Ainda estava muito escuro quando ela acordou de repente. A lua brilhava e iluminava sua cabine através da janela ao lado da sua cama. Ela se sentiu muito enjoada e correu para alcançar um balde e vomitar pela primeira vez em anos. Ela amaldiçoou as ondas que movimentavam o barco, limpou a boca e se levantou se apoiando na mesa. Pegou seu casaco e espiou através da janela da porta antes de sair para o convés sentindo a brisa do mar no seu cabelo longo e negro. Caminhou até a frente do navio e olhou para frente, para o mar longo e negro que eles iriam atravessar, olhou para baixo e sentiu algumas gotas salpicarem no seu rosto.

"Eu vou pular? Eu tenho coragem para pular, assim como eu faço no sonho?" - ela pensou olhando para baixo olhando a popa do navio cortar caminho pelas ondas.

-Não consegue dormir de novo?- perguntou uma voz atrás dela. Ela não conteve o sorriso e se virou para ver Annabell dando um laço na corda do roupão.

-Uma capitã deve estar sempre disposta a prezar pelo em estar de sua tripulação, dia e noite.- ela sorriu.

-Simitry, você teve aquele sonho novamente?- perguntou Annabell se aproximando de Simitry.

Simitry respirou fundo e olhou para o infinito mar na frente do seu navio. Annabell ficou ao seu lado olhando para ela pelo canto do olho.

-Você deveria tentar olhar para as estrelas.

-Eu faço isso às vezes, elas que podem nos dizer pra onde estamos indo e onde estamos.

-Não é olhar por obrigação, não com um olhar crítico. Apenas...- Annabell fez uma breve pausa como quem escolhe bem as palavras que vai utilizar - Olhar sabe? Faz você pensar sobre tudo e ao mesmo tempo sobre nada. Você admira a beleza delas e sua cabeça vai esvaziando.

-Esvaziar a cabeça?- perguntou Simitry olhando para ela com um olhar ao mesmo tempo curioso e irônico.

-É. Esvaziar tudo... Todos os pensamentos ruins ou qualquer outra coisa que possa estar te perturbando.- respondeu Annabell olhando para baixo.

-Obrigada...Por estar aqui comigo.

Annabell abraçou Simitry e elas olharam para as estrelas por um tempo.

-Vamos.- falou Annabell abraçando a cintura de Simitry e a conduzindo pelo convés de volta a cabine.

-Você vai me por na cama?-perguntou Simitry sorrindo.

-Você é como uma criancinha, e eu sou como... Sou como a adulta disso tudo.

Simitry sorriu enquanto Annabell a fazia deitar na cama.

-Não vou sair até que você esteja roncando.- falou Annabell acariciando o cabelo de Simitry.

-Hei - falou Simitry sem abrir seus olhos direito - Eu não ronco.

-É claro que não.

Simitry tentou falar, mas sentiu que seus olhos estavam muito pesados e as ondas do mar estavam confortavelmente ninando ela.

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Simitry acordou com um sorriso que devagar foi morrendo quando ela não mais sentiu seu cabelo sendo acariciado e não viu Annabell perto de sua cama. Ela se levantou, lavou seu rosto e saiu da cabine. Era uma manhã muito ensolarada, tão ensolarada que Simitry desejou não ter limpado tão bem as velas do navio, o sol refletia nelas e quase cegava quem as olhasse. Ela bateu na porta da cabine de Annabell, mas não obteve resposta.

-Onde esta Annabell?- perguntou Simitry a um homem negro forte que estava amarrando algumas cordas.

-Ah bom dia capitã!-sorriu o homem.

-Bom dia Broctus.

-Annabell esta lá na cozinha com Plumbs discutindo sobre alguma coisa. O café da manhã eu acho.- falou Broctus agarrando um par de cordas particularmente grossas.

-Obrigada Broctus, quanto tempo até chegarmos a terra?

-Não vai demorar muito eu acho. Nós navegamos muito enquanto você dormia a noite.

-Então quer dizer que vocês navegaram um pouco durante a noite?

-Sim capitã.

-Então eu acho que vocês fizeram uma pequena pausa então.

-Bem...

