas mais caras encontradas no local em que estivesse...milhares de dólares eram gastos com drogas sem limite para os que quisessem e, por muitas vezes, fianças caríssimas eram pagas para livrar aqueles que se deixavam pegar, impedindo-os de comprometê-la diante da Lei! Comprou Iates, nos quais viajou mundo a fora e onde fazia orgias cheias de gente pagas para servi-la e agradá-la, modelos que recebiam cachês milionários para servirem de capacho aos desejos de Nic! Tinha um Jatinho que, não raramente, a levava até o Oriente apenas para adquirir o Ópio mais puro, dificilmente encontrado nos dias de hoje em outras partes do mundo!

Mas disso tudo, o que verdadeiramente consumiu sua fortuna foram as despesas com escritórios de advocacia e indenizações às vítimas, em diversas partes do mundo, que consumia rios de dinheiro, a fim de livrá-la de anos de prisão! O último e fatal golpe na sua vida financeira, que levou os últiimos milhões remanescentes de sua herança, foi dado pelo fisco americano. Implacáveis eles entraram com um processo contra Nic por anos de sonegação e fraude contra o Imposto de Renda, que fulminou suas reservas financeiras e a levou a ter que raspar suas contas para não ir pra cadeia.

Nic não teve outra alternativa. Ou pagava e ficava sem um tostão, ou passava os próximos 8 anos na prisão...o que para ela, seria o mesmo que a morte!

Nic considerava ter tido sempre bastante sorte, além de muito dinheiro, que a tinham livrado, por diversas vezes, da cadeia, tanto em solo Americano, como em outras partes do mundo. Por conta de suas insanidades, se viu muitas vezes em situações muito próximas a passar bons anos encarcerada. Problemas como, overdose em pessoas que estavam em suas festas...brigas, onde alguns saíam seriamente machucados...acidentes causados pelos seus convidados... e até mesmo um suicídio mal explicado, quando um rapaz se atirou da varanda do hotel onde estavam, em Barcelona, durante uma festa... levaram Nic aos Tribunais por várias vezes...mas seu dinheiro sempre pôde pagar a melhor defesa ou as mais polpudas indenizações para calar suas vítimas, o que acabava por inocentá-la de qualquer culpa nos infortúnios.

Nic estava quebrada, como se costuma dizer. Não tinha mais dinheiro para suas excentricidades e o único bem que lhe sobrara, tinha sido a casa da Florida. A verdade é que se vendesse aquela casa, conseguiria pelo menos mais uns 2 milhões de Dólares...mas quanto tempo mais duraria este dinheiro se ela continuasse no mesmo ritmo alucinado em que vivia?! Era louca, mas não era burra! Gostava daquela casa, do lugar e não ia se desfazer dela! Tinha que encontrar uma maneira de manter a si mesma e a casa. Sempre achou que fosse viver pouco...talvez pelas tragédias que sempre acompanharam aquela família, julgou que logo seria a escolhida da vez! Não imaginou passar dos 30 anos como se via agora! Pensou que toda aquela fortuna sobreviveria a ela e as suas loucuras! “Só que o destino foi mais cruel que eu mesma e levou o bondoso Alex no meu lugar! Acho que se tem alguém que mexe os pauzinhos e manipula os fantoches que somos, esse alguém se enganou feio com o alvo e acertou o MacGillian errado! Eu que levei a vida toda no limite, arriscando e debochando de todos os perigos é que deveria ter ido ao invés de Alex! Nunca tive medo da morte mesmo! Ele tinha uma vida toda certinha, tinha seus negócios, sua família, Lori...não poderia ter ido desse jeito estúpido! Eu não tenho nada! Definitivamente não entendo como essas coisas acontecem...sempre flertei com a morte e ela vive fugindo de mim!”

Naquela madrugada, quando o telefone tocou e Nic teve notícia da tragédia acontecida com Alex, tinha voltado a morar na sua casa na Florida há apenas alguns meses...ainda tinha uns poucos milhares de dólares que se acabariam logo. As despesas com a casa eram enormes...seguro, impostos, taxas...sabia que não conseguiria por muito mais tempo. Então entrou em contato com alguns velhos conhecidos do submundo e começou a realizar pequenas trapaças que lhe garantiam algum dinheiro....eram transações ilegais com cartões de crédito clonados, falsificação de documentos que lhe permitiam pegar empréstimos bancários em nome alheio e outros pequenos golpes. “Quem sabe, um dia dou o grande golpe e fico rica novamente!” – Costumava pensar. Só que no fundo tinha medo de ser pega pela Polícia, afinal não tinha mais dinheiro para se livrar dos Tiras...seu último recurso era a casa!



