O desabrochar da paixão

- Um conto da primeira vez -

Rose Angel

 

 

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Cada qual se vestiu num aposento diferente, pois haviam combinado fazer surpresa em relação aos trajes. Edna foi a primeira a descer trajando uma vestimenta de crepe de seda amarelo ouro, com detalhes alaranjados. Tratava-se de um pano bastante comprido, estrategicamente enrolado no corpo, no melhor estilo indiano, cujo arremate era um cinto de couro cru trançado com sete fios e onde se encontravam incrustadas pequenas piritas douradas, que refletiam a luz conforme Edna se movimentava. O caimento do tecido aderia ao pequeno corpo esguio, deixando-a com as curvas à mostra e valorizando seus contornos. Na verdade Edna era o tipo de pessoa na qual tudo caía bem. Se ela resolvesse se enrolar num farrapo de juta ainda assim conseguiria deixa-lo com aparência elegante.

Morgana, discreta como sempre, estava usando um vestido longo, justo e negro como a noite. Em seu pescoço um colar de sementes e conchas que fazia cerca de oito voltas, tamanho o comprimento. Seus cabelos longos e soltos emolduravam o conjunto com um halo de luz vermelho-alaranjada. Acabava sempre aparentando ser mais alta, por seu porte esguio e pelo corte de sua roupa.

Logo em seguida Xena desce as escadas com um corpete de veludo azul marinho, todo bordado com pequenas estrela prateadas, decotado a ponto de valorizar o busto de quem o trajasse. Os cabelos negros, também soltos, caíam-lhe sobre os ombros. No alto da cabeça usava o diadema que havia ganho de Gabrielle. Este refletia a claridade projetando-a em fragmentos de luz azul na mesma tonalidade dos olhos de Xena, como se os raios emanassem da própria mulher que o ostentava. Xena também havia contornado os olhos com uma tintura azul escuro e em sua boca uma fina camada de um óleo egípcio que deixava os lábios brilhantes, como que se estivessem constantemente molhados de saliva. Da parte de baixo do corpete pendia uma saia de fina seda negra, bastante rodada, mas cujo caimento a fazia aderir ao corpo. A saia era curta e sua barra, toda bordada com fios prateados, terminava quase de um palmo acima dos joelhos de Xena, deixando parte das coxas expostas a quem quisesse apreciar aqueles monumentos que serviam de alicerce para a princesa guerreira e que eram parte do deleite de Gabrielle. Xena estava deslumbrante, seria capaz de parar um exército se assim o desejasse, somente desfilando diante do mesmo.

Um pouco mais tarde é Gabrielle quem desce as escadas fazendo Xena prender a respiração. Vestia uma mini blusa de veludo vermelho, com um decote acentuado e mangas três quartos, toda bordada com minúsculas flores brancas cujo miolo era um pequeno cristal amarelado. Até aí, tudo bem. Xena vai descendo os olhos e vê que no umbigo de Gabrielle havia uma pérola encaixada, tão aconchegada na cavidade que era como se tivesse nascido ali. Logo abaixo uma mini-saia branca, semi transparente, feita de vários pedaços de finos tecidos sobrepostos, cujas extremidades davam um acabamento irregular em pontas, deixando ver o contorno da calcinha rendada e, para um bom observador, os contornos das nádegas e coxas, pelo menos pequena superfície das coxas, pois a maior parte estava descoberta. Por fim calçava sandálias de tiras de couro brancas, trançadas até quase os joelhos. Havia prendido os cabelos no alto da cabeça, num rabo-de-cavalo que lhe dava um aspecto juvenil. Gabrielle também havia caprichado na maquiagem. O contorno dos olhos estava ressaltado por uma coloração escura, realçando o verde dos olhos e havia tatuado seus pulsos e antebraços com henna, em motivos orientais. A boca ostentava uma pintura em tom vermelho vivo, contrastando com a pele clara e combinando com a cor de sua mini-blusa. Desceu a escadaria num gingado provocativo e foi até onde Xena se encontrava sentada, àquela altura quase que sem ar, debruçando-se sobre ela e lhe beijando suavemente os lábios, para não estragar a maquiagem.

