O desabrochar da paixão

- Um conto da primeira vez -

Rose Angel

 

 

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de

 

Elas descem a trilha de volta para a cabana abraçadas, trocando carícias e declarações de amor. Xena pára em frente a porta de entrada, abraça Gabrielle e diz:

- Eu esperei a minha vida toda por esse momento, Gabrielle...
- Eu também, meu amor, eu também...

Elas se beijam apaixonadamente e Xena toma Gabrielle em seus braços, carregando-a para dentro de casa. No meio da sala coloca Gabrielle no chão, de pé à sua frente.

Morgana havia arrumado a mesa da sala, colocando dois castiçais com velas vermelhas, a cor da paixão, segundo ela. No centro uma bandeja com frutas, pães, geléias e mel, além de água da fonte e vinho tinto. As chamas do candelabro estavam acesas e davam um colorido mágico à sala. Num canto da mesa um bilhete:

 

"Meninas, preparei um banho ritual para cada uma, em separado. Xena, você usará o quarto em cuja porta está pendurada uma guirlanda de rosas, e você Gabrielle o quarto com a guirlanda de margaridas. Após o jantar o quarto dos fundos, com a guirlanda de flores do campo, é todo de vocês. Muitas bênçãos da deusa mãe.

Morgana."

 


Xena comenta:
- Essa Morgana pensa em tudo...é uma das pessoas mais maravilhosas que eu conheço.
- Realmente. – responde Gabrielle.
- Vamos lá então?
- Vamos. – responde Gabrielle com a voz embargada pela excitação.

Elas sobem a escada de mãos dadas e logo no topo deparam-se com dois aposentos, frente a frente, cada um com uma guirlanda de flores diferentes. Xena leva a mão esquerda à maçaneta da porta com a guirlanda de rosas e com a mão direita segura o queixo de Gabrielle suavemente e a beija nos lábios:

- A gente se encontra lá em baixo... para o jantar – diz Xena penetrando no quarto.
- Eu te amo, Xena...
Xena sorri sedutoramente:
- Eu também...mais do que tudo.

Gabrielle penetra em seu respectivo aposento. Trata-se de um local bastante simples, com uma janela para o nascente, uma cama pequena coberta por uma colcha de linho cru e com um travesseiro de ervas que perfumava o ambiente. Em cima da cama haviam duas toalhas muito alvas e uma espécie de roupão ritual de tecido de finíssima seda, com mangas três quartos, de cor verde água bordado com detalhes de verde oliva. Uma faixa de seda branca ao lado para amarrar na cintura, pois a vestimenta não possuía botões. Sobre o roupão uma grinalda feita de minúsculas flores naturais, brancas, e tendo um pequeno diamante no centro do ornato. Num canto do quarto havia uma tina redonda de madeira, com cerca de dois metros de diâmetro por um metro de profundidade, com água corrente e em temperatura elevada, fato que deixou Gabrielle curiosa. Observando mais de perto e espiando pelo lado de fora da janela, verificou tratar-se da tubulação de uma das fontes térmicas naturais da ilha. A água subia pela tubulação com a própria pressão da fonte, penetrava pela parede do quarto e desembocava na interior da tina. Cerca de um palmo abaixo da borda superior outro tubo servia para escoar a água e devolve-la para a rua, desembocando de volta na fonte térmica. Outra maravilha da engenharia do local! Ao lado desta piscina natural uma mesinha ovalada com suaves essências florais, óleo para banho, escova para o cabelo e um espelho de mão. Gabrielle despiu-se, preparou seu banho de óleo e essências e mergulhou naquela água maravilhosamente quente, relaxando por completo. Tentava esvaziar a mente buscando acalmar o turbilhão de pensamentos e sensações que a invadiam no momento. Sentia-se como uma noiva virgem na véspera de ser deflorada e acabava rindo disso. Se tinha uma coisa que não era mais era virgem. Na verdade guardava poucas lembranças de sua única noite com Pérdicas, lembrava de sua morte pela espada de Callisto, lembrava também, e principalmente, de sua angústia frente ao fato de ter de se separar de Xena... como era tonta! Amava Xena desde a primeira vez que a vira e precisou de tanto tempo e de tantas provações para se dar conta disso. Mas essas lembranças eram passado e o que importava, no momento, era que no quarto ao lado a mulher de sua vida se preparava para unir-se a ela, de fato, para sempre. Tentava acalmar-se, mas estava ansiosa, porém não via a hora de estar nos braços de Xena.