-Por que quando eu acordei no meio da noite eu não vi nenhum marujo.- sorriu Simitry enquanto as cordas que Broctus segurava escorregaram de sua mão e qual fez uma das velas cair em cima de outro pirata.

-Desculpa Tamp! Essas cordas são bem escorregadias às vezes. - falou Broctus ao pirata - Bom como eu disse capitão, navegamos um pouco enquanto você dormia como uma pedra.

Simitry riu e deu umas tapinhas nas costas de Broctus.

-Broctus você é forte como um touro, sábio como uma coruja. É provavelmente um dos melhores piratas que eu tenho a bordo. Você sabe que eu confiaria minha vida a você. - falou Simitry a um sorridente Broctus - Mas você não consegue mentir, nunca conseguiu. Então se vocês não navegaram durante a noite, é melhor você ter certeza que vocês naveguem muito agora pra que cheguemos à terra a tempo. Tudo isso é claro torcendo para que o vento esteja a nosso favor como estava ontem á noite.

-Sim capitã!- falou Broctus dando nó em outra corda.

Simitry caminhou para longe dele sorrindo. Broctus era um homem bom, ela o havia salvo de um Conde nas terras ao norte onde ele era mantido como escravo. Quando a tripulação de Simitry atacou o castelo do Conde eles acharam Broctus dentro de um porão quase a beira da morte após ser espancado pelo seu velho mestre (por ter derramado água em seus tapetes indianos, depois ficou-se sabendo). Quando os homens de Simitry chegaram perto, ele atacou com tanta fúria e força que impressionaram Simitry e ela sabia que precisaria daquele homem na sua tripulação. Ela conversou com ele até que se acalmasse e o trouxe para dentro do navio onde suas feridas tiveram cuidados. Desde aquele dia ele e Simitry tinham uma ligação especial e Broctus era provavelmente o pirata mais forte que ela tinha. Ele era um bom homem com um enorme coração. Simitry tomou as escadas que levavam a cozinha, onde encontrou Annabell e Plumbs discutindo sobre o café da manha como sempre.

-Annabell?- chamou Simitry.

-Estou aqui!- falou Annabell com uma voz irritada.

-Bom dia Plumbs. - falou Simitry esfregando a barriga - Estou com tanta fome...

-O café da manhã vai sair em um minuto capitã!- falou Plumbs dando um olhar para Annabell que estava prestes a falar alguma coisa quando Simitry a interrompeu:

-Annabell eu preciso falar com você lá fora por um momento.

Annabell deu um olhar muito feio para Plumbs enquanto ela foi para fora atrás de Simitry.

-Eu juro que ás vezes eu podia...- falou Annabell fazendo um movimento com as mãos como se ela tivesse esganando uma garganta imaginaria.

-Ah esqueça o Plumbs e o café da manhã por agora.

-Mas eu achei que você estava com fome.

-Foi apenas uma desculpa pra botar Plumbs para trabalhar e tirar você da cozinha.

-Ah... O que você queria então?

-Tanta coisa...- suspirou Simitry - Mas por agora eu me contento se você me fizer um favor.

-Claro! Qualquer coisa.- sorriu Annabell.

-Eu preciso que você vá no primeiro barco falar com o Conde por mim

-Mas porque? Não é Kay quem faz isso sempre?

-Bom...- Simitry indicou sua cabine para Annabell. As duas entraram e a pirata fechou a porta.

-Acontece o seguinte: segundo informações que recebi, nesta ilha pra qual estamos indo se encontra uma bússola. –explicou Simitry olhando séria para Annabell - Mas não uma qualquer, mas a chamada Bússola Maldita. De acordo com a lenda ela mostra o caminho para uma ilha maldita, onde habitam...

-Deixa eu adivinhar, seres malditos, coisas malditas, tudo maldito...- continuou Annabell.

-Exato! Então você está familiar com a lenda?- perguntou Simitry surpresa.

-Não, é só... Ahn... Continue.

-Bom, então. Na ilha tem um tesouro, e quando eu falo tesouro eu quero dizer muito, muito ouro, rubi, prata, diamantes, enfim... Imagine o que faríamos com tanto tesouro assim!

-Nossa, eu não posso nem imaginar.- falou Annabell abafando seu riso com a excitação de Simitry - Mas e o tesouro? Também não é maldito?