Xena continua boquiaberta e Edna não perde a oportunidade:

- Xena...fecha a boca...vai acabar engolindo uma mosca!!!
- Edna... faça o favor... – repreende Morgana.
- Mas desse jeito ela VAI engolir uma mosca! – responde Edna.
Morgana não resiste e acaba rindo da situação. Gabrielle também se diverte. Xena respira fundo e diz:
- Meu amor... você não tinha mais alguns pedaços de pano para se cobrir???... e essa saia está indecente... LINDA, mas indecente...
Nova gargalhada ecoa pela sala.
- Deixa ela, Xena – retruca Edna – Gabrielle está deslumbrante!
- É claro que está!!! Aliás... TODO MUNDO vai achar Gabrielle deslumbrante... – responde Xena.

Gabrielle se aproxima novamente de Xena e lhe sussurra no ouvido:
- “Todo mundo” pode olhar e achar mas é só você que pode  “usufruir”... – diz beijando o lóbulo da orelha de Xena.

Xena fica arrepiada até a raiz dos cabelos. Gabrielle realmente sabia como desconcerta-la. Resta-lhe sorrir e dar-se como vencida.

Gabrielle se afasta um pouco e observa Xena detalhadamente:

- Ora, ora... olha quem está falando em cumprimento de saia, dona Xena! Na SUA também não está faltando pano no cumprimento, não???...
- Bom... – desconversa Xena – vamos encerrar esse assunto por aqui, certo? Afinal, é dia de festa, de confraternização...
- É, depois a gente conversa... – concorda Gabrielle sorrindo e lhe piscando um olho.

Neste momento, escutam-se sons de conversas e cascos de animais se aproximando pela entrada principal. São as primeiras convidadas que chegam.

As quatro se dirigem ao portal de entrada para recepcionar as visitantes. Avistam uma animada turma de seis mulheres acenando para elas alegremente. O sol ainda não havia se posto no horizonte, estando ainda visível sobre a copa verde das árvores no oeste da ilha de Lesbos. As visitantes chegam numa carroça de madeira, com quatro grossas rodas de metal, puxada por uma parelha de bois: Preguiça e Descanso.

- Êia, Descanso!!! Acelera Preguiça!!! – se ouve ao longe.

O sexteto era de fato muito animado. Formavam um conjunto musical. Residiam na localidade de Kalonis, que ficava a oeste da Lagoa Kallosis, bem no centro da ilha de Lesbos, por isto eram chamadas de Harmônicas da Lagoa. Ao cruzarem o pórtico de entrada desembarcaram e cumprimentaram as donas da casa afetuosamente. Terèse e Mary foram as primeiras a abraça-las. Mary é uma mulher alta e bela, de cabelos castanhos crespos e revoltos, como uma leoa. Fala pausada, tímida de início, mas com uma personalidade marcante. Com um traje marrom, discreto, carrega em baixo do braço uma sacola de couro onde repousa cuidadosamente um banjo, instrumento que toca por hobby desde criança. É possuidora de uma bela voz e quando começa a cantar é impossível não parar para ouvi-la. Já Terèse é seu oposto, estatura mediana, cabelos pelos ombros com uma tintura avermelhada, pele clara, efusiva. Terèse fala pelos cotovelos e consegue agitar o grupo. Seu vestido possui a parte de cima bem justa, feito de um veludo de cor violeta com detalhes em lilás. Já sua saia longa, caindo-lhe até os pés é uma sobreposição de vaporosos tecidos de seda coloridos, aliás multicoloridos, em nuances que contemplam todas as cores do arco-íris. Discrição, por certo, não é o seu forte. Para completar o conjunto usa um chapéu de veludo roxo, cônico e com abas largas, todo bordado com estrelas douradas e multicoloridas. Carrega um instrumento de percussão, um pequeno aro de madeira coberto por um couro esticado. Na base, incrustados vários círculos minúsculos de metal sobrepostos que davam ao instrumento um som agudo, porém harmônico. Logo em seguida Helena e Deby. Helena é uma mulher pequena e loira, cabelos lisos, escorridos, cujas madeixas amareladas lhe tapam metade dos olhos. Duas lindas covinhas nas faces lhe conferem um ar juvenil. Bastante risonha, é sempre quem acha graça em todas as trapalhadas que o sexteto se envolve. Também auxilia na percussão, tocando um chocalho feito de uma cabaça gigante contendo grãos de cereais secos e areia grossa, muito embora sua coordenação não seja das mais louváveis. No entanto, o que vale é a intenção, e boa intenção de tocar é o que não lhe falta. Em compensação sua voz é bastante afinada e harmônica. Eventualmente executa alguns belos solfejos num oboé, instrumento no qual vive prometendo especializar-se. Costuma se vestir com discrição e comparece trajando uma saia-calça de seda azul escura e uma blusa em tom caramelo, que acaba realçando a cor castanha de seus olhos. Deby é quem sempre dirige o veículo oficial do conjunto, talvez por ser a mais pacienciosa com Descanso e Preguiça, ou por ter a capacidade de emitir um grito que os faz acelerar o passo, mesmo que em aclive. Trata-se de uma mulher de grande porte, pele alva e olhos castanho claros. É encarregada também, juntamente com Mary, de organizar os preparativos quando o grupo sai para viajar, devido ao senso de organização de ambas. Enquanto Mary jamais esquece roupas, partituras e acessórios, Deby é incapaz de esquecer os mantimentos e a água, isto sem falar num pequeno barril de vinho. Deby toca um imenso tambor feito de madeira e couro cru.

