Piratas

por Bra Pirate

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Na manhã seguinte Simitry acordou um pouco mais cedo que o normal, estava disposta a fazer a vida daquela loirinha no mínimo mais difícil. Ela se vestiu com um sorrisinho maldoso na penumbra da sua cabine. Colocou de lado a gigante pintura que estava pendurada na sua parede, deslizou a porta de correr e espiou a cabine ao lado.

-Mas cadê essa loira?- se perguntou Simitry ao notar a cabine vazia.

A pirata saiu através da cabine da loira em direção ao deck onde alguns poucos piratas começavam seus trabalhos, mas sem sinal da loira. Simitry percorreu todo deck até ouvir vozes alteradas vindo de perto das escadas que levavam para o porão e cozinha do navio. Simitry começou a descer as escadas ouvindo as vozes ficarem cada vez mais altas.

-Mas você não pode servir isso no café! É mais que inadequado, é ultrajante!- falou uma voz feminina alterada.
-Olha sua loira desmiolada, é isso aqui que a gente serve no café desde... Sempre! Quem você acha que é pra tentar mudar alguma coisa por aqui?- perguntou um homem baixo e magro com feições pontudas.
-Plumbs! -falou Simitry jovialmente - Eu vejo que você já conheceu a nossa nova cozinheira ahn...
-Ahn na Bell!- sussurrou Anabell.
-Isso! Anabell! Ela vai cuidar da cozinha junto com você, por isso trate de ser gentil com ela.- sorriu Simitry sem olhar para Anabell que sorria para ela.
-Mas capitã...- gemeu Plumbs frustrado olhando para Simitry
-Mas nada! E você trate de fazer o que a moça diz porque ao que parece ela sabe cozinhar. – falou Simitry que ao notar a cara de indignação de Plumbs completou – De verdade.
-Obrigada.- falou Anabell sorrindo de orelha a orelha –Eu...
-Não me agradeça – interrompeu Simitry- é melhor mesmo você cozinhar bem ou faço você andar na prancha loirinha.

Anabell a fitou atônita por alguns instantes antes de concordar com a cabeça e ir cabisbaixa ajudar Plumbs a terminar o café. Simitry sentiu por ter sido tão dura com a loirinha, queria abraça-la e pedir desculpas, mas isso seria inadmissível para a Rainha dos Piratas! Além do que a loirinha tinha que aprender como eram as coisas no seu navio. Simitry ainda ficou observando a loirinha e Plumbs trabalharem e discutirem sobre o café por um tempo antes de subir para tomar conta do leme.

O resto do dia foi ocupado tanto para Anabell quanto para Simitry. A loirinha estava se desdobrando para ajudar Plumbs com seu gênio terrível na cozinha enquanto aprendia como era a vida de verdadeiros piratas que não queriam nem faziam sua vida ser nem um pouco mais fácil. Mas a loirinha nem se importava, já estava feliz de estar ali longe de casa de dos compromissos que tinha. Pouco a pouco ela foi cativando, ou melhor, fisgando os piratas com seu jeitinho doce de menina e aquelas comidas que tinha gosto de verdade! Simitry por sua vez se ocupou com os seus afazeres de piratas e a sua mais nova e dura tarefa: não pensar naquela loira! Algo que se tornou difícil uma vez que eventualmente elas se esbarravam pelo navio e aquela loira parecia sempre ter aquele sorriso tão lindo no rosto que fazia as pernas de Simitry tremerem. No final do dia, após evitar a cozinha e qualquer outro lugar onde a loira pudesse estar, Simitry se reuniu com Kay em sua cabine para uma conversa após o jantar.