No quarto ao lado Xena também se preparava para entregar-se à sua amada. Havia uma tina igual a do quarto de Gabrielle, porém com óleos e essências de fragrâncias diferentes, mais fortes, próprias para uma mulher com as características de Xena. Esta sorriu ao se dar conta de como Morgana a conhecia. Tomou seu banho e vestiu um roupão de seda de cor violeta, com acabamentos de seda vermelha nas mangas e no decote, assim como era vermelha a faixa de seda que amarrara na cintura. Escovou seus cabelos prendendo-os no alto da cabeça e colocou a tiara de ametistas que Morgana havia colocado cuidadosamente sobre seu roupão. Sua pele emanava um perfume forte, mas extremamente agradável e o óleo de banho lhe conferia à pele uma textura macia e sedosa. Estava pronta para sua noite de amor.

Xena desceu a escadaria da casa e viu que Gabrielle ainda estava se preparando. Acendeu as velas da mesa de jantar e serviu uma taça de vinho tinto, cujos goles sorvia lentamente enquanto aguardava sua amada. Precisava, realmente, relaxar um pouco. Assim como Gabrielle, Xena estava ansiosa, um misto de excitação e nervosismo. Esperou por cerca de meia hora, absorta em seus pensamentos, até que escutou o ranger da madeira no andar de cima, eram os passos de Gabrielle caminhando em direção à escadaria. Olhou para o topo e deslumbrou-se com o que viu.

Gabrielle estava descalça, porém trajava sua vestimenta de seda verde água. Seu decote delineava a silhueta de seus seios, e o caimento da seda emoldurava seus quadris e cintura. Suas pernas torneadas estavam à mostra, uma vez que sua vestimenta lhe chegava até um palmo acima dos joelhos e a cada passo que dava em direção ao andar de baixo a parte interna de suas coxas ficava momentaneamente exposta pela fenda dianteira de seu roupão. Seus olhos verdes cintilavam à luz do candelabro do centro da sala. Sua grinalda lhe conferia um ar angelical e Xena precisou apoiar-se nos braços da cadeira para levantar-se e caminhar ao seu encontro. Gabrielle era a personificação da deusa da beleza e da perfeição.

Gabrielle, por sua vez, também maravilhou-se com a figura que a aguardava no sopé da escadaria. O porte majestoso de Xena e o azul de seus olhos, escurecidos pela excitação, deixavam Gabrielle sem ar. A tiara de ametistas emoldurava aquele rosto de traços marcantes e sorriso encantador. As mãos de Gabrielle estavam trêmulas eúmidas de suor. Desceu devagar e cada passo acelerava o coração de Xena que estendeu-lhe a mão no último degrau:

- Minha rainha...
- Minha princesa – respondeu Gabrielle – enlaçando o pescoço de Xena e beijando-lhe carinhosamente os lábios.

Seus corpos entrelaçados estavam perdidos de amor. Carinhosamente Xena conduz Gabrielle para a mesa e começa a servi-la de frutas. A cada morango que colocava em sua boca deixava propositalmente a ponta de seu dedo, que Gabrielle lambia maliciosamente, levando Xena à loucura. Gabrielle também bebeu uma taça de vinho, para relaxar, mas somente uma, pois era de má bebida como dizem, e não estragaria aquela noite por nada... Oferecia pequenas cerejas envoltas no mel à Xena, alcançando-as entre os dentes, em sua boca entreaberta. Xena capturava as cerejas e acariciava a língua de Gabrielle com a sua. Sensualmente trocavam olhares, dispensando quaisquer palavras para que não se quebrasse o encanto daquele momento de entrega. Alimentavam-se em silêncio, contemplando uma à outra e extasiando-se com a beleza que viam refletidas nas luzes tremulantes das velas e do candelabro.

