Xena: A Conquistadora de Nações

- O Nascimento de Callisto -

Gustavo Samuel

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Disclaimers, advertências ou coisa que o valha: Eu estou louco pra dizer que isso é só uma porcariazinha, que vocês deveriam procurar algo mais interessante, uma fic da Carla ou da Cecília. Mas vou me conter, quero realmente que vocês leiam isso e comentem, critiquem, avaliem.  Só assim posso crescer e melhorar. Só assim posso ser um dia um grande escritor. Espero que a fic esteja pelo menos a altura dos pés da mais fodástica vilã de todos os tempos, a má e adorada Callisto.

Esse espaço serve também para agradecer. Porra, tem tanta gente. Bel e Carol, mãe e filha, que leram, palpitaram e me apoiaram. Cris, minha grande amiga. Dy, aquela paranóica maravilhosa. Bidi, Rapha, Lu, eteceteras, eteceteras e eteceteras.  Ah, também tem meu papagaio (eu tenho papagaio?) e a grande, inigualável, estupenda apoiadora de novos fiquiteiros (neologismo infame!) Carlinha!

 

 

Um poderoso exército está pronto para atacar um pequeno vilarejo. São mais de uma centena, metade deles está montada em belos e fortes cavalos, os outros empunham enormes lanças de bronze. Ouve-se alguém gritando “já” e duas imensas bolas de fogo são lançadas de catapultas contra a muralha que protegia a vila, que inevitavelmente caiu.

Uma mulher morena, à frente de todos os outros, brande sua espada, solta um forte grito de guerra e incita seu cavalo a correr em direção à vila. Os guerreiros a seguem. Enquanto isso, dois rapazolas atiram flechas flamejantes contra dois barris de “fogo grego”, que explodem imediatamente.

Na vila, todos observam a cena apavorados. O artifício dos mercenários fez parecer que vinham do céu, em terríveis cavalos de fogo. O exército improvisado (alguns homens vestindo uniformes de couro e empunhando velhas espadas e alguns camponeses com suas foices) hesita em atacar, o que irá lhes custar a vida.

A mulher que vem a frente do bando pega de sua cintura um aro que parece ser feito de aço e o atira. O círculo destrói as espadas de seis guerreiros, bate em uma parede e volta para a mão da guerreira, cortando a garganta deles antes.

- Ela é um monstro!

A guerreira salta de seu cavalo, desembainha sua espada e dá uma pequena risada.  Quatro soldados a envolvem. Ela gira a espada e a crava no abdômen de um deles, dá um chute em outro, jogando-o no chão e uma cotovelada no terceiro. O quarto tenta fugir, mas ela salta e o agarra por trás. Depois, com a ponta dos dedos, lhe aplica um golpe no pescoço.

- Aproveite seus últimos trinta segundos de vida.

Calmamente, ela volta até os guerreiros que nocauteou há poucos instantes.  Retira a espada da barriga do morto e vai até o que ela chutou, que estava consciente.

- Diga a Hades que Xena mandou lembranças.

Dizendo isso, ela gira a espada e lhe corta o pescoço lentamente, se deliciando com a dor do inimigo.

O exército de Xena já havia dominado a vila. Do pequeno exército de aldeões, sobraram uns poucos, que suplicavam feito crianças por suas vidas. A guerreira vai até eles, sorrindo de prazer com o seu sofrimento.

- Devemos matá-los?
- Não. Deixem esses porcos viverem. Assim podem reconstruir a vila, e a saquearemos depois. Peguem tudo que for útil. Comida, remédios, agasalhos. Tudo.

Os aldeões olham desgostosos os bárbaros saquearem o fruto de seu trabalho árduo, mas nada podiam fazer. Se fossem loucos o bastante para atacar, seriam dizimados. Um deles olhava com ódio para a mulher, sabia que ela os manteve vivos não por piedade, mas para que padecessem vendo a destruição da aldeia.

Xena observava tudo com deleite. Adorava a sensação da vitória, mesmo quando o inimigo era tão fraco. O medo nos olhos dos habitantes da aldeia a enchia de prazer. Um par de olhos, entretanto, a encarava com ódio. Aquele jovem fez ela se lembrar de si mesma anos atrás. Também encarou daquela forma os assassinos de Lyceus.





- Eles não me entendem.  Nunca reconhecem o meu valor. Faço tudo por eles e o que ganho em troca? Nada.

Uma pré-adolescente carrega dois baldes de água e resmunga contra seus pais para um colega da mesma idade, que também carrega baldes. Ele sorri para a amiga, tentando acalmá-la.