Por fim Cindy e Bella abraçam as anfitriãs. Cindy é realmente uma fofura, simpatia e bom humor são o que não lhe faltam. Também é quem mais entende de engenharia e arquitetura no grupo. Conserta tudo, desde uma chaleira amassada até o encanamento das cisternas de armazenagem de água. Isto sem falar no seu dom natural para o canto. É dona de uma das mais belas vozes da Grécia e já cantou poemas de Safo em consertos no continente. Também é exímia no toque da cítara, com a qual seguidamente acompanha suas composições. Bella é uma mulher de porte mediano, pele morena, olhos negros como a noite e cabelos longos e lisos. Também se veste com discrição e comparece trajando um vestido verde-água, cuja barra chega a lhe tapar os joelhos. Usa um chapéu de veludo em tom verde musgo e sandálias pretas com tiras amarradas nos tornozelos. É incapaz de ficar parada por longo tempo, sempre disposta a fazer alguma atividade que exija movimento. Na bolsa que sempre carrega consigo, além de seus pertences pessoais e do inseparável chocalho de contas, um avental engomado não deixa despercebido seu encanto pela culinária. É capaz de fazer pratos saborosos num mínimo período de tempo e sempre tem uma nova receita para testar. Além disso, ninguém como ela é capaz de decorar um jardim e organizar uma horta no fundo do quintal, onde cultiva as especiarias com as quais costuma temperar seus manjares. É, sem dúvida, a mestre-cuca do sexteto e uma das responsáveis pela dificuldade das meninas de perder peso. Bella também participa do vocal do grupo, possui uma bela voz.

Morgana e Edna apresentam Gabrielle e Xena. A empatia foi instantânea e em poucos minutos o grupo já conversava alegremente instalado em bancos dispostos no jardim em frente à casa.

Nem bem havia se passado meia hora e se ouve, antes da curva da estrada, o tropel de cavalos se aproximando. Eram Angélica, Susan e Regine. Angélica montava um alazão de trote compassado e firme, enquanto Susan montava uma égua de pelagem branca com pintas escuras no dorso e focinho. Já Regine vinha num cavalo negro como a noite, cujo pêlo parecia ter sido recém escovado. Juntaram-se ao alegre grupo que já se encontrava no local. Logo em seguida Eunice e Camille chegam numa biga puxada por uma parelha de éguas ruanas e ao desembarcarem dirigem-se efusivamente até as donas da casa. Logo após Leonor chega montando Lua Cheia, cavalo amarelo claro com crinas brancas, muito gordo, cujo peso não deixava dúvidas quanto à adequação do nome.

Naquela altura o sol já havia se posto no horizonte e o mesmo ostentava uma coloração vermelho-alaranjada. Os pássaros que até então gorjeavam alegremente recolheram-se aos ninhos, dando lugar aos sons da noite. As primeiras estrelas descortinavam no azul cinzento da noite. Muitas outras convidadas chegaram em suas montarias e outras tantas chegaram a pé, sozinhas ou em grupos. Em pouco tempo reuniram-se mais de quarenta mulheres, das mais diversas procedências, idades e raízes, porém todas ligadas pelo mesmo desejo de celebrar o apogeu da estação através do festival do solstício e dispostas a confraternizar com a natureza pela busca da essência de cada uma, reconhecendo-se como parte integrante de um todo harmônico e feliz.

Após a chegada de todas dirigem-se à clareira da mata, onde cada uma colocou os alimentos que trouxe para partilhar, dispondo-os cuidadosamente nas mesas. Uma vez dispostos os alimentos reuniram-se em círculo em volta deles e, de mãos dadas, agradeceram pelas colheitas e pela fartura, pela chuva, sol, amigos, família e bênçãos recebidas durante a estação. Entoaram melodias mântricas que o vento se encarregou de espalhar pelos quatro cantos do mundo. Após cumprimentaram-se umas às outras e dançaram para celebrar a vida.