Já haviam se passado duas semanas do enterro de Alex e da mulher. Nic tinha voltado pra sua rotina e para seus próprios problemas. Não havia dado um telefonema sequer para saber da filha de Alex! Tomou conhecimento que ela havia sido internada em choque quando soube da notícia, mas não queria ficar ouvindo lamúrias de criança! Não tinha a menor paciência pra isso! Mas involuntáriamente, pegava-se vez ou outra pensando em como estaria Lori. Não havia outros parentes e ela agora estava por sua própria conta, mas a verdade é que Lori era menor de idade ainda e não podia tomar a administração dos negócios do Pai por si mesma. “Com certeza Alex providenciou para que alguém ficasse encarregado disso caso algo acontecesse com ele, como aconteceu. Ele sempre foi um cara previdente e não deixaria a filha desemparada num situação como essa! Eu bem que precisava meter a mão numa grana preta como a que ficou pra Lori! Tô quebrada! Mas não quero mais confusão ainda pra minha vida!”. E mais uma vez desviava a atenção para seus próprios problemas – “Que se danasse aquela pirralha! Não tinha que perder tempo pensando se ela estava bem ou não! Já tenho que me safar de uma montanha de problemas, não vou arrumar mais um e ficar servindo de pinico pras lágrimas de uma garota que mal conheço! Com a grana que ela herdou, deve ter um bando de puxa-sacos pra fazer isso!”

Estava com seus pensamentos, quando o telefone toca:
- Srta. Nicole MacGillian, por favor...
- É ela!
- Aqui é do Escritório de Advocacia encarregado do Inventário e da abertura dos testamentos deixados por seu primo Alexander e a esposa dele, Sarah MacGillian. Gostaria de informá-la que a Srta. foi citada em um dos testamentos e deverá comparecer na próxima segunda- feira, às 14:00 h. para abertura e conhecimento do último desejo de seus parentes mortos. Anote o endereço, por favor...

Nic não podia acreditar! Alex deixara alguma coisa pra ela! Estava radiante!

“Alex sempre gostou de mim e era muito generoso! Ele deve ter deixado algum imóvel valioso ou quem sabe uma boa grana pra mim! Quem diria, hein?! Eu aqui preocupada com a minha falência...aplicando uns golpezinhos aqui outros ali pra me safar e, de repente, a surpresa! Pode ser até que tenha ficado rica de novo, afinal a fortuna de Alex deve estar em uns 80 milhões de dólares!”

E passou o final de semana radiante com a possibilidade de novamente poder gastar à vontade...sem pensar no amanhã. Decidiu comemorar com sua última vítima...Moly, uma modelo fotográfica, viciada em cocaína, que lambia o chão que Nic passava...literalmente! Uma das coisas que Nic mais gostava era ver aquela mulher linda e poderosa no mundo Fashion, se arrastando pelo chão de sua sala, lambendo as marcas dos pés que Nic ia deixando à medida que andava pelo ambiente...depois permitia que Moly lhe lambesse os dedos dos pés e viesse se arrastando pelas suas pernas,como uma cadelinha, suplicando por mais pó e pelo sexo, que sabia ser selvagem e muito violento! Era assim que Nic saciava seu prazer sádico e Moly seu masoquismo doentio!

Aquilo não era exatamente o que se podia chamar de relação, mas Moly era a pessoa com quem Nic mais frequentemente se relacionava nos últimos meses. No entanto, Nic não tinha nem um pingo de carinho por aquela mulher e muitas vezes, no meio da noite, enxotava a modelo de sua casa, como se fosse um rato pestilento! Bastava irritar-se com qualquer coisa que ela fazia ou deixasse de fazer...e isso não era nada difícil, se tratando de Nic!

