É amizade?
Mariah Galveia
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Capítulo 7
--- Então esse é o seu lugar preferido, Eve? --- disse Lara olhando ao redor parecendo encantada com o que via --- Realmente aqui é lindo!
--- Isso é porque você não viu o riacho! --- começou a correr em direção a água ---Vamos!
Lara seguiu Evelyn em sua carreira até o riacho.
--- Se eu soubesse que viríamos passear na beira de um riacho teria trazido uma vara de pescar. --- Lara disse se agachando na beira da água e molhou a ponta dos dedos da mão direita
Evelyn sentou na beira, tirou o calçado e as meias, ergueu o vestido um pouco acima do joelho e mergulhou as pernas na água.
--- Ah... Que delícia! --- disse fechando os olhos ao sentir o contato da água em suas pernas
--- Ah sim... Uma delicia... --- disse Lara olhando com desejo as pernas de Eve
Lara sentiu que o desejo tomando conta de seu corpo. Nunca tinha visto as pernas de Evelyn, imaginou mil vezes como seriam, mas não fazia idéia de como seriam ainda mais lindas. Passou o olhar das coxas para os joelhos da Loira.
--- Perfeitos! --- Lara se ouviu surpresa pronunciando em voz alta seus pensamentos
--- O que são perfeitos? --- Evelyn perguntou abrindo os olhos
--- Perfeitos? O vinhedo! O vinhedo é perfeito! Toda essa extensão de vinhas, o riacho.
--- Sim, aqui é perfeito! Eu sempre quis construir uma casa aqui. Morar aqui sempre foi o meu sonho.
Lara começou a se dar conta do que estava fazendo. Enganou-a esse tempo todo! Aproximou-se de Evelyn com o intuito de se tornar amiga dela por interesse. E acabou se apaixonando.
No fundo sabia que se realmente viesse a comprar o vinhedo, acabaria beneficiando Evelyn, pois Leonor teria como pagar suas dívidas. Claro que também sairia no lucro, se safaria de um prejuízo enorme, seus gados teriam água. O tempo estava passando e precisaria tomar uma atitude, pois nem seus gados agüentariam muito tempo e tampouco os credores de Leonor esperariam muito mais tempo. Mas não podia seguir sem lhe contar a verdade. Mas ao mesmo tempo não podia trair seu velho amigo e dizer a Evelyn que seu pai estava falido. O que fazer?
--- Evelyn, eu gostaria de comprar esse pedaço de terra.
--- Han? Por quê?
--- Porque todos os lagos que eu tinha secaram. Se eu não resolver essa situação vou acabar perdendo milhares de cabeças de gado.
--- A seca está feroz esse ano, não é?
--- Sim.
--- Se é para o bem dos pobres boizinhos e vaquinhas... E claro, os bezerrinhos... Eu vendo.
--- Vende? --- ficou atônita com a facilidade --- Eve, você vai permitir a venda do vinhedo?
--- Você precisa Lara! E... --- ficou um pouco sem graça --- Eu não sei dizer não pra você.
Uma semana depois Leonor e Lara estavam no trem que os estava trazendo de volta a Charleston. Tinham ido ao cartório da capital para oficializar a venda do vinhedo para Lara.
Leonor havia levado com ele um documento assinado por Evelyn que autorizava a venda.
--- Graças a Deus tudo deu certo! --- Leonor levantava as mãos para o céu em sinal de agradecimento --- Não tenho mais nenhuma dívida!
--- É. Deu tudo certo.
--- Lara, não precisa se sentir culpada. Seu eu não vendo as terras pra você com certeza eu iria à falência. Você sabe que é muito melhor pra Eve ficar sem o vinhedo do que sem a fazenda inteira!
--- Só acho que talvez Evelyn devesse conhecer toda a verdade.
--- Não posso! Não quero que minha filha para de sentir orgulho de mim, Lara.
--- Leonor, Evelyn é uma moça muito boa, até mesmo altruísta. Abriu mão de um sonho apenas pra me ajudar, já que ela não sabia o que estava em jogo. Tenho certeza que a reação dela seria boa...
--- Agora já está feito. Agradeço-te por tudo Lara, mas vamos esquecer esse assunto.
Lara manteve-se calada em sinal de consentimento ao pedido do amigo, mas algo dentro dela queria gritar que não estava certo, que Evelyn deveria saber de tudo. Mas o que aconteceria se ela descobrisse a armação dos dois?
--- Leonor?
--- Diga.
--- Se Evelyn descobrir o motivo de eu ter me aproximado dela, se sentirá traída.
--- Ela nunca saberá. --- disse ele veemente
--- A de abacaxi.
Evelyn estava em pé diante do quadro negro escrevendo a letra “A”. A escola se limitava em uma única sala de aula. Deveria haver uma base de vinte e cinco a trinta crianças de variadas idades, algumas dispostas a aprender e outras mais preocupadas em conversar e jogar papeizinhos.