-Incrivelmente não. A única coisa na Ilha que não é maldito é o tesouro, não é mesmo uma sorte?- perguntou Simitry com um sorriso enorme no rosto.

-Se é! Mas o que você quer que eu faça?

-Ah é bem simples, você vai pra ilha, conversa com o tal conde e tenta convencer ele a me emprestar a bússola.

-Assim... Fácil?- perguntou Annabell desconfiada.

-Não deve ser muito difícil depois que você citar que esta representando Simitry, a Rainha dos Piratas. Geralmente eles fazem nas calças ao escutar meu nome.- sorriu Simitry pomposa.

-Nossa, você causa cada reação nas pessoas.- riu Annabell.

-Ei, é um trunfo ok? Mas eu acredito na sua habilidade como diplomata.

-E o Kay? Não é ele geralmente que faz isso?

-Sim, normalmente eu mandaria Kay para fazer isso, mas dessa vez eu preciso que você faça isso por mim.

-Bom, claro Simitry. Mas por que?

-Bem...- começou Simitry olhando pela janela de sua cabine - Considere isso como uma promoção. Você agora tem novas responsabilidades e direitos no navio.

-Entendo... Obrigada Simitry.- sorriu Annabell a abraçando.

-Ah de nada querida e não se preocupe, eu terei Broctus indo com você.- falou Simitry beijando o topo da cabeça da loirinha.

-Broctus?-

-Sim, pra te ajudar com o que você possa precisar.- falou Simitry consultando o mapa em sua escrivaninha.

-Claro... Se você acha prudente...

-Olha Annabell, eu realmente quero tomar todas as precauções possíveis para essa missão ter sucesso. Eu não iria apenas te jogar lá sem instruções ou nada.

-Mas Simitry se você quer tanto que essa missão seja um sucesso por que você não manda Kay? Quero dizer é assim que você normalmente faz, e ele tem experiência no assunto...

-Porque eu acho que você é a mulher para essa missão.- sorriu Simitry olhando para ela. – E eu confio em você e eu sei que você não vai me decepcionar.

Annabell sorriu e deixou a cabine.

-Oi Annabell.- falou Broctus indo na direção dela.

-Oi Broctus- falou Annabell sorrindo.

-Tava falando com a capitã?

-É eu tava, por que?

-Eu só queria dizer a capitã que a gente vai chegar em terra em uma ou duas horas, os ventos ajudaram e...

-Pe... Pe.. Pera um minuto! Mas eu achava que a gente só ia chegar em terra a noite e só iríamos descer pela manhã.

-Bom a capitã mandou a gente navegar a noite, ela quer chegar lá o mais rápido possível. Eu pensava que você sabia...

-E eu achando que tinha recebido a grande notícia...

Broctus olhou para ela confuso

-Bom – Annabell pensou antes de continuar - eu não acho que vai fazer mal nenhum te contar isso, já que Simitry confia tanto em você...

Broctus abriu bem seus olhos como se precisasse deles para ouvir melhor o que Annabell estava prestes a lhe contar.

-Simitry me pediu para ser a representante no barco que sai primeiro a terra.- falou Annabell mantendo a voz baixa.

-Mas eu achava...- começou Broctus, mas Annabell fez um gesto com a mão para ele abaixar a voz- Eu achava que Kay fazia isso. – terminou Broctus com a voz baixa.

-É, eu também, mas ela quer que eu vá no lugar dele.

-Mas...- Broctus pensou sobre o que ia dizer.

-"Por que?"- falou Annabell percebendo que ele estava hesitando.

-Bom... É. - ele falou perturbado.

-Eu perguntei a ela, mas... Ela não quis me dizer.

-E o que ela falou pra você?

-Pra encarar como uma promoção.

-Bom... Talvez ela realmente queira te promover Annabell. Quero dizer, ser representante da capitã é bem melhor que ser um marinheiro comum, existem alguns privilégios eu acho.

-É... Eu acho. De qualquer forma eu vou indo me aprontar, o que uma representante de capitã deve vestir afinal?

Annabell saiu andando e falando com ela mesma sobre o que ela deveria vestir, estava tão concentrada no assunto que já havia caminhado metade do deck antes de se dar conta de que sua cabine ficava ao lado da de Simitry. Ela correu até sua cabine e começou a procurar por suas roupas algo que seria próprio para ocasião.