-Eu realmente não entendo bem o que você faz no Pirate’s Booty.- riu Simitry.
-Eu vou pela companhia ok? Além do que eu gosto do ambiente.- riu Kay bebericando seu copo.
-É claro!- riu Simitry.
-Mas agora falando sério, o que a gente vai fazer com aquela menina louca?- perguntou Kay.
-Que menina?- perguntou Simitry.
-Você sabe de quem eu estou falando...- falou Kay pousando seu copo na mesa.
-Ah... A loirinha, a gente podia manter ela sei lá...- falou Simitry desviando o olhar de Kay.
-Manter ela?- perguntou Kay tentando olhar no rosto de Simitry.
-É, a comida é boa... Ou a gente podia deixar a ahn... Loirinha em algum lugar e ela podia voltar pra casa e tal.- falou Simitry.
-Engraçado, geralmente se alguém invadisse o navio assim você o faria andar na prancha só pelo atrevimento. Mas essa Anabell é especial não é?- perguntou Kay.
-Ela não é especial pra mim.- protestou Simitry.
-Eu não falei que era pra você. Só falei que era especial, ela cozinha bem, é divertida e está cativando seus homens, agora se a carapuça lhe serve...- sorriu Kay.
-Cativando que homens?- perguntou Simitry tentando desviar o assunto.
-Os seus, da uma olhada pela janela.- falou Kay apontando para fora.

Simitry se levantou de sua cadeira e espiou pela janela da cabine antes de abrir-la e sair andando devagar até o onde Kay havia apontado.

-Ai a banda começou a tocar, mas o baile é bem chato apesar de tudo. – relatava Anabell sentada em um barril envolta por vários piratas que se sentavam em sua volta atentos a suas palavras.
-Ah Anabell, mas parece tudo tão lindo! Os vestidos, os castiçais e... A música. – falou Broc com os olhos brilhando.

Anabell sorrindo olhando em volta e percebendo o olhar sonhador dos piratas.

-Mas depois de um tempo você se cansa, na verdade é uma vida bem parada e tediosa. Bem diferente das aventuras de uma vida pirata.- falou Anabell.
-Ah, mas os vestidos! Por favor! Parecem liiindos! – falou Simitry com uma voz fina se aproximando deles.

Os piratas se levantaram assustados com a presença repentina de Simitry.

-Boa noite capitã!- alguns falaram.
-E o que a nossa aprendiz de pirata está fazendo por aqui essa hora? Aliás, o que todos vocês estão fazendo aqui? – perguntou Simitry tentando olhar para Anabell que estava de cabeça baixa.
-Eu estava contando umas historias pra eles.- respondeu Anabell levantando o rosto para mirar Simitry.
-Hum... Historias?- indagou Simitry pensativa.
-É, são legais.- falou Broc sorrindo timidamente enquanto os outros piratas murmuravam concordando.
-Muito bem. Se são tão boas assim, conte-me uma então.- falou Simitry, para a surpresa de todos, puxando um barril para se sentar.

Todos os piratas, inclusive Anabell, se viraram surpresos para Simitry que se sentou cruzando as pernas e braços como quem diz “Estou esperando”. Anabell olhou para ela perplexa antes de começar a falar.

-Pois bem.- pigarreou Anabell – Como eu estava contando dos bailes...

Simitry observava a loirinha contar sua historia sem realmente ouvir nada do que saia de sua boca. Seus gestos eram graciosos, suas expressões faciais lindas e aquela boca... Lábios vermelhos, um sorriso perfeito, cativante. A pirata imaginou como seria beijar aquela boca, chegar bem perto daquele rosto lindo, olhar naqueles olhos verdes como duas esmeraldas, sentir seus lábios roçarem os dela, suas línguas se tocando, os seios macios da loirinha contra seu corpo... Tirar a roupa daquela loira revelando aquele corpo macio, beijar cada parte que fosse se revelando, sentindo o perfume gostoso dela.

“Por Deus aqueles seios devem ser deliciosos!” – pensou Simitry encarando os seios de Anabell descaradamente – “Epa, se controla pirata! Não pensa essas coisas! Para com isso!”.

Simitry tentou prestar atenção na historia, mas tudo em que conseguia pensar era em abraçar a loirinha, beija-la, toca-la...

Quando finalmente terminou seu relato Anabell olhou para Simitry esperando sua aprovação ou não. A pirata tinha o olhar ainda perdido na loirinha e demorou um pouco para de dar conta de que ela havia terminado sua historia sobre o baile, ou enterro, ou os três piratinhas, isso era o de menos. Aquele estado de transe profundo em que ela se encontrava desde que a loirinha abriu a boca a impedia de saber o que ela havia relatado. Quando finalmente se deu conta de que a loirinha já havia terminado seu relato e que ela e todos os presentes estavam olhando para ela esperando sua reação Simitry saiu do seu transe assustada.

-É... – começou Simitry olhando para a loirinha – Digamos que não vai ser hoje que você vai andar na prancha.