Gabrielle e Xena estavam deslumbradas com o astral das pessoas que participavam da festividade. Até mesmo Xena, que era tida como tímida e comedida, viu-se dançando alegremente, rodopiando com Gabrielle no meio da roda formada. Porém, para Xena e Edna, o melhor ainda estava por vir. Por sobre a montanha uma lua cheia surgiu imensa e majestosa e quando se aproximava a meia noite Morgana pede a atenção de todas:

- Amigas e irmãs, agradeço a presença de cada uma de vocês, pessoas tão especiais para nós. É chegado o momento de saudarmos a noite mais curta do ano iluminando-a com a chama de nossa fogueira. Edna e Xena, queridas, poderiam fazer a gentileza de atear fogo na pira?

Xena e Edna se entreolham, mal conseguindo disfarçar a vaidade pela obra de arte, pois todas as convidadas, sem exceção, ficaram estarrecidas com a magnitude da fogueira erguida. Na clareira reina um silêncio absoluto e todos os olhos estão voltados para o centro. Cerimoniosamente dirigem-se até um pequeno fogo de chão e acendem as pontas de duas flechas. Posicionam as longas hastes incandescentes nos seus respectivos arcos e apontam para o centro da fogueira. A um sinal de Edna ambas disparam as flechas que acertam em cheio o alvo, sendo que em poucos minutos as chamas transformam a noite quase que em dia. Num primeiro momento todas ficam perplexas com o tamanho da tocha gigantesca que espalha suas labaredas em direção à lua. O clarão reflete-se no rosto de todas as mulheres ao redor da fogueira e instantaneamente o silêncio é quebrado com um grito uníssono em louvor ao fogo.

Xena cochicha para Edna:

- Realmente, acho que dá pra se ver esse clarão do continente – e sorri debochada.
- E esses gritos também – retruca Edna alegremente.

Logo em seguida reiniciam-se as danças ao redor do fogo e as cantorias em louvor à deusa mãe terra. As Harmônicas tocam e cantam, acompanhadas por um coro animado e disposto a dançar até o nascer do sol. Gabrielle enlaça Xena pela cintura e as duas iniciam um bailado ao redor do fogo crepitante, rodando, rodando, rodando até quase a exaustão. Em determinado momento Xena fala no ouvido de Gabrielle:

- Meu amor, vamos parar um pouco, quase não sinto as pernas.

Gabrielle sorri e elas sentam bem perto do conjunto musical em um banco de madeira, sendo que Xena monta no banco e Gabrielle se aninha entre suas pernas, escorando suas costas no colo de Xena, que a envolve num abraço apertado. Cantam alegremente durante muito tempo. Sentindo o calor do corpo de Gabrielle, Xena a convida para se afastarem um pouco do meio do burburinho. A lua cheia já havia iniciado sua descida rumo ao horizonte enquanto que a fogueira, antes gigantes, já havia se transformado numa braseiro incandescente, com labaredas que não ultrapassavam os arbustos de maricás. Xena conduz Gabrielle pela mão até uns arbustos floridos, de onde se via a fogueira ao longe e esplendor da lua ao fundo, e onde havia estrategicamente deixado escondida uma esteira enrolada. Gabrielle sorri para Xena que retribui o riso maroto:

- Xena, você premeditou me trazer para este canto escuro???...
- EU???... Claro que sim... – responde enlaçando-a pela cintura e beijando-lhe os lábios com ternura.

A luminosidade longínqua do fogo conferia reflexos cintilantes nos olhos de Gabrielle, e Xena ardia de paixão. Soltou os cabelos da rainha amazona passando a mão por entre as madeixas louras, escorregando até suas costas e desabotoando sua mini blusa. Gabrielle geme ao toque suave de Xena. Esta descobre os seios de sua amada e leva sua boca até eles, passando a língua pelos mamilos e sugando-os sensualmente. Desta vez é Gabrielle quem desabotoa as vestes de Xena, deixando-a totalmente despida e acariciando seu corpo inteiro. Xena não se contém e termina de tirar a saia e a calcinha de Gabrielle, deitando-a por sobre a esteira e fazendo com que se entregasse por completo às suas carícias e toques. Elas se amam com volúpia e gemem de prazer tendo a lua refletida nos corpos nus e sedentos de desejo, com a música cantada ao fundo, as batidas rítmicas dos instrumentos de percussão e o som do crepitar das chamas da fogueira. Após intermináveis momentos de intimidade contemplam abraçadas a lua, que cai por trás dos montes.