Broctus bateu na porta de Simitry.

-Entre Broctus.- falou Simitry.

-Como você sabia que era eu? – perguntou Broctus entrando.

-Bom, eu ouvi você e Annabell conversando lá fora.

-Ah...

-Alguma novidade para mim?

-Ay! Logo chegaremos em terra! Uma ou duas horas no máximo. – falou Broctus orgulhoso.

Simitry sorriu.

-Muito bem! Eu suponho que Annabell já sabe sobre isso?

-Sim, ela sabe.

-Onde ela está Broc?

-Ela está em sua cabine se aprontando para desembarcar.

-Obrigada Broctus.- falou Simitry enquanto Broctus pegava sua deixa para sair da cabine. Simitry observou ele sair de sua cabine e então trancou a porta. Ela então abriu a passagem secreta para a cabine de Annabell e sorrateiramente foi entrando. Ela observou Annabell tirar sua roupa e colocar um vestido. Annabell se olhou no espelho e não pareceu gostar de sua aparência.

-Eu gostava mais da primeira roupa.- falou Simitry saindo de trás da pintura pendurada na parede. Annabell se assustou antes de se dar conta que era Simitry que estava em sua cabine.

-Você devia parar de fazer isso. – falou Annabell com a mão no peito.

-Desculpa, eu não queria te assustar. – falou Simitry se aproximando de Annabell.

-Tudo bem. – falou Annabell olhando para sua imagem no espelho -Eu lembro da primeira vez que usei esse vestido. Eu estava triste e entediada, prestes a me casar com um homem que eu não amava, para uma vida que eu não queria para mim.

Annabell olhou para Simitry antes de continuar.

-Quando um navio pirata chegou no porto e mudou minha vida.- ela sorriu e Simitry também. Annabell começou a tirar o vestido.

-O que você ta fazendo?- perguntou Simitry.

-Tirando o vestido.

-Mas por que?

-Porque você não gostou dele.- sorriu Annabell. -Eu acho que você está certa – ela falou olhando para Simitry através do espelho – Essa cor nem me favorece. Mas dava pra você me ajudar com os botões atrás?

Simitry ficou em pé atrás de Annabell e começou a desabotoar vagarosamente os botões.

-Você realmente acha que fico bonita nessa roupa de pirata Simitry?- perguntou Annabell olhando para seus reflexos no espelho.

-Sim eu acho Annabell. – respondeu Simitry abrindo os botões.

-Bonita o bastante para alguém me desejar?- perguntou Annabell olhando para seus reflexos.

-Bonita o bastante para qualquer um te desejar.- respondeu Simitry segurando a cintura de Annabell para ajudar a abrir os botões.

Annabell tentou olhar nos olhos de Simitry, mas ela pareceu muito concentrada nos malditos botões. Elas ouviram uma batida na porta.

-Annabell você esta pronta? – perguntou Broctus - O barco e já tá pronto. Então vai partir assim que você estiver pronta.

-Quase lá. – falou Annabell.

-Então... Nervosa?- perguntou Simitry enquanto Annabell se vestia rapidamente.

-Porque estaria? Porque eu vou para uma terra estranha, falar com um Conde estranho, representando ninguém alem da maior pirata que já viveu? Nem, eu acho que não.- falou Annabell num tom sarcástico.

Simitry sorriu.

-Além do que, eu estou bonita o bastante para qualquer um me desejar.- Annabell sorriu enquanto ela caminhava até a porta e Simitry para a passagem secreta atrás do quadro. Simitry observou Annabell sair pela porta e falou para si mesma:

-Talvez bonita demais...

Ela olhou para a cabine de Annabell por um tempo e deixou sua mente viajar antes de correr pela passagem até sua própria cabine em tempo de ouvir Broctus batendo em sua porta.

-Entre.- falou Simitry.

-Cap, Annabell está pronta.- falou Broctus abrindo a porta e entrando. Quando Simitry virou para olhar bem a tempo de ver Annabell surgir por trás de Broctus.

-Você está maravilhosa, maravilhosa... – falou Simitry com um olhar perdido em Annabell.