Era o segundo dia de aula e a turma já havia se entrosado bem com sua nova professora.
A loira explicava o alfabeto com calma e paciência.
--- Você é muito mais bonita do que a Senhorita Flora! --- disse um garotinho loiro
--- É mais educada! --- concordou outro
--- E sua voz é mais suave! Parece um anjo! --- um garotinho de uns dez anos falou
--- Crianças! Assim vocês me deixam sem graça!
Ouve risos e gritinhos pela classe. Ela tentou falar, mas não consegui, aumentou um pouco o tom de voz:
--- Crianças, escutem! --- todos pararam para olhá-la --- Fico muito contente que gostem de mim, porque eu também adoro vocês. Estar aqui com vocês é um sonho que me alimenta, me impulsiona a viver. Agradeço a vocês pelo elogio e prometo que me esforçarei ao máximo para ensiná-los não só inglês e matemática, mas também a se comportarem como damas e cavalheiros. --- sorriu para eles e voltou ao quadro --- Agora vamos dar continuidade ao alfabeto. --- escreveu um “B” --- Essa é a letra B de bolo.
--- Senhorita Morgan? --- uma garotinha ruiva aparentemente de uns sete anos a chamou --- Conte-nos uma história!
--- Certo. --- respondeu sorrindo --- Contarei se vocês prometerem prestar atenção e se fizerem depois o exercício direitinho.
Uma hora mais tarde Evelyn já havia corrigido todos os exercícios e pediu que todos se sentassem ao chão em forma de círculo e sentou-se ao centro.
--- Vou contar para vocês a história das Almas Gêmeas.
--- Senhorita Morgan, o que são almas gêmeas? --- quis saber uma menina de uns doze anos
--- Almas gêmeas são duas almas distintas que juntas formam uma só.
--- Ah! --- as crianças em coro
--- Vou contar a história para que possam entender melhor. Era uma vez, num tempo muito antigo, onde todas as pessoas tinham dois braços, duas pernas, duas cabeças e duas almas. Todos eram muito felizes porque se sentiam completas. Então um monstro muito, muito malvado ficou com inveja das pessoas e invadiu a Terra para fazer o mal.
--- E o que o monstro malvado fez? --- um garotinho perguntou
--- Bem, o monstro malvado partiu todas as pessoas ao meio. Então as pessoas passaram a ter apenas dois braços e duas pernas, uma só cabeça e consequentemente uma só alma.
--- E o que aconteceu com as pessoas? --- uma menina perguntou
--- As pessoas ficaram muito tristes, por que ficaram condenadas a passar toda a vida vagando em busca do seu outro pedaço, de sua metade.
--- E encontraram? --- um garoto perguntou
--- Algumas sim, como os papais e mamães de vocês, que se encontraram e se amam. Juntos formam um só, se completam e são felizes. E outros ainda não encontraram, mas um dia todas as almas gêmeas vão se reunir.
Pa-pa-pa-pa-pa...
Fez-se ouvir um som de palmas. Evelyn olhou ao redor. Não era nenhuma das crianças. Olhou para a porta. Sorriu. Lara estava encostada na porta batendo palmas.
--- Bravo! --- Lara disse sorrindo --- Muito bom, contadora de histórias!
Evelyn pediu licença às crianças e foi ao encontro da morena, a abraçou.
--- Que saudade! Faz dias que não nos vemos!
--- Por isso não resisti e vim te ver, mesmo sabendo que estava em horário de expediente.
--- Não tem problema. --- respondeu sorrindo --- E então, tudo certo com os tramites legais para a venda?
--- Sim, deu tudo certo.
--- Vocês demoraram muito.
--- Sabe como é... A capital fica há dias de trem daqui... Não há como chegar mais cedo... Se eu pudesse voar eu voaria pra só para poder te ver mais rápido.
--- Hahahaha... --- riu franzindo o nariz, fazendo Lara se derreter ainda mais --- Você e suas idéias malucas! Hahahaha...
--- Eu pensei o tempo todo em você, Evelyn. --- disse séria segurando o queixo da loira
--- Eu também pensei em você, Lara.
--- Te trouxe um presente!
--- Presente? --- perguntou sorrindo --- Eu adoro ganhar presente! O que é?
--- Só lhe darei se você for jantar comigo essa noite.
--- Claro!
--- Passo pra te pegar as oito em ponto.
--- Combinado.
Lara lhe beijou o rosto e foi embora deixando uma Evelyn sorridente e ansiosa para que a noite chegasse logo.
--- Ah Lara, é ótimo você estar de volta, assim poderemos conversar até nossos maxilares caírem!
--- Depois sou eu quem tem idéias malucas... --- disse brincalhona piscando um olho para Evelyn
Haviam acabado de chegar a casa sede da Fazenda de Lara e estavam em frente à lareira acesa, sentadas num sofá marrom e confortável.
Conversavam animadamente quando um barulho vindo da barriga de Evelyn chamou atenção.