Na segunta-feira, 10 minutos antes do horário marcado, Nic já estava na sala do Advogado que a havia convocado para a reunião, esperando a chegada de Lori. Os testamentos estavam cerrados e por vontade dos mortos, só poderiam ser abertos na frente das duas beneficiárias, mencionadas no Termo registrado em Cartório...Nic e Lori!
15 minutos depois, a jovem entra na sala sozinha... Mark havia acompanhado ela até o escritório, mas foi obrigado a ficar na ante-sala, pois o testamento só poderia ser aberto na presença das duas mulheres, de duas testemunhas e dos advogados autorizados a realizar a abertura e leitura do documento.

Lorena entrou no escritório triste, de cabeça baixa, completamente abatida pelos acontecimentos...apesar de já terem passados 20 dias da tragédia, ainda a sentia como se tivesse acabado de acontecer! Olhou para Nic e por uns 10 segundos, que pareceram se eternizar, ficou estática fitando aquela mulher que era sua única parente viva!

“Ela não mudou nada! Continua tão linda como da última vez que lembro tê-la visto! As poucas fotos que tenho dela, não fazem jus à sua beleza ao vivo! Pena que tenha tanto ressentimento, sabe-se lá de que ou de quem, nesse coração de pedra!” – Pensou.

Quando Nic viu Lori entrar pela porta daquela sala, não imaginou o impacto que sentiria e o aperto estranho que tomou conta do seu peito. “Nossa, como Lori ficou linda!!! Parece até irreal! E que fragilidade ela aparenta!” – foi sua primeira impressão da prima. Não tinha idéia de como aquela menininha frágil e tão delicada da qual tinha vaga lembrança, podia ter se transformado numa jovem tão bela que nem parecia deste mundo! Percebeu que estava extremamente sensibilizada pelo ocorrido com os Pais, então resolveu levantar-se e cumprimentar Lori com um aperto de mão...atitude rara vinda de Nic!

- Olá Lorena! Desculpe não ter procurado por você durante esses dias, mas achei melhor você ficar aos cuidados das pessoas com as quais você está acostumada...afinal, mal nos conhecemos, não é mesmo?! Você está melhor?

Lori devolveu o cumprimento e respondeu...

- Na medida do possível vou indo...já que jamais vou me recuperar totalmente desta dor! Mesmo assim, agradeço por perguntar...

O advogado indicou uma cadeira para que Lori se sentasse e iniciou as formalidades para a abertura dos Testamentos...

- Presentes as partes indicadas nos Testamentos de Sarah e Alexander MacGillian, presentes as testemunhas e os advogados indicados para assisti-las, passaremos ato contínuo a abrir e ler os documentos que se encontram devidamente cerrados.

O Advogado então pegou duas pastas que se encontravam lacradas, as abriu e começou a ler seu conteúdo, de pé e em alto som, enquanto um tabelião juramentado tomava a Termo tudo o que se passava.

- Primeiro, abro o Testamento da Sra. Sarah MacGillian, cujo conteúdo diz: “Em perfeitas condições fisicas e mentais, é de minha última vontade que, em minha morte, todos os meus bens sejam repassados para minha filha Lorena MacGillian e que meu marido e Pai de minha filha, seja o tutor até que a maioridade a permita dispor plenamente de seus bens.”

“Bem, até aí nada! Fica tudo na mesma! Também o que eu poderia esperar da palerma da Sarah! Ela jamais ia me beneficiar no testamento dela!” – Pensou Nic impaciente.

- Agora abro e passo a ler o Testamento do Sr. Alexander MacGillian: “ Em uso e gozo perfeitos de minha saúde física e mental, desejo neste ato, que em minha morte, todos os meus bens, móveis, imóveis, ações, investimentos e as empresas do Conglomerado MacGillian, passem a ser propriedade imediata de minha única filha Lorena MacGillian. Desejo que, até ela completar 21 anos, seus bens sejam administrados pelo grupo de Administradores profissionais da empresa “International Investiments Co.”, que se encarregarão de pagar e administrar todas as suas contas e despesas, deixando disponível para seu livre uso a quantia de US$ 350.000 anuais, rateados e depositados mensalmente em sua conta corrente...”

Antes que o advogado continuasse a leitura, Nic se levantou e falou irritada:

- Não sei porque diabos vocês me chamaram aqui! Que palhaçada é essa! Não tem nada nesses testamentos pra mim ou que mencione o meu nome! Vou embora dessa droga de lugar! Detesto perder tempo com inutilidades!