Uma vez saciada a fome, Xena encosta sua boca no ouvido de Gabrielle e diz:

- Vamos subir...

Gabrielle estremece e balança a cabeça em anuência. Levantam-se e Xena, novamente, toma Gabrielle nos braços. Esta beija-lhe a nuca e o pescoço e geme ao seu ouvido:

- Eu te quero Xena... quero me dar toda para você...
- Eu também, meu amor, eu também...

Beijam-se apaixonadamente e Xena caminha em direção à escadaria. Somente não a escalou de três em três degraus, tamanha a sua excitação, pois sua vestimenta que lhe caía até os tornozelos não lhe permitia esses movimentos arrojados, e não poderia arriscar-se a despencar da escadaria justamente naquela ocasião.

Dirigiram-se ao quarto dos fundos e Gabrielle, ainda no colo, leva sua mão à maçaneta da porta abrindo-a. As duas penetram em seu ninho de amor. Xena coloca Gabrielle suavemente no chão e ambas passam a observar aquele local que ainda não tinham conhecido, a pedido de Morgana que também gostava de preparar surpresas. Tratava-se de um aposento com uma enorme cama ao centro, coberta com lençóis de seda prateada e almofadas também cobertas, porém com seda de cor salmão. Do teto pendia uma luminária de ferro torneado com uma única vela em forma de globo, de cor branca, com capacidade de arder por mais de cinco dias consecutivos e que, por ser envolta em finíssimos cristais de quartzo rosado conferia ao lugar um clima de confortável penumbra. Ainda no teto e na parede lateral aos pés da cama haviam espelhos emoldurados com relevos em forma de folhas e flores, esculpidos em prata e ouro. Havia uma janela entreaberta, que dava para os fundos da propriedade e ao lado desta uma porta de acesso a uma sacada, da qual se avistava o Mar Egeu. Em frente ao espelho dos pés da cama havia uma pequena mesa redonda cujo tampo de madeira era coberto por um mosaico de ametistas e quartzos verdes, uma bela obra de arte. No centro da mesa uma travessa de prata ovalada onde estavam depositados dois cordões de prata de onde pendiam dois pingentes de ouro exatamente iguais cujo desenho simbolizava o planeta Vênus, duas Vênus entrelaçadas em cada cordão. Ao lado um bilhete: “Meu presente de casamento. Brindem à deusa e sejam felizes. Sempre. Morgana”. Ao lado dos pingentes duas taças de cristal e uma jarra de um licor especialmente preparado por Morgana. Gabrielle diz:

- Acho que é uma poção mágica...
- Pode ser... – responde Xena sorrindo – a poção da felicidade, do amor e da completude.

Xena serve as duas taças, ritualmente, alcançando uma delas para Gabrielle. Esta última estava trêmula de excitação. Xena vira-se de frente para ela e entrelaçando seus braços cada qual sorve a bebida de sua própria taça. Após Xena sorve um pouco de sua taça e coloca um gole de seu licor na boca de Gabrielle, selando-a com um beijo. Gabrielle faz o mesmo. Em seguida cada qual pega um dos cordões de prata. Xena coloca o cordão por cima da cabeça de Gabrielle, ajeitando-o por baixo de seus cabelos, beija-lhe a testa e, em seguida, suavemente a boca. Segura-lhe as mãos, beija-as, e fitando-a nos olhos diz:

- Eu te recebo Gabrielle, para sempre, como minha companheira, como a mulher que eu escolhi para partilhar todos os dias da minha existência, nesta vida e em todas as que virão, em nome da deusa mãe, criadora de toda a natureza e protetora de todos os seres que amam...

Gabrielle, com os olhos marejados d’água beija as mãos de Xena. Em seguida, na ponta dos pés, suspende o outro cordão de prata, colocando-o no pescoço de Xena, dizendo com a voz embargada pela emoção:

- Eu te recebo Xena, como a mulher da minha vida, como a companheira para todos os momentos, quaisquer que sejam, como a pessoa que eu escolhi para amar pela essência e pela bondade de coração, pela coragem, bravura, suavidade em cada gesto e amor ao próximo. Eu te recebo Xena, por toda a eternidade, em nome da grande deusa, criadora de toda a natureza e protetora dos seres que amam. Que assim seja.
- E assim será. – responde Xena.