--- Ops! --- a loira disse sorrindo --- Acho que o monstrinho acordou!
--- Hahahaha... Então vamos alimentá-lo antes que ele devore a nós duas!
--- Engraçadinha...
--- Não sou uma pessoa engraçada...
--- E o que temos para jantar?
--- Advinha!
--- Frango assado recheado com tomates verdes fritos!
--- Bingo!
O jantar foi demorado, pois tinham ânsia de contar tudo o que haviam feito nesses dias em que não se viram. Após terminarem finalmente, Lara se levantou e foi até o quarto voltando com um pacotinho na mão.
--- Meu presente? --- Evelyn perguntou entusiasmada --- O que é?
--- Abre...
Quando Evelyn abriu o presente não acreditou no que seus olhos viam. Era simplesmente a jóia mais linda que já tinha visto em toda a sua vida. Se tratava de um pingente de ouro em forma da letra “E” com um brilhante bem ao centro.
--- Lara! É lindíssimo! --- disse maravilhada --- Não posso aceitar!
--- Como não pode aceitar? É um presente!
--- Sim, mas pensei que era uma lembrancinha... Isso deve ter custado uma pequena fortuna...
--- Ver o seu sorriso ao ganha-lo valeu cada cents...
--- Lara... --- ficou séria de repente --- Porque faz isso por mim? Porque te importo tanto?
--- Porque você me trouxe a alegria de viver novamente. E porque você é a minha melhor amiga.
--- Sou? --- perguntou sorrindo ruborizando
--- Sim, você é.
--- Pensei que meu pai fosse o seu melhor amigo...
--- Seu pai não tem seus encantos... Agora deixe de fita e aceite logo o presente.
Evelyn a abraçou com força. Ao se soltarem ficaram por alguns segundos se olhando. Uma batida na porta as fez voltar à realidade.
--- Tenho uma surpresa pra você. Acabou de chegar.
--- Outra?
--- Nossa primeira noite juntas depois de tantos dias separadas tinha que ser especial.
--- Será que eu mereço tanto?
--- Isso e muito mais. É uma forma de agradecer por ser minha amiga.
Lara foi até a porta e a abriu, deixando passar três homens que carregavam instrumentos.
--- Músicos! Eu amo música!
Lara fez um sinal para que eles começassem a tocar. Começou a soar então na sala de estar uma melodia suave e romântica. Um dos homens se pôs a tocar, a letra falava de um amor impossível.
--- Vem, vamos dançar! --- Lara a convidou lhe estendendo a mão
Evelyn segurou a mão da morena, que a puxou para mais perto a prendendo num abraço apertado. Lara, mais experiente começou a se mover num ritmo lento e sensual, levando a loira consigo. Lara passeava as mãos nas costas da amiga.
A loira sentia-se desfalecer nos braços de Lara, podia sentir o tremor em seus joelhos e algo quente e úmido entre suas pernas. O que era isso? Gostoso de sentir. Só Lara era capaz de fazê-la ter essa reação. Não sabia o que era, nem sabia se era bom ou ruim, apenas gostava de sentir. Tinha vontade de contar a alguém, não o fazia por medo de esse alguém julgar mal seu sentimento pela amiga. Só sabia que precisava de Lara sempre por perto, mas não tinha noção de como e nem quanto.
Enterrou a cabeça nos cabelos de Lara para tentar disfarçar o que estava sentindo, mas ao sentir o cheiro gostoso dos cabelos negros da amiga se arrependeu de chegar tão perto.
Sentiu os braços fortes da morena se aferrando mais a sua cintura, novamente aquele fogo entre suas pernas, só que dessa vez mais intenso... Mais gostoso...
Lara estava suando, dançar tão próxima a Evelyn havia se transformado em uma tortura tão deliciosa quanto cruel. Não podia continuar assim. Talvez não tivesse sido uma boa idéia. Afastou-se antes que perdesse o controle da situação e a fizesse sua ali na sala a força na frente dos músicos.
--- Evelyn, está tarde. Melhor eu te levar pra casa.
No dia seguinte Evelyn acordou cedo e foi para a escola. Ocupar a cabeça com seus alunos era tudo que precisava para esquecer um pouco de Lara. Não parava de pensar nela.
Ao final da manhã a loira deixou as crianças brincarem lá fora após ter contado uma história sobre Pinóquio.
Agora se sentia um pouco cansada, ensinar e cuidar de tantas crianças juntas ao mesmo tempo não era algo fácil, embora achasse prazeroso.
Sentou-se em sua mesa concentrada para corrigir os exercícios dos pequenos.
--- Hei... Contadora de histórias?! --- ouviu um sussurro sensual
--- Lara! --- levantou-se para recebê-la --- Que bom passou por aqui. Veio me ver?
--- Não... Vim aqui só pra analisar o tom de verde da grama do pasto aqui fora! --- respondeu com um meio sorriso
--- Engraçadinha! --- falou num tom de falsa irritação
--- Não sou...