E já estava se encaminhando para a porta, sob os olhares atônitos dos presentes, quando o advogado que lia o documento a interrompeu...

- Srta. Nicole, espere um momento! Ainda não acabei de ler o Testamento de seu primo e há uma menção ao seu nome aqui sim! Espere um minuto, por favor! Já estamos terminando!

Nic voltou impaciente e ficou esperando, de pé, ao lado da porta de saída.

- Bem, continuando com a leitura: “...é de minha última vontade que, se eu e minha esposa morrermos e nossa filha Lorena ficar sozinha e ainda for menor de idade, que minha prima, Nicole MacGillian, passe a ser sua tutora legal, para auxiliá-la na administração e manutenção da casa onde for morar, bem como para orientá-la e por ela ser responsável em todos os atos da vida civil, até que ela complete 21 anos. Como forma de recompensar Nicole pelo seu trabalho, esta receberá anualmente a quantia de 150.000 dólares, rateados e depositados mensalmente em sua conta corrente, por cada ano em que for Tutora de Lorena. No final do período de Tutela, quando Lorena completar 21 anos, se Nicole houver cumprido satisfatoriamente seu trabalho, através da avaliação do Juiz responsável pela fiscalização desta tutela, ela receberá como bônus o adicional de 3 milhões de dólares, pelos serviços prestados. Desejo, ainda, que a tutela delegada à Nicole MacGillian só venha a ter validade e seja observada pelo Juiz, através do convívio diário entre Tutora e Tutelada, sendo necessário que morem na mesma residência. As cláusulas extras relativas a tutela e responsabilidades da Tutora serão determinadas e fiscalizadas mensalmente pelo Juiz Tutelar. Caso alguma dessas cláusulas seja desobedecida pela Tutora ou haja qualquer tipo de maus tratos à Tutelada, desejo que imediatamente seja a Tutela suspensa e todos os benefícios à Tutora prontamente cassados, passando à cargo do Juiz Tutelar o prosseguimento do legado. E esta é minha última vontade que quero ver cumprida na sua integridade. Alexander MacGillian.”

Nic havia se sentado novamente no meio da leitura! Estava de boca aberta com o que acabara de ouvir da boca daquele advogado!

“Não é possível! O Alex não podia ser tão doido assim! Onde ele estava com a cabeça pra confiar a criação da única filha a mim!? Justamente eu que nunca soube cuidar nem de mim mesma! Ele só podia estar desequilibrado mentalmente quando fez este testamento! Não pode ser verdade! Não consigo acreditar! Eu, tendo que cuidar de uma adolescente de 16 anos que mal conheço! Não tô me sentindo bem!”

Fez um sinal e pediu um copo de água bem gelada! Estava quase em choque! Pela primeira vez na vida se via numa situação onde não tinha a menor idéia do que fazer, de como agir, não tinha controle nenhum sobre a situação! E isso a deixava muito irritada e insegura ao mesmo tempo! Olhou pra Lori, tentando adivinhar o que se passava na cabeça daquela menina, mas parecia que Lori estava em outro mundo...seus olhos estavam fixos no vazio e ela parecia uma estátua de mármore! Não deixava transparecer emoção alguma!

De repente Lori se virou para o advogado e perguntou:
- Acabou?
- Ainda não Senhorita! Amanhã, às 15:00 h. vocês duas terão que comparecer na Corte Estadual, perante o Juiz Tutelar, que determinará as regras adicionais para o cumprimento e início da Tutela. Nenhuma das partes pode faltar, principalmente a Tutora, sob pena de ser presa!

Disse isso virando-se para Nic com um olhar irônico de vitória!

Nic não teve vontade de devolver a ironia...estava ainda abalada por aquele testamento! Não conseguia entender porque Alex havia confiado a ela a tutela de sua filha. Logo ela que sempre foi considerada uma desajustada, uma marginal, um perigo para os outros jovens! “O que Alex tinha em mente quando pensou nessa loucura!”

Lori, por sua vez, não estava preocupada com os detalhes do testamento. Não lhe importava quem seria seu Tutor, um advogado, um Juiz ou a louca da prima Nic! A pior coisa que podia lhe acontecer, já havia acontecido e nada mais a afetaria dali em diante!

 

 

Continua...