Piratas, o bacanal
By Bra Pirate
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O tiro ecoou pela ilha e em poucos segundos surgiram selvagens de todas as partes da mata, que aos poucos foram cercando o aturdido Plumbs. Tão aturdido, achando que ia levar um belo tiro bem no meio da cara, que nem percebeu uma pirata fazendo uma fuga sorrateira entre as árvores e arrastando uma loira pela gola.
-Montá!- falou um dos selvagens se aproximando de Plumbs com a lança apontada para o pirata.
-Minta montá.- retrucou outro, cutucando a bunda magra de Plumbs com sua lança.
-Ai! Ei, cuidado.- gemeu Plumbs.
-Minta montá AGUR!- gritou o primeiro selvagem levantando a lança.
-Minta montá AGUR!- repetiram os outros em coro.
-//-
-Simitry o que você está fazendo?- perguntou Annabell preocupada enquanto se soltava das mãos da pirata que havia lhe arrastado por metros.
-Usando o fuinha como isca.- respondeu Simitry calmamente enquanto revirava a mata ao seu redor.
-Simitry, eles vão matar e comer o Plumbs!- falou Annabell indignada.
-E comer no pior sentido da palavra... Mas não tem com o que se preocupar.
-Como não??
-Você já viu como o Plumbs é magro? Vai demorar no mínimo umas 3 semanas pra ele ficar no ponto bem gordinho pra ser comido. Enquanto isso a gente cuida dos negócios.
-Simitry! Como você...
A loirinha teve a boca tapada pela pirata que a puxou para trás de um arbusto, ficando as duas coladas, observando um grupo de selvagens se aproximar.
-Nenhuma palavra a não ser que você queria virar outra ceia.- sussurrou Simitry apertando a loirinha contra si.
Annabell concordou com a cabeça, com seus olhos verdes esbugalhados.
-Agur?- indagou um selvagem remexendo num arbusto próximo.
-Agur!- exclamou outro levantando, vitorioso, uma furta redonda e amarela do tamanho de uma bola de boliche.
-AGUR!- exclamaram os outros cada uma pegando uma fruta e voltando pelo caminho que vieram.
-Agur.- gemeu Simitry olhando para a fruta com seus olhos azuis brilhando- Ow delícia...
Annabell ficou tão aturdida com o contato com a pirata, o apertão que ela deu a trazendo para mais perto enquanto gemia “agur”, que nem se deu conta que Simitry já a havia largado e já estava mexendo no arbusto onde os selvagens estavam.
-Agur!- exclamou Simitry levantando a fruta triunfante.
-AGUR!- gritou um selvagem que havia chegado sem ser percebido.
-Oh ow...- gemeu Simitry.
-Simitry...- chamou Annabell se levantando de trás do arbusto.
-Annabell, fica calma... Isso... Agora quando eu contar até três você corre pro navio como uma louca maníaca, como se sua vida dependesse disso e o mais irônico é: sua vida depende disso!- falou Simitry tentando manter a calma diante do selvagem que a encarava com cara de poucos amigos- Um, dois, três.
-Ahn... Simi. Meu pé enganchou nos galhos desse arbusto.- falou Annabell também se controlando pra ficar calma enquanto o selvagem avançava pra cima dela com sua lança apontada para a loirinha.
-Ah seu pezinho ficou preso foi? Tenta desprender com toda calma possível viu xuxu?v -Você tá me assustando! Para de fazer essa voz!
-Gurú...- rosnou o selvagem se aproximando cada vez mais da loirinha.
-PORRA ANNABELL! Num fala grosso que ele se irrita!- resmungou Simitry atraindo não só a atenção de um selvagem, mas também de vários outros que apareciam vindos da mata.
-Agora sim fiquei calma.Esse é seu tom normal.
-Nossa que bom que você está calma. Nada como manter a calma antes de ser devorada...- suspirou Simitry já com a mão na sua espada mesmo com a certeza de que não teria chances contra o grupo que parecia ficar maior a cada segundo.
-Horas não seja pessimista e... Ui! Meu pé desprendeu!- sorriu Annabell.
-Que bom.- sorriu Simitry completamente amável.- AGORA CORRE!!
As duas dispararam para fora da mata, em direção a praia.
-TODOS A BORDO! ANDA.- gritava Simitry para os piratas.
-Capitão e o Plumbs?- perguntou Broc.
-Homem! Você não ouviu a capitã? Anda! Sebo nestes braços e rema!- falou Annabell agitada.
-Mas qual é a pressa?- perguntou um dos piratas antes de perceber a multidão armada de lanças que vinha correndo na direção deles- BROC COMEÇA A REMAR!
-Remem! Remem!- gritavam Simitry e Annabell.
-Capitã!- gritava Plumbs pendurado num pedaço longo de madeira pela suas mãos e pés, enquanto era carregado por dois selvagens – CAPITÃ SOCORRO!
-Olha lá o Plumbs.- apontou um pirata.
-Você larga esse remo mais uma vez e eu te jogo do bote entendido? Agora REMA!- ralhou Simitry.