--- Uma pessoa engraçada! --- cortou a frase da amiga remedando o tom de voz da loira --- Já sei! Já sei!
--- É claro que vim ver você!
--- Ah... Que bom! Por um minuto você me deixou preocupada. É sempre bom saber que sou mais interessante que a grama do pasto.
--- Trouxe uma coisa pra você --- Lara disse tirando uma maça de uma bolsa de coro que levava junto ao ombro
--- Ai que delicia! --- Evelyn pegou a maça --- Vermelhinha!
--- Agora tenho que ir, tenho trabalho pra fazer. Quero te pegar as seis em sua casa. Estou pensando em ir ver como estão as coisas lá no vinhedo. Mandei construir umas cercas.
--- Claro. Espero-te as seis.
Lara deu-lhe um beijo no rosto e saiu pela porta.
--- Professora? --- um garoto entrou na sala tirando a loira de seus pensamentos
--- Pode falar Mathew. --- respondeu ternamente --- O que quer?
--- A Senhorita é amiga da impiedosa Mc Gregor?
--- Sim, Mathew, somos amigas. Por quê?
--- Minha mãe disse que ela é estranha.
--- Hahahaha... --- riu com gosto --- Bom, talvez sua mãe esteja certa. A palavra estranha cai bem em Lara! Hahahaha...
--- Minha mãe disse também que ela é uma aranha!
--- Aranha? Como assim? --- interessou-se
--- Ela arrasta as vítimas para sua teia e as devora!
--- Do que você está falando, Mathew?
--- Não sei, mas sempre ouço isso. Meu pai disse que ela já te arrastou pra teia dela. Como é estar numa teia, professora? Ela já te devorou? O que é isso?
--- Mathew, vai brincar lá fora.
--- Nunca ninguém me responde as coisas interessantes da vida... Ah!
--- Mathew! Vá lá pra fora agora!
Algumas horas depois estavam caminhando pelo vinhedo.
--- Eve... Você está estranha. Aconteceu alguma coisa?
--- Isso é você quem vai me dizer.
--- Do que se trata?
--- Você tem uma fama na cidade...
--- Sim, sou a impiedosa Mc Gregor.
--- E o que fez pra ganhar esse apelido?
--- O que exatamente você quer saber, Eve?
--- A verdade.
--- Eu quero ouvir a pergunta da sua boca, diretamente.
Evelyn parou de caminhar e se sentou na grama. Lara abaixou-se e sentou ao lado dela sem olhá-la.
--- Eu quero saber se você gosta de fazer.... Coisas com mulheres e não com homens.
--- Primeiro não são coisas. --- falou categórica --- Você quer saber se faço amor com mulheres.
--- Que seja! --- impacientou-se --- Faz ou não?
--- Faço.
Evelyn se levantou num rompante de raiva.
--- Você me enganou esse tempo todo!
--- Eu não te enganei coisa nenhuma! --- devolveu no mesmo tom se levantando e se postando de frente a ela
--- Porque você não me contou antes?
--- Evelyn, a cidade inteira sabe disso! Como eu poderia imaginar que você não sabia?
--- Pois eu não sabia! E se você fosse realmente minha amiga teria tido o bom senso de me dizer com quem eu estava andando!
--- O que você quer dizer com isso?
--- Que graças a você estou sendo mal vista e mal falada na cidade inteira!
--- Evelyn... --- segurou a loira pelos ombros num desesperado gesto de tentar acalmá-la
--- Não me toque! --- se soltou do contato bruscamente --- Eu odeio você! Odeio você! Como pôde... Como pode?
--- Evelyn, me escuta!
--- Você estava tentando me arrastar pra sua teia? Estava?
--- Não. Em respeito a seu pai, meu amigo.
--- Então quer dizer que se não fosse por meu pai você teria...
--- Sim, teria.
Evelyn tirou o pingente do cordão que usava e o estendeu para que Lara pegasse.
--- Não quero nada seu! É sujo! É pecaminoso! É errado! É...
--- Chega, Evelyn! --- explodiu --- Chega! Você não tem o direito de me ofender dessa maneira. Eu confesso que sinto algo por você, mas não tentei usar nossa amizade pra me aproveitar! Caso contrário já a teria feito minha desde o momento em que fui pegá-la naquela maldita estação de trem!
Evelyn se manteve calada e Lara continuou:
--- Como pude me enganar tanto com você? Não passa de uma garotinha mimada que não enxerga um palmo diante do seu próprio narizinho bonito.
--- Eu quem me enganei com você! Pensei que fosse uma pessoa decente, honrada, de respeito!
Lara deu um tapa no rosto da loira.
--- Ai! --- gritou levando a mão ao rosto --- Você me bateu! Eu odeio você!
A morena agarrou Evelyn e a prendeu em seus braços. A respiração de ambas se acelerava a cada milésimo de segundo.