Xena enlaça Gabrielle pela cintura puxando-a de encontro ao seu corpo, que àquela altura ardia de desejo e paixão. Beija-lhe os cabelos, a testa, a nuca e a boca. Gabrielle sente como se todas as luzes da cidade de Atenas houvessem se acendido ao mesmo tempo dentro de seu corpo. Estremece de excitação à cada toque de Xena. Esta conduz Gabrielle para a beira da cama, desamarra a fita que lhe prende o roupão na cintura e a deixa cair aos pés de sua amada. Gabrielle tem a sensação de que seu coração vai lhe saltar pela boca. Xena descobre seus ombros, os quais beija suavemente enquanto desliza seu roupão deixando-o cair junto à faixa. Xena dá dois passos para trás e observa a nudez de Gabrielle, seus cabelos dourados e sua pele clara, suas curvas, a suavidade de seus seios e mamilos rosados, a beleza de seu sexo encharcado de excitação. Desta vez é Xena quem perde o fôlego, pois Gabrielle se aproxima e também desamarra sua faixa, abre sua vestimenta e a desnuda, observando-a de alto a baixo. Aproxima-se e solta seu cabelo negro que lhe cai sobre os ombros morenos. Ostentam no corpo somente seus cordões de prata, mais nada. Gabrielle abraça Xena pela cintura e esta a aperta contra seu corpo, beijando-a com mais ardor e deitando-a sobre os lençóis macios de seda. Gabrielle, deitada de costas, abre suas pernas para que Xena se encaixe entre elas. Xena encosta seu sexo no de Gabrielle e ambas gemem de prazer. Xena beija os seios de Gabrielle e suga seus mamilos rosados, rijos de tesão, passando a língua por volta destes, indo em direção ao umbigo de sua amada. Xena lambe a virilha de Gabrielle até chegar aos pelos de seu sexo, admirando a cor dourada dos mesmos. Afasta as pernas de Gabrielle com as mãos deixando seu sexo aberto e receptivo ao toque de sua língua. Inicia beijando as laterais e logo em seguida coloca a ponta da língua contra o clitóris de Gabrielle, pressionando-o. Gabrielle geme de prazer. Começa a suga-lo enquanto sente a umidade de sua amada escorrendo de seu sexo e encharcando os lençóis. Começa a penetra-la com a língua, num movimento sincronizado que levava Gabrielle a loucura. Esta, porém, suavemente puxa Xena em sua direção e beija-lhe a boca, sentindo seu próprio gosto nos lábios e língua da companheira. Trêmula de excitação começa também a sugar-lhe os mamilos morenos e a lamber aqueles seios fartos e rijos. Não conseguindo se conter abocanha vorazmente o sexo de Xena, invadindo-o com a língua e sugando cada gota do prazer de sua amada. Xena pede mais e Gabrielle passa a sugar seu clitóris, deixando-o pronto para gozar. Quando Xena sente que não conseguiria mais se conter puxa Gabrielle em sua direção fazendo com que se sentasse inclinada de frente para ela, encaixando seus sexos, encostando seus clitóris enrijecidos e molhados, esfregando-os e aumentando gradualmente a intensidade até que ambas explodem num orgasmo sincronizado, cujos gritos de prazer e êxtase puderam ser ouvidos somente pelos pequenos animais noturnos que vagavam à sombra da noite de lua cheia. Saciadas elas se abraçam bem apertado, os corpos molhados de suor, trocando carícias íntimas e juras de amor.

(...)

- Eu nunca senti isso antes, Xena... Como é que você faz isso mulher?
- Isso o que, Gabrielle? – pergunta Xena com voz lânguida.
- Isso que eu senti... eu explodi por dentro, sabia???
- Imaginei... pelos teus gritos... – responde Xena sorrindo.
Gabrielle enrubesce.
- Mas a culpa é sua, dona Xena... onde já se viu fazer essas coisas com uma moça decente – retruca Gabrielle em tom de brincadeira.
- Mas a moça descente até que fez a sua parte direitinho... para quem dizia ser destreinada...
- E será que eu posso praticar mais um pouco??? – pergunta sedutoramente Gabrielle, deitando-se sobre Xena.
- Com toda a certeza...

