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-Lembra do festival de Baco? Quando a gente entrou no quarto e... - perguntou Simitry sussurrando na orelha da loirinha.
-Lembro.- sorriu Annabell marota.
-Pois bem vai doer bem mais que aquilo. -sorriu Simitry achando graça do tamanho que os olhos verdes da loirinha ficaram.
-Contudo... Vai doer bem menos do que você imagina. - falou o pirata troncudo segurando o que parecia ser um osso bem fino e afiado nas mãos.
Annabell observou tudo e engoliu seco, antes de dar a Simitry um olhar de “pelamordedeus me tira daqui!”.
-Annabell, segura. - sussurrou Simitry estendendo a mão para a loirinha.
-Promete não contar pra ninguém?- perguntou Annabell desconfiada.
Simitry soltou um longo suspiro e o pirata troncudo começou a tatuar as costas da loirinha que soltou um gemido abafado e segurou forte na mão da pirata.
-Prometo meu amor, prometo.
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-Aaaar! Finalmente terminei.- suspirou o pirata se esticando.
-Tá boa? Tá boa?- perguntou Annabell tentando espiar por cima do ombro.
-Calma, assim você vai se machucar.- falou Simitry tentando conter a loirinha.
-Lógico que está boa! Eu que fiz! Tá uma obra. - sorriu o pirata admirando sua própria criação.
-Eu quero ver. – pediu Annabell.
-Ai Bell, te mostro num espelho depois. Se você continuar assim vai acabar se machucando. Fica calma aí. – falou Simitry tentando fazer com que ela se acalmasse.-Bom, ainda ta novinha então nada de piratar: nada de tocar, coçar, lixar, alisar, beijar, esfregar e qualquer outro “ar” que você consiga pensar. – começou o pirata guardando o material que havia usado para fazer a tatuagem. Annabell ouvia as recomendações como se fossem facas no seu coração: “como assim nada de beijar e esfregar?” - Nada de caranguejo, camarão, siri, guaiamum, sururu, ostra e qualquer outra coisa que venha do mar, mas pode comer peixe.
“Como assim nada de comida boa? Ela ia viver só de peixe o resto da vida? Ai o camarãozinho que ela ia fazer pro jantar...”-Ah e o mais importante, - falou o pirata parando de guardar seu material e se virando para Annabell – Nada de sol.
-Poseidon... – chamou Annabell antes de cair sentada, sendo amparada por Simitry – Não fale isso. Como é que eu vou viver sem sol?
-Ai Annabell calma. – pediu Simitry.
-É só por alguns dias. Até cicatrizar, você não quer acabar com uma figura feia nas costas, ay? – explicou o pirata numa calma incomum á ele.
-Suponho que não. – concordou Annabell se acalmando um pouco mais.
-Ótimo, agora existe uma mistura que você pode colocar pra sarar logo. É claro que piratas de verdade agüentam a dor e sofrimento como verdadeiros homens, ARRR!!! – falou o pirata com um brilho nos olhos, fazendo um gesto de quem erguia uma espada imaginária, para logo depois voltar a si – Mas suponho que você não precisa ser homem, então...
-Ah me dá isso aqui. Anda, passa pra mim. – pedia Annabell com as mãos abertas, recebendo por fim um pote de vidro com uma viscosa mistura dentro.-O que tem aí dentro? – perguntou Simitry curiosa.
-Ahn... – começou o pirata pensativo.
-Deixa pra lá, não quero saber. Só a aparência é... Argh... – falou Simitry olhando para o pote, enojada.–Ah vou pedir pro Broc passar em mim. – falou Annabell disparando para fora da loja.
Simitry ficaria ofendida com aquilo, não fosse o fato de que tinha ainda negócios a tratar com o pirata.
-Você tem certeza do que está fazendo, pirata? Ela é apenas uma garota.
-Ela é mais que uma garota. E eu tenho certeza sim, a rainha dos piratas nunca tem dúvidas, ou você acha que eu estou errando? – perguntou Simitry dando um olhar ameaçador ao pirata.
-Não, não, Rainha dos Piratas. Estava apenas... Era uma...-Pergunta retórica? Espero que sim. Fez direito a tatuagem?
-Ay, ay.
-Ótimo. Agora é uma questão de espera. – falou Simitry abrindo um sorriso sonhador e perigoso, antes de voltar para uma expressão fria e jogar um saco pesado em cima da mesa perto dela. Com o impacto algumas moedas de ouro saíram de dentro do saco, parando na mesa e chão – Você sabe o que fazer. Nunca me viu depois daquela tatuagem e os rumores são todos mentira.
-Ay, ay. – concordou o pirata recolhendo o ouro do chão e observando Simitry sair.Mal saiu da loja, Simitry se deparou com Annabell espremida perto da parede, olhando para o outro lado da rua, pensativa.
-Ahn... O que você está fazendo? – perguntou Simitry curiosa.
-Tentando atravessar. – respondeu Annabell como se aquilo fosse óbvio.
-E por que não atravessa?
-Porque tem sol entre o lugar que estou e o outro lado da rua.-E daí?
-Como assim “e daí”? O homem falou nada de sol. – respondeu Annabell.
-Bellzinha, deixa eu te explicar direito. O que ele quis dizer foi: nada de sol constante. Tipo ficar passeando pelo deck do navio, ou botar este belo bumbum pra cima e ficar tomando sol na praia, você ta entendendo? – explicou Simitry dando um tapinha na bunda da loira.
-Aaaaah! – exclamou Annabell.
-Atravessar a rua pode sim. – falou Simitry contendo seu riso.
-Hum. - concordou Annabell começando a atravessar, mas sendo parada bruscamente e puxada pelo braço de volta para onde estava, colando seu corpo no da pirata.
-O que não pode é você ir pedir pro Broc passar creme nas suas costas... Ou eu arranco seu couro ou as mãozonas dele. – sussurrou Simitry perto da orelha da loira.Annabell riu.
-Ah... Pensei que você não ia querer passar. – falou Annabell fazendo beicinho.
-Faço questão de passar. – falou Simitry pegando o pote de vidro das mãos da pirata.
-Ah... Falando assim... – sorriu Annabell sentindo os lábios de Simitry no seu pescoço – Mas só passar o creme mesmo. Nada de beijar, roçar... E os ar da vida que o pirata falou.-Huum... – gemeu Simitry – Você é má!
-Anham... – sorriu Annabell atravessando a rua.
Simitry estava prestes a segui-la, quando sentiu uma presença atrás de si.
-Vamos passar uns dias em terra. Não quero estragar a tatuagem de Annabell. Além do que não creio que você tenha qualquer novidade para mim.
-Mandarei um mensageiro em breve. Você ficará surpresa. – respondeu uma voz masculina enquanto Simitry se afastava lentamente.