- Relaxa, Cal. Até parece que seus pais te odeiam.
- Ah, Philemon. Diz isso por que eles não são seus pais.

Philemon para de andar e deixa os baldes no chão. Ele olha para o lado contrário da menina, tentando, sem sucesso, esconder sua tristeza.

- É melhor que ser órfão, Callisto. Com certeza. E eles não são ruins, você é que está nervosa.

Callisto pensa em responder, mas sabe que Philemon está certo e que só quer o seu bem e, também, não quer brigar com seu melhor amigo.

- Tirando a parte que eles não são ruins, você está certo.

Eles riem um pouco e voltam a carregar os baldes.

- Me diga, Cal. Qual foi o motivo da ultima discussão?

A menina olha para o céu, fingindo dúvida.

- Deixe-me ver. Trabalhos domésticos foi semana passada, a cadeira quebrada na outra.

Philemon não consegue evitar uma risada.

- Dessa vez foi casamento.

O garoto a encara com os olhos esbugalhados.

- Casamento? Já estão querendo te casar?
- Não. Estão brigando comigo por viver como um menino, brincar com espadas, subir em árvores. Segundo minha mãe, já estou com idade de me comportar como uma mocinha. Tenho que pensar em casamento.
- Ah.
- Oras, eu não quero me casar. Quero ser uma guerreira.

Philemon balança negativamente a cabeça.

- O que? Acha que uma mulher não pode guerrear?
- Não é isso. Acho a guerra uma péssima escolha.  Já pensou que assim teria que matar pessoas?

Callisto não responde. Philemon pensa que convenceu a amiga de que a guerra é algo ruim, mas a verdade é que Callisto não respondeu para não aborrecer seu amigo. Ela sentia que poderia matar alguém e conviver com isso, não que desejasse sangue, mas se fosse necessário...

Os dois chegam à taverna da vila, onde mora Philemon.

- Quer ajuda?
- Pode deixar. Atrius vai acabar se zangando se não for ajudá-lo.
- Até mais, então.
- Até.




Xena retira aos poucos sua armadura e a negra roupa de couro. Coloca um pé na água, sentindo sua temperatura, para em seguida imergir na sua grande tina. Nesse exato momento, Ares aparece.

- Mais uma vitória da minha princesa guerreira.
- Nada de mais. Só uma vila ridícula, com aldeões ridículos.

Ares massageia as costas da guerreira.

- Cirra não será tão simples.
- Por isso ataquei aquela vila idiota. Para ter suprimentos. Mas você sabe que Cirra também não tem porte para me satisfazer, não é?
- Sei. Só não sei se existe algum lugar com porte que te satisfaça.

Xena se vira para o deus da guerra e depois começa a beijá-lo com furor.




Horas depois, em um templo do deus da Guerra:

A princesa guerreira e o deus da guerra estão frente a frente, com sorrisos maliciosos em seus rostos. A ponta da espada de um chega a tocar o pescoço do outro de leve.

- É tudo que tem, deus da guerra?
- Quer mais?

Os dois recuam um pouco e voltam a lutar. As lâminas das espadas se debatem em um ritmo alucinante. Um ataca, o outro se defende e responde com a mesma intensidade. Ser um deus não dá vantagem alguma a Ares, que enfrenta a princesa guerreira com dificuldade.

- Um deus não pode vencer uma reles mortal? – Xena provoca.
- Você não é uma reles mortal, Xena.

A guerreira levanta uma sobrancelha para o deus e sorri maliciosamente. Este a ataca com um raio, ela dá um salto para trás, se agarra em uma corrente e volta com toda a força, atingindo-o no peito. Ela salta novamente e cai sobre Ares, que estava estendido no chão
.
- Pare de gracinhas, Ares. Quero que lute com toda a sua força.
- Você sabe que faço com toda intensidade aquilo que me dá prazer.

Dizendo isso ele começa a beijar o pescoço da guerreira, que o incita por alguns momentos, para decepcioná-lo em seguida, evitando-o abruptamente.

- Então já não é forte o suficiente para mim.

Ela se levanta e fica de costas para ele, olhando divertidamente para o chão.

- Não seja ingrata. Você estava no fundo do poço quando te encontrei. Transformei o seu potencial em realidade.

Mais provocante ainda, ela responde.

- Passado, deus da guerra. Passado.
- Não me faça perder a paciência.

Ela se vira, e o encara maliciosamente, põe sua mão sensualmente no seu peito e pergunta:

- O que vai fazer? Me matar?