Anabell abriu um largo sorriso que contagiou a todos os presentes inclusive Simitry.

-Fico feliz que gostou.- falou Anabell sorrindo.
-Ei não fique convencida. – sorriu Simitry – Agora todo mundo de volta a seus postos! Seja dormindo ou trabalhando, a pausa terminou!

Todos se levantaram para retomar suas atividades, inclusive Anabell que estava indo para sua cabine quando Simitry a chamou.

-Eu tenho uma coisa pra te mostrar.

Anabell seguiu Simitry até a cabine da capitã.

-Isso aqui é meio que um segredo pirata, mas pelo que pude notar lá fora, você já cativou os meus homens e já faz parte da tripulação. – sorriu Simitry.
-E quanto a você?- perguntou Anabell sem se conter.
-Ahn... Eu o que? – perguntou Simitry confusa.
-Ah nada... O que você queria me mostrar? – gaguejou Anabell.
-Ah sim, sim. É um artifício que eu costumo usar pra espiar... Digo facilitar minha locomoção.- respondeu Simitry se aproximando do quadro e abrindo a passagem que unia as duas cabines.

Anabell olhou admirada para ela e para a passagem.

-Você pode entrar na minha cabine por ai?- perguntou Anabell.
-É, e dá pra só olhar também... Bom eu queria que você soubesse disso, não ia me sentir bem te espiando ou fazendo nada do tipo, não que eu pretendia ou já tenha feito quero dizer...- gaguejou Simitry. –É bom que você saiba disso ok? Pra sua própria segurança.

Anabell atravessou a passagem até sua cabine seguida por Simitry que fechou a passagem atrás delas.

-Isso é tão legal! – sorriu Anabell abraçando Simitry. – Obrigada por confiar em mim.

Antes que a pirata pudesse fazer alguma coisa a loirinha lhe tascou um beijo na face lhe abraçando forte. O contato com aquela mulher fez todo corpo da pirata ser envolvido por um calor gostoso que vinha do meio das suas pernas, quanto mais apertado era o abraço, maior era à vontade que Simitry tinha de beijar aquela mulher loira louca por lhe abraçar daquela maneira após um beijo tentador na bochecha. A pirata envolveu Anabell em seus braços retribuindo o abraço e levando a loirinha a um estado de extrema felicidade. Aqueles braços a envolvendo gerava uma sensação muito boa, como se a pele da pirata fizesse a sua queimar, mas era ótimo. Elas ficaram abraçadas daquele jeito pelo que parecia uma eternidade até a porta da cabine se abrir.

-Anabell eu tava me perguntan... – falou Broc olhando para as duas – Ah...

Rapidamente elas se soltaram encabuladas.

-O que foi Broc?- perguntou Simitry meio irritada, mas completamente vermelha.
-Ah eu ia falar com a Anabell, mas deixa pra lá eu volto quando você acabar capitã.- falou Broc também sem graça ao perceber que tinha atrapalhado alguma coisa.
-Não, a gente já terminou aqui. Eu já tava de saída. É... Até mais.- falou Simitry saindo da cabine rapidamente deixando Anabell e Broc sozinhos.
-Pode falar Broc.- falou Anabell meio atrapalhada sem entender o que havia se passado.
-Ah é que eu notei que você ta usando esse vestido ai gigante que ta meio que te atrapalhando né? Ai eu pensei comigo mesmo sabe? E eu lembrei que aqui nessa cabine tem umas roupas de pirata mulher, você podia experimentar pra ver se fica bem nelas, pelo menos ia facilitar você fazer as coisas.- falou Broc com um sorriso orgulhoso.
-Obrigada Broc! Eu tava mesmo precisando trocar essa roupa maldita! Você é um anjo! – sorriu Anabell ficando na ponta do pé e beijando a bochecha de Broc - Onde estão essas roupas?
-Acho que ai nesse baú. É melhor eu voltar lá pra fora sabe? Não fica bem eu ficar aqui dentro. –falou Broc ficando vermelho –A capitã pode não gostar.