E reiniciam as carícias mais ousadas. As pulsações aceleram, as mulheres se entregam novamente à paixão e ao desejo que sentem uma pela outra. Gabrielle ama o cheiro de Xena quando faz amor, um cheiro de luxúria e prazer. Xena não consegue se conter ante os toques suaves de Gabrielle e por vezes goza antes mesmo que se tornem mais impetuosos. Adormecem abraçadas e plenas de felicidade, com a sensação de que estavam nos céus, e de que os Montes Elíseos não poderiam ser melhores do que aquele ninho de amor.

Acordaram com o sol alto, afinal foram dormir quase no nascer do sol... Xena abre os olhos e depara-se com Gabrielle abraçada nela, observando-a de perto:

- Bom dia, meu amor... eu...
- Já sei...”tô morrendo de fome”... – brinca Xena.
- Sua boba ! Eu ia dizer que eu... te amo!!! – e beija Xena na boca. – Mas que eu tô com fome, eu tô.
Ambas caem na risada.
- Eu também, meu amor, você me fez gastar as últimas reservas de energia que restavam neste corpo exaurido de paixão... – brinca Xena.
- Então vamos...
- Eu vou... preparo nosso café e trago para a minha rainha...na cama...
- Nossa!!! Será que eu mereço tanto?
- Merece, Gabrielle...Ah, merece...

Xena coloca seu roupão, desce e prepara uma bandeja com café, leite, pães e frutas e leva para o quarto. Encontra Gabrielle semi adormecida. Esta desperta com a chegada do desjejum e senta na cama.

- Gabrielle, tenha a decência de se vestir, senão eu não consigo comer – retruca Xena – pelo menos os pães... – emenda sorrindo.

Gabrielle joga o roupão por cima do corpo e saboreia o café preparado por sua mulher. Xena a observa e sorri. Sempre se encantou com o apetite matinal de Gabrielle.

- Tá olhando o que, Xena? – pergunta sorrindo Gabrielle.
- Admirando... você é tão linda.
- Ai, Xena...assim eu fico sem graça.
- Você é o meu tudo, sabia? – diz Xena apaixonadamente, beijando Gabrielle nos lábios.
- Vem cá, vem... – convida sedutoramente Gabrielle.
- Acho melhor não... do jeito que você comeu é capaz de ter uma congestão.
- Engraçadinha... – retruca Gabrielle puxando Xena para si.

Elas acabam ficando mais um longo tempo na cama... Queriam aproveitar cada minuto de intimidade que haviam perdido até então. No meio da tarde quando conseguiram sair do quarto resolveram tomar um banho antes de dar um passeio até a cidade.

Gabrielle queria comprar um presente de solstício para Xena, além do quê adorava bisbilhotar as novidades nas lojinhas dos mercadores e pechinchar nos preços das mercadorias. Nestas ocasiões Xena quase perdia a paciência, era muito mais objetiva que Gabrielle e preferia fugir do burburinho e da agitação das lojas. Mas, naquele dia faria qualquer coisa que Gabrielle quisesse... qualquer coisa.

Gabrielle mergulhou naquela maravilhosa tina de água quente, ensaboando-se com um sabonete a base de ervas confeccionado pela própria morgana. Para que conseguissem sair à passeio Xena preferiu tomar seu banho no outro quarto...só para garantir. Vestiram-se e rumaram, montadas em Argo para o centro da cidade.

Mytilene era uma cidade de grande porte, com muitas lojas, tavernas e uma atividade cultural bastante intensa. O imenso teatro em frente à praça principal encantou Gabrielle, as gigantescas colunas góticas e a abóbada por sobre o palco central eram deslumbrantes, proporcionando uma acústica perfeita, poderia se escutar o som da queda de um alfinete durante as apresentações. Gabrielle entrou em incontáveis lojinhas e tendas, sempre acompanhada de perto por Xena, que olhava de cara feia para qualquer marmanjo que fizesse menção de se aproximar de sua “propriedade”, afinal Gabrielle estava encantadora, com um top amarelo ouro e uma mini-saia branca com frestas laterais que deixavam qualquer pobre mortal desconcertado.