Eles se beijam.

- Sabe que não pode viver sem esses olhos azuis, não é?






- Sua mãe não brigou por você ter ficado até tarde na Taverna, não?
- Não muito. Ela sabia que estávamos juntos, então só disse para tomar cuidado. Ela te acha uma boa influência.

Os dois estão na margem de um lago, jogando pedrinhas. Philemon joga uma que ricocheteia (?) três vezes antes de afundar. Callisto também joga uma que ricocheteia nove vezes.

- Pode dizer. Eu sou a melhor.
- Você é a melhor, Cal.

Os dois se deitam no chão, dando risadas. Callisto olha com ternura para Philemon e decide contar tudo o que sente para o amigo e que nunca teve coragem de dizer.

- Ela tá certa, Philemon.
- Ela quem?
- Minha mãe. Você é uma boa influência. Não sei o que seria sem você.

O rosto de Philemon fica vermelho. Os dois se levantam para que os olhos de um encontrem os do outro.

- Você é a melhor amiga que alguém poderia ter.

Agindo meio que por instinto, ele segura de leve o queixo dela e, bem levemente, toca seus lábios nos dela. Dessa vez é Callisto que enrubesce. Ela dá um passo para trás e sorri marota.

- Se me seguir, corto sua garganta.

Sem tirar os olhos dos de Philemon, recua devagar. Depois sai correndo. O garoto se deixa cair na grama e fica olhando para o céu, tentando entender o turbilhão de sensações que está sentindo (?).

 

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Xena verifica os danos sofridos no ultimo saque. São poucos, um cavalo morto e poucos feridos. As explosões que ela causou foram mais destrutivas que a resistência deles. Nada que pudesse preocupá-la.

Cirra não era páreo para seu exército, mas certamente seria ajudada por aldeias vizinhas, que temiam o avanço de seu exército, pois sabiam que seriam as próximas destruídas impiedosamente. Era preciso inteligência para não sofrer danos mais sérios, por isso tinha decidido visitar, disfarçada de camponesa, a vila.

- Xena!

Um dos seus homens, puxando uma velha, grita por ela. Está visivelmente irritado com a mulher e a arrasta da forma mais cruel possível até sua comandante.

- Essa velha cega estava a dizer asneiras no acampamento.

A guerreira levanta uma sobrancelha para ele, pedindo mais informações.

- Dizia que queria falar com a mulher dos olhos azuis, comandante desse exército e que tinha que avisá-la de seu futuro, que seria muito sombrio. É uma demente.
- E por que me incomoda com uma velha gagá?

O homem não responde. A velha faz isso por ele.

- Por que provei que meus olhos, apesar de não enxergarem o presente à minha frente, conhecem bem o futuro. Disse como... ele iria morrer.

Um sorriso maldoso surge no rosto da guerreira.

- E como será?
- Torturado impiedosamente às suas ordens.

A gargalhada da comandante deixa o guerreiro apavorado.

- Menelau, Ájax. Faça com que o destino de Antônio seja cumprido.

Os dois seguram Antônio pelo braço e o levam. Este grita desesperadamente.

- Piedade, comandante. Sempre fui leal a ti.

- Um soldado do meu exército que pede piedade e chora como uma criança por sua vida não merece viver.

Ele é arrastado pelos dois outros soldados até uma tenda, onde os prisioneiros são torturados. Xena escuta por algum tempo os gritos desesperados de Antônio e depois se volta para a velha.

- Venha comigo.
- Então... Também sabe quando vou morrer e veio me avisar?

Xena senta em um trono todo ornamentado de ouro e pedras preciosas.  Ela observa a mulher atentamente. Uma de suas sobrancelhas está levantada (?), demonstrando a preocupação no rosto da guerreira.

- Não. Vim tentar fazer algo que não acredito ser possível.

Ela aperta os lábios em sinal de impaciência.

- Acha que o destino não pode ser mudado, não é?
- É.
- Então, porque está aqui?

Xena dá um murro na mesa.

- Há muito tempo, eu também fui uma guerreira. Manejava como ninguém uma espada. Era rápida, forte, destemida. Um dia minha aldeia foi atacada por um bando de mercenários carniceiros. A primeira coisa em que todos pensaram foi fugir para as montanhas, salvar tudo que pudessem. Eu, no entanto, tinha um espírito guerreiro. Incitei vários jovens e alguns velhos a formarem um exército e enfrentar o inimigo.

Xena sentia que cada palavra dita por aquela mulher era soco em seu estômago. Desejava cortar a cabeça dela fora para que parasse com aquele relato que lhe trazia tão nefastas lembranças, ao mesmo tempo em que desejava saber cada detalhe da história.