--- Eu amo você, Evelyn. --- chegou a boca bem próxima a dela e roçou seus lábios nos da loira
Evelyn fechou os olhos a espera do que viria. Sabia que o Lara pretendia e sabia também que a morena era muito mais forte e nada poderia fazer para defender-se.
--- E é por te amar --- continuou a morena --- Que eu te respeito.
Lara a soltou de sopetão fazendo com que Evelyn se desequilibrasse e caísse no chão. A morena a olhou do alto e disse friamente:
--- Pensei que você fosse diferente das outras pessoas da cidade. --- suspirou tristemente --- Me enganei.
Virou as costas e foi embora deixando-a caída no chão com uma expressão desolada.
Capítulo 8
Evelyn andava em seu quarto de um lado para o outro inquieta. Muitos sentimentos passaram por ela. Raiva, nervosismo, tristeza e por último arrependimento. Por mais que achasse que Lara tivesse uma má conduta, não poderia tê-la tratado daquele jeito.
Afinal, importava mesmo quem ela levava pra cama? Algo em Evelyn doía quando pensava em Lara na cama com alguém... Por quê? Será que tinha se apegado tanto a amiga que estava com ciúmes dela levar adiante uma relação e a esquecer? Depois de tudo o que tinha dito tinha certeza de que Lara jamais lhe dirigiria a palavra novamente. Precisava se desculpar!
Sem pensar, Evelyn correu até o armário e pegou um agasalho, estava frio lá fora. Desceu as escadas em silêncio para não chamar atenção de ninguém, seu pai não permitiria que saísse uma hora dessa sozinha.
Foi até o estábulo, selou seu cavalo e galopou velozmente até a Fazenda Arco Íris. Chegando lá desmontou com pressa sem ao menos se preocupar em amarrar o animal para que não fugisse. Correu até a porta da frente e se pôs a bater com força.
--- Lara! --- gritou batendo na porta --- Lara abra a porta! Precisamos conversar! Lara! Lara!
Será que ela não estava em casa realmente ou não queria atendê-la? Rodeou todo o casarão. Sem sinal de que alguém estivesse aí dentro. Onde será que Lara havia se metido?
--- Claro! --- sorriu --- No bar!
--- Mais uma rodada! --- Lara gritou para o garçom --- Essa é por minha conta, pessoal!
--- Lara... --- disse Ramon preocupado --- Não é melhor você parar por aí?
--- Não se atreva a me irritar, Ramon! Vim aqui pra me divertir --- olhou para uma garota loira perto do balcão --- E vou me divertir!
--- O que aconteceu? Dou minha cara à tapa se não tem Evelyn no meio... Que foi? Brigou com a nova amiguinha?
--- Bingo! --- disse virando o copo
--- E então? Irá me contar o que houve?
--- Ela descobriu que sou lésbica e não gostou nada... Rompemos.
--- Hum... Deixe-me ver se entendi: Ela descobriu que você é lésbica, mas não descobriu que ela mesma também é!
--- Exatamente.
--- Ela sabe que você está apaixonada por ela?
--- Sim.
--- E ainda não percebeu que ela mesma se apaixonou por você?
--- Não.
--- Mas que raios de menina tão inocente essa que ainda não percebeu que vocês são um casal!
--- Ramon!
--- Lara...Todos os cidadãos de Charleston sabem que vocês duas são um casal e não adianta negar. A forma como se olham, o jeito que se portam, sem falar na expressão corporal! Ainda que não tenham consumado a ato em si...
--- Eu sei! Mas ela ainda não percebeu! Como você mesmo disse, Evelyn é muito inocente.
--- E o que vai fazer agora?
--- Já disse! --- olhou novamente para a loira perto do balcão --- Vou me divertir! E não ouse tentar me impedir!
--- Hum... Já sei... --- disse ele ao notar o olhar dela devorando a menina --- Você está sentindo falta de uma mulher gostosa na sua cama... Vá em frente! Cure a dor de cotovelo ao menos por uma noite... Mas sabe que só estará tentando encontrar a sua loira no corpo dessa outra loira.
Lara lhe deu um olhar fulminante e se levantou e foi para onde estava a moça.
--- Será que posso pagar uma bebidinha? --- Lara disse num tom sensual no ouvido da loira do balcão
--- Não sei... --- a loira respondeu apreensiva --- Se quiser...
--- Ah... Pode apostar que eu quero... --- respondeu maliciosa --- Sabe que você é muito bonita?
--- Obrigada... --- respondeu pegando a bebida --- Sei quem você é... A impiedosa Mc Gregor.
--- E? --- perguntou arqueando uma sobrancelha sorrindo
--- E... Você é encrenca certa!
--- Acertou.
--- Preciso ir embora...
--- Não.
--- O que?
--- Eu disse não. Você não vai embora. Não sozinha...
--- Eu quero ir embora!