- Precisava vestir uma saia tão...provocante???... – resmunga Xena ao ouvido de Gabrielle.
- Quer fazer o favor de não ser implicante?
- Mas TODA a população da cidade está cobiçando as tuas pernas... – responde Xena num ranger de dentes.

Gabrielle franze o nariz, dá uma risadinha e responde seguindo adiante:
- Impressão sua, bobinha...

Gabrielle consegue driblar a vigilância de Xena e compra um presente para ela, escondendo-o dentro de sua bolsa. Percebendo que Xena começava a se irritar com o entra e sai das lojas Gabrielle se aproxima dela, abraça-a pela cintura e a convida para sentarem um pouco na praça, ao que Xena concorda aliviada. Não entendia como Gabrielle conseguia andar tanto de loja em loja sem que lhe doessem os pés. Xena senta-se ao lado de Gabrielle e lhe estende um pequeno envelope. Ao abri-lo depara-se com ingressos para um espetáculo de canto, que teria início dentro de aproximadamente uma hora. Gabrielle fica radiante e sapeca um beijo na boca de Xena, alheia às pessoas que circulavam no local. Desta vez é Xena quem fica corada.

- Xena!!! Como você comprou esses ingressos sem que eu visse???
- Ora Gabrielle, você estava tão entretida no “comércio de variedades” que eu poderia ter sido raptada pelo Minotauro que você nem notaria...
- Sua boba !!! Eu só tenho olhos para você. Mas é que eu ADORO ir às compras.
- Eu sei, meu amor...mas vamos indo para pegarmos um bom lugar?
- Vamos sim – responde Gabrielle toda entusiasmada – Eu te amo, Xena... já havia lhe dito isto hoje???
- Hummmm... não estou lembrada... acho que sim – responde Xena sorrindo.

Elas assistem ao musical e Gabrielle se encanta com o espetáculo. Ainda na praça, antes de retornarem para casa, Xena estende mais um envelope para Gabrielle. Seus olhos brilham ao vislumbrarem dois ingressos para a apresentação das poesias declamadas por Safo e suas alunas, na noite seguinte, em honra do solstício de verão, naquele mesmo teatro.

- É o meu presente de solstício para você, Gabrielle.
Gabrielle emocionada responde:
- Só você mesmo para me fazer tão feliz... Vamos para casa, eu quero lhe proporcionar um agradecimento à altura...
- Isso é uma promessa? – questiona Xena sedutoramente.
- Com toda a certeza.

Retornam para casa montadas em Argo. Ao chegarem Gabrielle toma um banho e desce para preparar o jantar enquanto Xena escova o pêlo de Argo antes de soltá-lo no campo. Xena acaricia o nariz de Argo que relincha receptivo ao afago:

- Pois é, amigão, você está diante de uma mulher feliz... duas mulheres felizes. – cochicha Xena sorrindo no ouvido de Argo.

Este relincha novamente enquanto Xena lhe dá um tapinha no traseiro, fazendo com que disparasse em direção às cocheiras. Entra na casa e sente um cheiro maravilhoso de carne assada e arroz de forno com nozes e azeitonas. Xena vai até a cozinha e enlaça Gabrielle por trás, pela cintura, beijando-a na nuca, fazendo com que se arrepiasse:

- Ai Xena... assim eu não consigo terminar o jantar...
- É que eu não resisto a esse... petisco encantador... – brinca Xena mordiscando o pescoço e os ombros de Gabrielle.