- O exército era muito forte, mas lutávamos bravamente. A derrota veio com muito sangue, inclusive o da minha família.

A imagem de Lyceus vem na mente da guerreira. Uma lágrima solitária corre pelo seu rosto. Ela aperta os olhos com força, para evitar que outras também sejam derramadas. Outro murro na mesa.

- Sabe do meu passado e me vem com essa história para que eu acredite nas suas profecias.
- Você sabe que digo a verdade.

A guerreira vai até a velha e aperta seu pescoço.

- Prove.
- Por que decidiu ser a destruidora de Nações, Xena? Se tornou o que mais odiava. Uma assassina.  Quer a cabeça de César, não é? Você o odeia por ter causado a morte de M’yla, não é mesmo? Quando finalmente tinha encontrado alguém que a reconfortasse, que gostava de você como Lyceus gostava, um traidor miserável a tira de você.

A guerreira solta o pescoço da cega.

- Qual seu nome?
- Mirian.
- O que veio me dizer?
- Vim pedir que não ataque Cirra.

A guerreira solta uma gargalhada irônica.

- Por que não destruiria aquela aldeia?
- Para evitar que a mesma história se repita, terminar o círculo de violência. A destruição em Cirra será terrível. Casas queimadas, a vila dizimada, quase todos mortos, inclusive mulheres e crianças.

Xena segura Mirian pelos ombros com força, visivelmente irritada.

- Eu não mato mulheres e crianças.
- Você não quer matar mulheres e crianças. É diferente. Xena, você pode parar o ciclo de violência. Você não é uma assassina.

As palavras da velha fazem surgir lembranças à mente da guerreira.


Uma Xena mais jovem chora sobre o corpo de Lyceus, quando sua mãe aparece em sua sepultura.

- No que estava pensando quando resolveu lutar contra Cortese?
A jovem guerreira olha para o chão. Tem medo do repreensivo e amargurado rosto de sua mãe.
- Deveriam ter ido para as montanhas conosco. Não tinha que arrastar seu irmão para essa loucura, agora... Agora ele está morto.
Cyrene começa a chorar. Xena coloca sua mão direita no ombro dela, mas a mãe a repele bruscamente.
- Nós tínhamos que nos defender. Se não tivéssemos lutado, Amphipolis estaria destruída completamente e talvez fossemos escravos de Cortese agora.
Cyrene balança a cabeça nervosamente. Ela enxuga as lágrimas, que teimam em cair, com as palmas das mãos.
- Não somos guerreiros, Xena. Nas montanhas estaríamos bem protegidos. A responsabilidade pela morte de Lyceus é sua. Você o matou.
Xena volta a chorar. Não acredita no que ouve. Sua própria mãe lhe chamava de assassina. Ela vai em direção à saída bem devagar. Ela queria que alguém lhe dissesse que não era culpada pela morte do irmão, silenciando seu coração, dizendo que ela e Lyceus foram dois heróis e que ele tinha morrido honrosamente, protegendo sua pátria.
- Eu prometo, Lyceus, que serei incrivelmente forte. Ninguém mais irá atacar Amphipolis novamente e que a cabeça de Cortese não ficará muito tempo junto a seu corpo.


- O que te faz pensar que não sou uma assassina?
- Posso ver como você sofre no futuro. Já senti a mesma coisa.
- E o que você tem com isso?
- É o que devo fazer.

A guerreira anda de um lado para o outro. Os piores momentos da sua vida lhe vem à mente. Pessoas gritando, implorando piedade. Cyane no tronco da árvore, a tristeza nos olhos de Lao Ma, a morte de M’yla e de seu irmão.

- NÃO! EU SOU UMA ASSASSINA.

Ela grita com raiva e joga a vidente no chão. Senta na barriga dela e começa a estrangulá-la.

- Por minha causa, Lyceus morreu. M’yla também, porque quis me proteger. Eu não ligo se vou sofrer ou não. Tudo que quero é destruir, matar. Quero a cabeça de Cortese e César em uma bandeja. Eu quero ser uma assassina.

Sufocando, Mirian ainda consegue proferir mais algumas palavras.

- Eu quis mudar o que vi, pois achei que era o certo. Mas acredita em mim, Princesa Guerreira, sua alma é boa. Um dia, alguém como Lyceus, Lao Ma e M’yla te fará ver isso. Me desculpe por ter falhado. Só não queria que alguém mais sofresse como você e eu.