--- Sabe o que eu quero? Quero dar um passeio com você lá fora.
Sem dar tempo para a moça pensar, Lara a pegou pelo braço e saiu a arrastando para a porta dos fundos do bar. Do lado de fora chegou perto de umas árvores e a pressionou contra o tronco.
--- Me solta! --- a loira gritou
Mas ao invés disso, Lara capturou os lábios da bela mulher num beijo voraz. A moça não resistiu e retribuiu ao beijo, excitada.
--- Sabe o que eu vou fazer com você? --- Lara perguntou maliciosa
--- O que? --- respondeu com dificuldade tamanho desejo que a assolava --- O que vai fazer comigo?
--- Vou devorar você... --- respondeu passando a mão pelo corpo da moça
Começaram a se beijar com desejo. Lara deu uma pausa no beijo e se afastou um pouco, porém sem solta-la, para ver se havia alguém por perto, então seus olhos paralisaram na direção a direita há uns dez metros. Não acreditava no que via. Evelyn, a estava olhando com lágrimas nos olhos e uma expressão de pavor. Quanto tempo será que estava ali? Quanto da cena ela tinha presenciado?
Preparou-se para ir até ela, mas Evelyn saiu correndo.
--- Fique aqui! – disse para a moça quando esta fez menção de segui-la
Evelyn corria veloz por entre as árvores, porém Lara tinha as pernas mais longas e consequentemente mais rápidas. A morena conseguiu alcançá-la e a segurou pelos braços.
--- Evelyn!
--- Me solta, sua despudorada!
--- Não solto não! Não solto até você me dizer o que veio fazer aqui!
--- Pois não direi!
--- Evelyn, não me faça perder a paciência! --- disse a apertando mais forte --- Diga! O que veio fazer aqui?
--- Isso não importa mais... --- disse tristemente
--- Mas é claro que importa!
--- Eu vi você agarrando aquela babosa! --- gritou enfurecida --- Maldita desonrada!
--- Sinto muito que tenha presenciado. --- disse sinceramente
--- Mentirosa! Como pode ser tão falsa?
--- Defina falsidade.
--- Ato de fingir, mentir, enganar! --- disse irritada --- É isso o que você faz!
--- Porque está dizendo isso, Evelyn?
--- Há poucas horas estava dizendo que sente algo por mim, que me ama! Que forma mais estranha você tem de amar...
--- Eu não menti pra você, Evelyn! Eu te amo!
--- Não me faça rir! --- disse com desdém --- Te flagrei beijando aquela desonrada! E você estava gostando! --- gritou irritada --- Não estava? Não minta!
--- Nem passou pela minha cabeça mentir. Eu estava gostando sim.
--- Eu odeio você! Odeio você!
--- Qualquer um diria que você está com ciúmes...
--- Não diga coisas absurdas! --- disse enfurecida --- A única coisa que sinto por você é nojo... E ódio! Eu odeio você! Odeio você!
--- Já te disseram que ódio e amor caminham juntos?
--- Já te disseram que você é uma cínica mentirosa! Aposto que já te disseram milhões de vezes!
--- E eu aposto que você queria estar no lugar daquela moça comigo lá nos fundos...
--- Pois aposto que você é uma louca fugitiva do manicômio!
--- Pois aposto que você quer um beijo... --- a agarrou forte contra o corpo --- Porque mais você estaria aqui? Quer provar do meu sabor, Eve? Quer se prender em minha teia? --- sussurrou no ouvido dela --- Quer que eu te devore?
Evelyn sentiu as pernas tremerem, um arrepio correu por todo o seu corpo, sabia que estava querendo, ansiando as carícias de Lara, seus beijos, seu amor... Não podia ceder!
--- Nada seria mais repugnante que um beijo seu! --- disse olhando Lara nos olhos passando convicção, mas sabia que estava mentindo
--- Pois bem! --- a soltou --- O dia em que eu te beijar, Evelyn Morgan, será porque você me implorou!
--- Caia dessa nuvem! Isso nunca vai acontecer! Nunca! --- Evelyn saiu correndo e Lara não a seguiu dessa vez
Semanas haviam se passado e a vida continuava. Evelyn agradecia pelo fato de estar trabalhando como professora, assim teria menos tempo pra pensar em Lara. Como a odiava! Naquela noite em que esteve no bar atrás dela para se desculpar a flagrara em ação. Ficou com muita raiva de vê-la beijando aquela mulher. Havia ido pedir perdão por ter se portado mal, mas viu que a morena nem ao menos tinha ficado triste, muito pelo contrário, estava se divertindo com aquela babosa!
O pior é que pela primeira vez se dava conta da influência da morena sobre ela. Da vontade latente em seu âmago de se entregar as carícias de Lara. Dormir havia se tornado um tormento, todas as noites rolava de um lado para o outro, ansiando um contato que nem ao menos sabia como era. Queria o corpo de Lara, seus beijos, mas não sabia de que forma... Tinha medo... Medo do que estava sentindo, medo de não ter mais volta, medo de não resistir e se entregar a luxúria, ao pecado. Iria para o inferno com certeza!