-Oras, obrigada. Alguns poderiam até dizer que estou bonita o bastante para qualquer um me desejar.- falou Annabell com sarcasmo.

Simitry sorriu e deu um olhar para Broctus que concordou com Annabell e estava balançando a cabeça com um olhar muito bobo.

-Ahn... Devo avisar aos homens que devemos chegar logo em terra capitã?- perguntou Broctus atrapalhado.

-Por favor Broctus, eu tenho certeza que você e Annabell estão loucos para ver como se saem nesse primeiro dia como representantes da capitã.- falou Simitry - Annabell vem cá pra eu te dar uns últimos avisos.

Broctus saiu e Annabell chegou mais perto de Simitry.

-Annabell eu... Bom sem pressão ok? Só quero que você vá lá e faça o que faz de melhor: falar. Tenta convencer o conde que é melhor ele entrar em acordo comigo. Você não precisa convencê-lo de primeira, apenas abrir passagem para mim... Claro que nada impede você de convencê-lo sozinha... Mas você não precisa... Quero dizer...- Simitry olhou no fundo dos olhos de Annabell – Boa sorte Annabell, eu sei que você pode fazer isso.

Simitry deu um beijo na face de Annabell.

-Não se preocupa Simitry- sorriu Annabell- Eu estou bonita o bastante pra qualquer um me desejar.

Annabell e Simitry sorriam e com um ultimo olhar a loirinha saiu da cabine.

-Broctus!- chamou Simitry.

-Sim cap.- respondeu Broctus entrando na cabine.

-Broctus eu preciso que você vá com Annabell nessa missão...

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-Oi Broctus!- sorriu Annabell - Veio se juntar a nós?

-Sim eu vou.- sorriu Broctus – Desliza pra lá.

-Hum... Demorou... Ela falou por que queria você aqui?

-Bom... Ela não me disse... – falou Broctus coçando o queixo.

-E o que ela te disse afinal?- perguntou Annabell enquanto o barco era abaixado até o mar.

-Bom ela me disse pra encarar isso como uma promoção...

-Isso é estranho...

-É eu achei também.

O barco finalmente estava no mar e longe do Sea Phoenix, em poucos instantes finalmente chegou a terra. Enquanto alguns homens ajudavam Annabell a sair para terra seca Broctus olhou em volta para o velho porto.

-Eu acho que já estive aqui antes...

-O que você disse Broctus? – perguntou Annabell.

-Nada.- falou Broctus ainda abismado.

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-Vou anunciar sua presença.- falou um criado fardado deixando Annabell e Broc a sós na ante-sala bem decorada.

Apesar de saber que sua fama era amplamente conhecida, Annabell não pôde deixar de achar surpreendente como usar o nome de Simitry realmente parecia causar um efeito nas pessoas. Bom ou ruim, era, contudo, um efeito. Por temor ou admiração as pessoas sempre eram afetadas pelo nome da pirata, e ela própria sabia disso ao falar para Annabell se identificar como representante de Simitry a Rainha dos Piratas. Claro que havia o perigo de algum espião Guarda Marinha Oficial (Oficial Marine Guard, também conhecida como OMG) estar por perto, mas até mesmo eles temiam o poder da pirata, que também tinha diversos espiões e simpatizantes espalhados por cada porto. Enquanto a Guarda tinha a antipatia e desprezo do povo, oprimido e que tinha que pagar altos impostos, Simitry por sua vez era, tida por muitos como uma heroína que junto com os outros piratas se opunham ao poder quase ditatorial da Guarda. E ela sabia usar de sua fama, respeito e poder muito bem. Ao menos até agora tudo parecia estar indo bem para Annabell e Broc sob a proteção de seu nome.

-Você será atendida.- falou o criado que havia voltado de dentro da sala, abrindo a porta para Annabel -Você fica.- ele falou olhando para Broc que fez menção de acompanhá-la.

-Tudo bem. Qualquer coisa eu grito.- falou Annabell alto o bastante para apenas Broc escutar.

Ele concordou com a cabeça, mesmo estando com o semblante irritado e Annabell seguiu para dentro da sala, cuja porta foi fechada pelo criado antes que Broc pudesse ter a chance de espiar seu interior.

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