-Sim senhora!- respondeu o pirata remando o mais rápido quanto seus braços permitiam.
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Simitry admirava a fruta recostada na cadeira de sua cabine. Deu um longo suspiro antes de colocá-la com cuidado dentro de um saco e cuidadosamente dentro do seu baú, com alguma sorte eles chegariam a seu destino antes que alguma coisa acontecesse com ela e talvez até Annabell voltasse a falar com ela. Desde que haviam chegado da ilha que Annabell não estava falando direito com ela e Simitry só podia imaginar que o motivo fosse Plumbs.
“Que droga ela tem que se acostumar com a vida dura de pirata! Não é só rum e tesouros! Também exige sacrifícios!” - pensou a pirata irritada dando um soco na mesa e se levantando para espiar a cabine ao lado: vazia.
-E agora? Onde essa loira se meteu?- perguntou Simitry para o vazio de sua cabine- Seja lá onde for melhor eu ir atrás. Droga...
Não precisou de muita procura para achar a loirinha, ela estava inclinada na proa do navio observando o mar e com um olhar pensativo.
-Um beijo por esse pensamento.- sorriu Simitry ficando ao lado da loirinha.
-Um beijo seu ou meu?- perguntou Annabell encarando o mar.
-O que você preferir.
Annabell deu um longo suspiro.
-Desculpa... Eu não devia...- começou Simitry arrependida de ter começado a pseudo conversa.
-Não estou desprezando o seu beijo, pelo contrário. Só estou bem pensativa.- falou Annabell percebendo que a pirata estava insegura.
-Posso saber por que está tão pensativa?
-Pode se me pagar com um beijo.- sorriu Annabell.
-Pago assim que souber o que incomoda a minha loirinha.
-Ah Simi... Só coisas que o Plumbs falou.
-Plumbs... Olha Annabell, eu entendo que você não queria que eu deixasse ele na ilha, mas...
-Tudo bem Simitry, eu entendo que isso é coisa que os piratas fazem. Acredite, eu estou é grata que é ele e não eu!
-Eu NUNCA faria algo assim com você.- falou Simitry séria.
-E por que não? Eu também sou uma pirata da tripulação, não? Por que não posso fazer parte dos sacrifícios também?- perguntou Annabell olhando nos olhos da pirata.
-Porque aí é bem diferente Annabell. Você é diferente do Plumbs e ele fez por merecer. Falando aquelas besteiras...
-Eu não sei porque sou diferente, quero dizer... Eu sinto que pra você eu sou diferente deles, mas não consigo entender bem porque, você parece confiar em mim, eu sinto isso, mas... ARGH!- falou Annabell cobrindo seu rosto com as mãos.
-Annabell...- chamou Simitry abraçando a loirinha- Você é especial pra mim, sabe que confio em você, não deixa isso do Plumbs te afetar ok? Ele tava precisando ganhar uns quilinhos mesmo, onde já se viu cozinheiro magro daquele jeito?
-Se eu cozinhasse tão ruim como ele, também seria magra daquele jeito.- suspirou Annabell.
-Viu?
-Quer dizer que sou gorda?
-Não! Você não é gorda, nem cozinha ruim, nem é magricela como o Plumbs e...
-E eu sou o que?- perguntou Annabell olhando nos olhos azuis da pirata.
-Ahn... –“gostosa”- Ahn... Você tem um corpo bonito.- gaguejou Simitry ficando vermelha juntamente com Annabell.
-Eu acho o seu bonito...
-Ah então você fica me espiando?
A loira ficou tão vermelha que Simitry achou que ia passar mal.
-Estou brincando Annabell, calma aí tá?- sorriu Simitry.
-Eu não espio, só... Notei, eu observo, tenho olhos.- falou Annabell ficando um pouco menos vermelha.
-Tá bem, tá bem.-sorriu Simitry.
-Bom, era sobre isso que eu estava pensando...
-Hum...
-E meu beijo?- perguntou Annabell novamente encarando a pirata nos olhos.
-Seu beijo né?- sorriu Simitry se perdendo naqueles olhos verdes.
-É dona pirata. Você tem que me beijar.
-Eu sempre honro minhas dívidas.- falou Simitry séria.
As duas se encararam por um tempo, olho no olho, azul no verde, seus rostos foram se aproximando lentamente. Annabell fechou seus olhos ao sentir a proximidade do rosto de Simitry do seu, sentiu o nariz da pirata tocar o seu de leve, sua boca se aproximando da sua e só teve tempo de ouvir um pequeno estalo antes da boca de Simitry salpicar um beijo na sua bochecha e a pirata desaparecer dentro de sua cabine logo em seguida deixando a loirinha muito confusa e frustrada.
“Que diabo foi isso? Eu quase beijei ela! Como eu pude? Ela é só uma menina! E ainda assim sua boca parecia atrair a minha... Que droga Simitry, que droga! Olha só que ridículo. A rainha dos piratas completamente vermelha de vergonha por ter que beijar uma menina e ainda assim nem a beijou nos lábios. Antes tivesse pra matar logo esse tesão! MERDA!”- pensou a pirata socando a parede de sua cabine.