Com o rumo dos seus sentimentos, tomou a decisão de fazer o possível para evitar se encontrar com Lara. Era o único meio de se assegurar que nada aconteceria.
Lara por sua vez, havia decidido esquecer da existência de Evelyn voltando à vida que levava antes: bebidas e mulheres, alternado com trabalho duro e competente. Era uma mistura aparentemente suficiente para fazer esquecer qualquer coisa, mas não era. Evelyn estava gravada em sua alma e em seu coração a ferro e a fogo.
Numa tarde após chegar da escola, Evelyn encontrou seu pai com Peter, o filho do prefeito na sala de estar.
--- Boa tarde, Senhor Peter. --- Evelyn cumprimentou o jovem rapaz estendendo sua mão --- Como está passando?
--- Muito bem, Senhorita Evelyn, obrigado. --- sorriu e beijou a mão estendida da loira --- E a Senhorita, como está?
--- Muito bem, obrigada. --- virou-se para o pai e o beijou no rosto --- Oi papai!
---Eve, minha filha --- Leonor respondeu sorridente --- Peter veio aqui para lhe fazer uma proposta. Sente-se.
Evelyn se sentou, mas algo dentro dela gritava para que saísse correndo. Podia imaginar o que estava por vir. Sabia que quando um rapaz ia visitar uma moça solteira, de certo que teria intenções para com ela. Intenções esta que não estava disposta a aceitar. Mas se manteve cortês e educada o tempo todo, ainda que não sorrisse.
--- Senhorita Evelyn --- Peter começou a falar timidamente --- Seu pai me deu permissão para vir cortejá-la.
--- Senhor Peter --- a loira respondeu calmamente --- Estou certa de que meu pai permitiu, sei que ele deseja um bom casamento para mim e agradeço que queira me ver feliz e bem casada, mas devo lembrar os dois que na minha pessoa mando eu, portanto quem deve permitir ser ou não cortejada sou eu e ninguém mais. --- levantou-se deixando os dois de boca aberta --- Com a sua licença. Estou cansada e preciso de um banho. Adeus, Peter.
--- Até breve, Senhorita. --- o rapaz se levantou sem graça
Evelyn se retirou da sala de estar e foi para seu quarto.
--- Eu disse que não seria fácil! --- disse Leonor também se pondo de pé --- Eu conheço a minha filha! Quando ela mete algo na cabeça não há uma viva alma que a faça tirar!
--- Ao menos eu tentei... --- respondeu o rapaz aparentando tristeza --- Mas creio que de certa forma a Senhorita Evelyn tem razão. Ela é quem deve dizer se posso cortejá-la ou não.
--- Dê-lhe tempo para assimilar a nova situação.
--- Está certo. Alguns dias depois pretendo retornar a sua casa, Leonor. Pretendo tentar novamente. Apaixonei-me por sua filha desde o instante em que a vi. Ela é linda!
Alguns dias depois Leonor estava na casa de Lara. Encontrava-se com um problema e toda vez que se via em apuros corria para sua grande amiga.
--- Mas tem que ser você, Lara! --- Leonor pedia com angustia --- Não tenho outra amiga mulher! E francamente, travestir algum homem está fora de cogitação!
--- Leonor, não posso! --- respondeu veemente --- Simplesmente não dá!
--- Porque não? Qual é o problema, Lara? --- perguntou irritado --- Você é mulher e as mulheres usam saias, ora!
--- Sim, as mulheres usam saias, mas eu não!
--- Lara, tente me entender...
--- Pois se você foi homem o suficiente para levar uma moça solteira pra cama, pois que seja homem pra se casar com ela!
--- Não posso! É por isso que peço que se passe por minha noiva! Não vou me casar com Odeth!
--- Porque diabos não se casa! Ela é bonita, ela é inteligente...
--- Esse é exatamente o x da questão.
--- Oh! Não me diga que está aberta a temporada de caça as moças possuidoras de cérebros!
--- Lara! Não é hora pra fazer graça!
--- Não sou uma pessoa engraçada... --- disse rosnando
--- Beleza e inteligência é uma combinação perigosa em uma mulher... Já me bastam os problemas que tenho com Evelyn!
--- Não ponha Evelyn no meio, Leonor!
--- O caso é que... --- passou a mão na cabeça em sinal de desespero --- Lara, me ajude! Se vista como uma dama, me acompanhe a essa festa amanhã e ela desistirá de mim! Pensará que sou um enganador.
--- Não Leonor! --- respondeu séria --- Não usarei vestido!
No dia seguinte era um sábado. Leonor havia se arrumado com esmero. Trajava terno e gravata e andava ansioso de um lado ao outro da sala.