Antes que Anabell pudesse falar alguma coisa Broc saiu da cabine. Ela teve que rir da reação dele ao seu beijo. Mas beijar a bochecha dele não era nada comparado a beijar a bochecha de Simitry. A loirinha suspirou pensando no beijo, o abraço, o cheiro de Simitry... Mesmo a pirata não sendo a pessoa mais simpática do mundo ela se sentia tão bem quando estava ao seu lado, quando a tocou foi como... Como se todo seu corpo estivesse queimando, era algo que ela não podia explicar. Ela olhou tentada para o quadro que ocultava a passagem até a cabine de Simitry, mas apesar de toda vontade que tinha de espiar a pirata achou aquilo errado e se conteve preferindo vasculhar o baú de roupas que Broc havia falado.

Do lado de fora Simitry cuidava do leme enquanto mergulhava em seus pensamentos e tentativas frustradas de esquecer o que havia se passado.

-Boa historia não acha?- perguntou Kay atrás da pirata.
-Porra Kay! Não faz isso!- falou Simitry assustada se virando para ele.
-A Rainha dos Piratas pega com a guarda baixa?- perguntou Kay sorrindo para a pirata - Um momento que vou guardar para o resto da minha vida.
-É a história foi boa.- falou Simitry sem olhar para ele.
-Que historia?- perguntou Kay.
-Da Anabell.- respondeu Simitry.
-Ah da ANABELL.- sorriu Kay observando a pirata - E sobre o que era a historia?
-Sobre... É...- gaguejou Simitry enquanto Kay sorria se divertindo – Oras se você estava ouvindo escondido me conte você!
-Tudo bem eu conto. Era uma historia de pirata, que se apaixona por uma sereia loira, só que tal pirata nem sabe disso ou tem muito orgulho para admitir isso, mas isso não importa. O que importa é que no fim vivem felizes para sempre.- falou Kay sorrindo.
-Hum...- falou Simitry desconfiada – Não me lembro de piratas na tal historia.
-É claro que não. Ela podia estar te xingando e você nem ia notar. Você estava ocupada demais se encontrando e se perdendo no corpo cheio de curvas daquela loirinha! Você estava literalmente babando ela em certo momento Simitry.- falou Kay.
-Não sei do que você está falando.- falou Simitry se fazendo de desentendida.
-Ah Simitry, não debocha da minha inteligência! Só não vê quem é bobo ou caiu também nos encantos e charme da loira. Tenho que admitir que ela conta muito bem historias, mas por Deus Simitry, você está olhando para ela com outros olhos. Antes nem o nome dela você se preocupava em decorar.- falou Kay.
-Kay...- falou Simitry ameaçadora olhando para ele pelo canto do olho.
-Está bem Rainha dos Piratas.- suspirou Kay começando a descer as escadas.
-Ela não é como nós.- falou Simitry cabisbaixa olhando triste para Kay.
-Você não sabe disso, e se você não tentar pelo menos, talvez nunca saiba. Rainha dos piratas.- sorriu Kay olhando nos olhos da pirata.
-Veremos.- sorriu Simitry.

 

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Pela noite escura um marinheiro corria pelo deck de um navio. O vento estava forte fazendo a bandeira com o símbolo da Guarda Marinha balançar de um lado para o outro violentamente. O marinheiro parou em frente a porta de madeira de uma cabine e respirou fundo para recuperar seu fôlego antes de começar a falar.

-Senhor tem um navio pirata próximo ao nosso. –falou o marinheiro enquanto dava leves batidas na porta da cabine.
-E o que importa? Atire neles com os canhões se não for a maldita Sea Phoenix.- respondeu uma voz irritada de dentro da cabine.
-Mas senhor eles têm uma proposta a nos fazer.- falou o marinheiro.
-Miles, eu realmente não me importo com propostas de piratas.- resmungou um homem alto e forte que estava deitado dentro da cabine abrindo apenas um olho para espiar um retrato de uma bela mulher loira de olhos verdes.
-Mas senhor eu acho que deveríamos ouvir o que eles têm a dizer.- falou Miles nervoso encarando a porta da cabine.
-Miles, sua insistência está começando a perturbar meu sono.- respondeu o homem se levantando da cama.
-Mas senhor eu... –gaguejou Miles.
-O que diabo você...- esbravejou o homem abrindo a porta de sua cabine para dar de cara com um Miles apavorado com um revolver apontado para sua cabeça.
-Escute o marinheiro Fausto, a proposta é bem interessante na verdade.- falou uma voz atrás de Miles.