- Daqui a pouco o sol vai nascer – sussurra Gabrielle.
- Então vamos saudá-lo!!! – responde Xena.

Elas se vestem e retornam para o centro da clareira onde as danças e cantorias continuavam ininterruptamente. Nesta feita a lua já havia desaparecido, oculta pela montanha e o horizonte leste já ostentava um fino contorno luminoso, prenúncio da alvorada, como que conferindo um tom avermelhado às águas do Egeu. Quando a claridade tomou um pouco mais de forma e já se distinguiam os perfis dos montes e da floresta, as vozes cessaram instantaneamente, assim como os tambores e instrumentos de cordas. Todas as mulheres se perfilaram no alto da clareira, de mãos dadas, com os olhos voltados para o oriente, em total silêncio, tendo o Mar Egeu como limite visual do globo terrestre. Se podia ouvir os primeiros cantos dos pássaros e os sons da natureza que despertava. As respirações se tornaram compassadas e profundas, num sentimento de comunhão com o infinito. Neste momento o primeiro raio de sol surge no horizonte, como uma haste luminosa que se estende por sobre o mar e envolve a terra. Esse raio se expande e se agiganta, transformando trevas em luz, noite em dia. As mulheres permanecem caladas, respirando compassadamente, absorvendo cada gotícula de luminosidade e transmutando as energias de seus corpos físicos e etéricos. Vagarosamente a corrente humana se desfaz e a sensação é de purificação e leveza. Novamente o grupo se abraça e renova o desejo de harmonia e paz universal. Lentamente vão recolhendo os resquícios da ceia e retornando para a casa de Edna e Morgana. Lá é preparada uma refeição matinal para todas e gradualmente as pessoas vão se despedindo e retornando para seus lares. Por último se despedem as Harmônicas, sempre prometendo voltar em breve. Morgana, Edna, Xena e Gabrielle as acompanham até o pórtico da propriedade e acenam para o grupo que parte acenando alegremente para elas. Ao longe ainda escutam:

- Êia Preguiça!!! Acelera Descanso!!!...

As quatro, já se deixando dominar pelo sono, vão para seus respectivos aposentos e adormecem profundamente, acordando somente no meio da tarde. Após uma refeição leve dirigem-se à clareira da mata terminam de organizar e limpar o que restou da festa. Ao terminarem Xena propõe:

- Meninas, que tal um banho de cachoeira???...
- Ótimo!!! – respondem em uníssono.

As quatro correm até a cachoeira e se despem rapidamente, mergulhando na água fresca e cristalina. Depois de se divertirem por mais de uma hora Edna e Morgana retornam para casa. Gabrielle e Xena sobem até o topo na montanha do lado oeste da clareira e sentam-se abraçadas numa pedra, contemplando o sol que vai descendo vagarosamente, preparando-se para mergulhar nas águas do Mar Egeu, cedendo lugar ao manto estrelado da noite.

- Xena, eu tô sentindo uma felicidade que chega a doer...
- Bobinha... felicidade não dói.
- Mas é que... como é muita, parece que não cabe dentro do peito...Aí dói – argumenta Gabrielle.
- Tudo bem. Eu também estou sentindo uma felicidade que nunca tive antes. E essa felicidade tem nome... é Gabrielle.
- Pois a minha tem outro nome... é Xena.

Elas se abraçam afetuosamente e se beijam com ternura.
- Xena, eu quero ficar aqui por mais algum tempo...
- O tempo que você quiser... todo o tempo do mundo...
- Eu te amo, Xena.
- Eu também, Gabrielle, eu também.

Novamente as bocas se unem, numa certeza de que os corações também permanecerão unidos. Para sempre.

E continuaram em Lesbos até o final do verão, em plena lua de mel, lua de amores, de paixões e de descobertas. No início do outono resolveram visitar Cyrene, mãe de Xena, em Amphipolis. Lembraram da promessa de passar em Methone para contar as novidades a Niklos. Mas isso já é outra história...

E a primeira vez foi assim...



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(1) Episódio nº20 da 1ª Temporada, intitulado “Átrius, O Pai” (Ties That Bind).
(2) O autor do poema atribuído a Safo neste conto é Walmor Santos.
(3) O autor do poema atribuído a Safo neste conto é Gilberto Rumayor.