--- Papai --- disse Evelyn ---- Desse jeito você vai fazer um buraco no chão! Porque está tão ansioso... --- deu uma olhada melhor nele reparando a roupa --- E tão elegante... Aonde vai?
--- Vou a uma festa na cidade vizinha.
--- Hum... Pretende arrumar uma namorada, é?
--- Bem... Na verdade pretendo desarrumar! Se tudo der certo...
--- Desarrumar? Hahahaha... --- riu --- O que quer dizer com isso, pai?
--- Minha filha, não tenho mais idade pra casar novamente...
--- Falou o Senhor dinossauro!
--- É sério, Eve! Não posso me casar... Ainda mais com Odeth!
--- Odeth? A chata? Hahahaha... --- riu mais ainda --- Paizinho... Quem mandou arrumar sarna pra se coçar? Hahahaha...
--- Mas se meu plano der certo, me livro dessa!
--- Que plano? --- perguntou curiosa
--- Vou apresentar a Odeth minha noiva!
--- Noiva? --- riu --- Hahahaha... --- Só você mesmo pra inventar uma noiva pra se livrar de casamento! Hahahaha...
--- É, mas pode dar certo!
--- E quem espera?
--- Lara.
--- Lara? --- perguntou num fio de voz
--- Ela irá me ajudar.
O coração de Evelyn queria saltar pela boca. A simples menção do nome da morena já lhe era suficiente para fazer seu coração palpitar enlouquecidamente. O corpo tremia feito vara verde.
Então Lara iria a uma festa na cidade vizinha? Pois mesmo fingindo ser a noiva de seu pai, tinha certeza que a intenção oculta dela era ir atrás de mais mulheres! Pois de certo as da região já devem tê-la fatigado!
Os pensamentos da loira foram cortados por batidas na porta. Ela havia chegado! Ela! Tinha conseguido evitá-la ao máximo por todos esses dias e agora ela estava ali... Tão perto... Apenas uma porta as separava. Precisava sair dali! E rápido!
Evelyn já ia subindo os primeiros degraus da escada quando seu pai a chamou:
--- Eve, abra a porta, deve ser Lara! --- disse ele passando por ela na escada --- Diga a ela que vou pegar um casaco e já volto.
Evelyn se viu numa sinuca de bicos. Sabia que tinha que abrir a porta, mas por outro lado sabia que não se sentia pronta para olhar novamente nos olhos da morena. Não depois do que tinha presenciado outra noite nos fundos do bar... E depois de ter descoberto seus próprios desejos...
Sem opção, desceu os degraus e foi até a porta. Ao abrir seu queixo caiu diante da fenomenal mulher parada diante dela. Sem dúvida era Lara... Mas era uma Lara diferente, refinada... Estupenda! Usava um vestido vermelho, justo na cintura e bem decotado. Os cabelos meio presos com um lindo adorno de brilhantes combinando com um lindo colar que lhe realçava o colo. Evelyn a olhava fascinada.
--- O que é? --- perguntou Lara --- Vai ficar me olhando o dia todo ou me deixará entrar?
--- Han? O que...que... --- gaguejou --- Entra! --- Evelyn saiu do transe em que se encontrava, mas não podia desviar os olhos do decote da morena. Os seios dela subiam e baixavam num movimento rápido de expira e inspira.
--- A propósito... --- Lara disse entrando --- Meu rosto é mais em cima! --- sorriu triunfante
--- Se por fora parece uma dama... --- a loira respondeu desviando rapidamente o olhar dos seios de Lara --- Por dentro é a mesma insuportável de sempre!
--- Você não consegue parar de me olhar, não é mesmo? O que foi, Evelyn? Está pensando em entrar no negócio das teias?
--- Deixa de ser ridícula, Mc Gregor!
--- Achei que já havíamos superado essa coisa com meu nome... --- a olhou com ar zombeteiro
--- Apenas não estou acostumada a vê-la como uma dama! Pois claro... Requinte é algo que lhe falta! --- alterou o tom de voz
--- Olha aqui garotinha --- a segurou pelo braço --- Se por um lado me falta requinte, por outro me sobram astúcia! Eu sei o que você pretende!
--- Ah sabe? E o que eu pretendo?
--- Você tem um pacto com o demônio pra me enlouquecer! É isso!
--- Te enlouquecer nem passou pela minha cabeça...
--- Ah não? --- num movimento ágil, Lara a puxou pela cintura colando seu corpo no dela --- Mas enlouquece assim mesmo... Como ninguém nunca tinha conseguido antes...
Lara respirava no ouvido de Evelyn, roçou o nariz e a própria bochecha por toda a face da loira. Com o polegar tocou-lhe os lábios.
--- Lara...
--- Que foi? --- disse sussurrando, excitada
--- Você disse que só me beijaria se eu implorasse...
--- Sim... --- gemeu baixinho na quase tocando a boca de Evelyn
--- Pois então me solta que nem ao menos estou te pedindo! --- sorriu triunfante --- Quanto mais implorando!