Gabrielle se vira e abraça Xena, beijando-a com paixão. Após tenta se afastar para verificar o ponto do assado no forno. Xena a segura pelos quadris e quando começa a se exceder nas carícias, colocando as mãos por entre as pernas de Gabrielle, esta pega a colher de pau que estava usando, se vira de frente para Xena, coloca uma das mãos na cintura, bate o pé e gira a colher de pau com a outra mão:

- Olha aqui, dona Xena... não me faça usar esta colher como palmatória, ein???
- Que mulher temperamental que eu fui arrumar... – diz Xena achando graça do teatro de Gabrielle – Prometo me comportar... pelo menos até a hora da janta – emenda em posição de sentido com a mão direita para cima como que professando um juramento.
- Acho muito bom!!! – responde Gabrielle autoritária, achando graça da encenação de Xena – Quer fazer o favor de sacudir essa roupa cheia de pêlos daquele cavalo??? E antes de vir para a mesa lave as mãos também!!!

Ao fundo Argo relincha como que em protesto pelo comentário de Gabrielle, que diz impressionada:

- Mas que ouvido que tem esse cavalo!!!

Xena gargalha e sai da cozinha. Retorna após um banho e ajuda a colocar a mesa. Elas jantam e arrumam a cozinha. Após guardar o último prato xena diz:

- Acabou-se o juramento!!! - e agarra Gabrielle pela cintura, levantando-a no ar e girando em círculos pela cozinha.
- Sua maluca... eu te amo!!! – diz Gabrielle com a cabeça rodando.

Gabrielle enlaça a cintura de Xena com suas pernas e segura-se em seu pescoço. Xena a sustenta pelos quadris beijando-a avidamente. Gabrielle beija o pescoço de Xena, o colo e leva seus lábios em direção aos seios de Xena. Abre a blusa desta e suga seus mamilos. Xena caminha com Gabrielle presa em si até a sala, cambaleando de excitação. Deita Gabrielle no tapete da sala e arranca com voracidade seu top, sugando seus mamilos rosados e rijos de tesão. Também arranca sua saia com um puxão, não conseguindo se conter tamanha a vontade de sentir Gabrielle gozando de encontro ao seu corpo. Gabrielle desamarra a saia de Xena e tira sua blusa, bem como a calcinha de linho branco que usava por baixo. Elas se ajoelham frente à frente no tapete felpudo cujas cerdas macias acariciam seus joelhos e se abraçam.

Cada qual leva sua mão direita até o sexo da companheira, com carícias rítmicas e sensuais, e ambas sentem que estavam encharcadas de tesão. Primeiro Xena acaricia o clitóris de Gabrielle, sentindo-o aumentar de tamanho conforme o movimento da ponta de seus dedos. Gabrielle geme em seu ouvido e se contorce de prazer. Em seguida, com delicadeza, Xena começa a introduzir dois dedos na vagina de Gabrielle, devagar e  sincronizadamente... aproveitando a umidade de sua cavidade e sentindo o fogo que emanava de suas entranhas. Gabrielle, com o braço esquerdo, aperta forte a cintura de Xena, colando seu corpo ao dela e emitindo sons guturais de prazer indescritível. Aproxima sua boca do ouvido de Xena e implora:

- Mais, Xena...eu quero mais...eu te quero dentro de mim...

Xena introduz mais seus dedos e inicia um movimento de vai e vem mais acentuado. Gabrielle se abre àquele movimento e também penetra Xena com seus dedos delicados, porém bastante conscientes do que deveriam fazer para dar prazer à mulher que amava. Xena geme alto com a penetração e abre mais suas pernas como que autorizando Gabrielle a fazer dela o que bem entendesse. Os movimentos se aceleram e devido à posição dos dedos e pulsos, ambas conseguem manipular as vaginas e os clitóris ao mesmo tempo. As mulheres gritam e gemem em uníssono, enquanto se entregam em golpes de volúpia, alcançando um gozo pleno e sincronizado. Ainda ajoelhadas se abraçam e se beijam, deitando-se a seguir para recuperar o fôlego e oportunizar a normalização dos batimentos cardíacos. Continuam abraçadas por longo tempo, acariciando-se e trocando juras de amor. Após certo tempo Gabrielle convida:

- Vamos olhar a lua?
- Pra quê? – pergunta Xena – Para deixa-la com inveja da tua beleza???
- Realmente ela ficará com inveja de mim...porque EU tenho a mulher mais linda do mundo. – responde Gabrielle embriagada de amor.
Xena a beija e responde:
- Bobinha... eu te amo...